Primeira-dama recupera participação feminina nas greves do ABC e afirma que mulheres serão decisivas na tentativa de levar Lula ao quarto mandato
Da Redação
Janja colocou as mulheres no centro de seu discurso durante o primeiro ato oficial da campanha à reeleição do Presidente Lula, realizado neste domingo (16) no Estádio 1º de Maio, a histórica Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Diante de milhares de apoiadores, a primeira-dama homenageou Marisa Letícia, lembrou a participação das mulheres nas mobilizações operárias do ABC e apresentou demandas relacionadas a trabalho, educação, saúde, cuidado e proteção contra a violência.
As informações foram publicadas pelo Brasil 247 e pela Revista Fórum, que acompanhou o ato em São Bernardo. O evento marcou a abertura oficial da campanha eleitoral de Lula e reuniu, entre outros nomes, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Benedita da Silva e representantes de movimentos sociais. A campanha escolheu a Vila Euclides para relacionar a disputa de 2026 à trajetória sindical do presidente no ABC paulista.
Janja recupera papel das mulheres nas greves do ABC
Ao falar sobre as grandes mobilizações dos metalúrgicos no fim da década de 1970, Janja chamou atenção para mulheres que participaram daquele período sem ocupar a mesma visibilidade dos dirigentes sindicais. Eram esposas, mães e trabalhadoras que sustentavam as famílias durante greves prolongadas e participavam da organização política e comunitária relacionada ao movimento.
Janja associou essa participação diretamente a Marisa Letícia, que acompanhou Lula durante sua trajetória como dirigente sindical e teve atuação na organização das famílias dos trabalhadores durante as greves. “Essas mulheres, lideradas por Dona Marisa, foram uma força importante e são pouco lembradas. Sem a presença delas, presidente, talvez essa história toda tivesse sido diferente”, afirmou.
A primeira-dama também recordou a participação de Marisa na formação do PT. “A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz a nossa memória, o cuidado e o carinho de Dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT. E é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, declarou.
“Somos quem segura as pontas”
Janja iniciou o discurso falando de sua própria origem e do sobrenome Silva, que já carregava antes do casamento com Lula. A partir dessa referência, dirigiu sua fala às diferentes experiências das mulheres brasileiras e afirmou que elas acumulam responsabilidades familiares, profissionais e financeiras.
“Cada uma de nós é muita coisa. Somos muitas em uma. Somos mães, filhas, avós, tias, estudantes, professoras, empreendedoras, doutoras, somos chefe de família, somos mães solo, base de sustentação da nossa casa, financeira e emocionalmente”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Somos quem segura as pontas, afinal de contas”.
A primeira-dama defendeu que o cuidado deixe de ser tratado como responsabilidade exclusiva das mulheres. Ao dirigir suas reivindicações a Lula, pediu políticas que permitam às mulheres trabalhar, estudar, descansar e ter autonomia, enquanto o Estado amplia sua participação no cuidado com crianças e pessoas dependentes.
Escola integral e cuidado aparecem entre as reivindicações
Entre as políticas citadas por Janja estão a expansão das escolas em tempo integral e a oferta de alimentação escolar de qualidade. Segundo ela, a existência desses serviços interfere diretamente nas possibilidades de mães trabalharem e estudarem com tranquilidade.
Janja também mencionou atendimento à saúde durante diferentes fases da vida, acesso à moradia, emprego e terra, além da proteção das mulheres em espaços públicos e privados. O discurso relacionou essas demandas à autonomia feminina e à necessidade de políticas públicas que considerem a distribuição desigual das responsabilidades de cuidado.
Mulheres são maioria do eleitorado
Na parte final do pronunciamento, Janja levou a discussão para a eleição presidencial. As mulheres constituem a maioria do eleitorado brasileiro, e a campanha de Lula procura ampliar sua vantagem nesse segmento diante da disputa com Flávio Bolsonaro.
“Nós, as mulheres, as da Silva, as Pereira, as Souza, as Oliveiras, as Santos, somos a maioria da população, somos a maioria do eleitorado, somos as guardiãs da democracia”, declarou a primeira-dama.
Janja então fez um pedido explícito de voto, permitido a partir deste domingo com o início oficial da campanha. “E assim, presidente, como em 22, somos nós, as mulheres desse Brasil, que iremos te eleger novamente”, afirmou. Depois, acrescentou: “Nós, presidente Lula, estamos prontas para mais. E juntas, na nossa luta histórica e coletiva, sim, vamos te eleger mais uma vez”.
Lula volta ao lugar onde começou sua trajetória nacional
A escolha da Vila Euclides para a abertura da campanha foi planejada para recuperar a trajetória de Lula como líder sindical. O estádio recebeu as grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC no final dos anos 1970, quando dezenas de milhares de trabalhadores participaram das greves que desafiaram a ditadura e projetaram Lula nacionalmente.
Quase cinco décadas depois, Lula retornou ao local para iniciar a campanha em busca de seu quarto mandato. A organização trabalhou com uma expectativa de cerca de 20 mil participantes, com caravanas de diferentes regiões, militantes de partidos aliados e integrantes de movimentos sociais.
O slogan apresentado pela campanha é “O Brasil pronto pra mais”, acompanhado no ato pela referência “Onde tudo começou”. Lula afirmou que apresentará, ao lado de Geraldo Alckmin, o programa para um eventual novo governo dentro de dez a 15 dias.
Campanha começa com memória sindical e projeto para o quarto mandato
Em seu discurso, Lula defendeu a comparação entre os resultados de seus governos e os da administração anterior e antecipou algumas das prioridades que pretende apresentar ao eleitorado. Educação, formação profissional, industrialização, segurança pública, soberania e exploração de recursos estratégicos apareceram entre os temas abordados no lançamento.
O Presidente Lula também voltou a defender a PEC da Segurança Pública e afirmou que pretende criar um ministério específico para a área caso a mudança constitucional seja aprovada. Ao tratar do crime organizado, afirmou que seus principais responsáveis precisam ser procurados também entre integrantes das camadas economicamente privilegiadas.
Na Vila Euclides, a campanha abriu a disputa de 2026 combinando a trajetória sindical de Lula com as propostas que pretende apresentar para um quarto mandato. No discurso de Janja, essa recuperação do passado incluiu uma parte menos frequentemente registrada das greves do ABC: a participação das mulheres e, em particular, de Marisa Letícia na vida política e familiar que cercava as mobilizações dos metalúrgicos.






