Presidente do PSD e candidato a vice de Ronaldo Caiado afirma que partidos do bloco já escolheram seu lado na disputa presidencial e aposta que campanha eleitoral aumentará desgaste do candidato do PL
Da Redação
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que os partidos do Centrão estão apoiando a reeleição do Presidente Lula e avaliou que Flávio Bolsonaro (PL) não tem possibilidade de vencer a eleição presidencial. A declaração chama atenção porque Kassab é candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto.
As afirmações foram feitas na quinta-feira (13), durante encontro de Kassab e Caiado com empresários em Higienópolis, na região central de São Paulo. Mais de 200 empresários e políticos participaram do evento, que reuniu representantes de setores como agronegócio, indústria e mineração. As informações foram publicadas originalmente pelo G1 e reproduzidas pelo Brasil 247.
“Não tem a menor chance”
Ao analisar a situação de Flávio Bolsonaro, Kassab foi taxativo sobre as perspectivas eleitorais do candidato do PL. “Não tem a menor chance”, afirmou o dirigente do PSD ao ser questionado sobre uma possível vitória do filho de Jair Bolsonaro.
Kassab considera que Flávio ainda não enfrentou o desgaste que deverá ocorrer quando a campanha começar oficialmente e seus adversários ampliarem a exposição de episódios relacionados à trajetória política do senador e às pessoas próximas a ele.
“Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar”, afirmou Kassab. A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16), quando passam a valer as regras para propaganda dos candidatos.
Centrão estaria com Lula
Kassab também rejeitou a interpretação de que os partidos do Centrão tenham adotado uma posição de neutralidade na eleição presidencial. Segundo ele, as principais legendas desse campo já estão alinhadas ao Presidente Lula, mesmo com candidaturas concorrentes ainda na disputa.
A avaliação ocorre depois de partidos como União Brasil, PP e Republicanos desistirem de apresentar candidaturas próprias à Presidência. As legendas mantêm diferentes composições nos estados, mas setores importantes dessas siglas estabeleceram aproximações com Lula na disputa nacional.
A movimentação expõe uma dificuldade para Flávio Bolsonaro. Apesar de ter herdado a estrutura eleitoral do bolsonarismo e aparecer em segundo lugar nas principais pesquisas, o senador não conseguiu reunir em torno de sua candidatura uma aliança partidária equivalente à construída por Jair Bolsonaro em 2022.
Kassab concorre contra Lula, mas reconhece movimento do Centrão
A declaração possui uma particularidade: Kassab integra uma chapa que pretende disputar diretamente com Lula. O dirigente é candidato a vice de Ronaldo Caiado, governador de Goiás e candidato presidencial do PSD.
Isso significa que, ao afirmar que o Centrão está com Lula, Kassab reconhece uma movimentação política que também limita a capacidade de crescimento da própria candidatura de Caiado. Sua aposta para compensar essa dificuldade está no espaço obtido pelo PSD na propaganda eleitoral.
Com a desistência de outras candidaturas, o tempo de televisão da chapa aumentou significativamente. Segundo Kassab, Caiado passou de aproximadamente 50 segundos para quase dois minutos e 20 segundos no horário eleitoral.
“Caiado tinha 50 segundos, agora tem dois minutos e quase 20 segundos. É uma eternidade, quase uma novela no horário gratuito. Podem ter certeza de que isso vai fazer a diferença”, afirmou.
Flávio segue atrás de Lula nas pesquisas
A avaliação de Kassab ocorre enquanto Flávio permanece em segundo lugar nos principais levantamentos nacionais. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta semana mostrou o Presidente Lula com 42,4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28,7% de Flávio.
No eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 48%, enquanto Flávio registra 39,1%. Outros levantamentos recentes também colocam o Presidente na liderança, embora existam diferenças na distância entre os candidatos dependendo do instituto e da metodologia utilizada.
A Genial/Quaest divulgada em 5 de agosto registrou Lula com 39% e Flávio com 30% no primeiro turno. No segundo, o resultado era de 44% para Lula e 39% para o candidato do PL.
Campanha oficial será teste para Flávio
A previsão feita por Kassab depende agora do comportamento do eleitorado após o início da propaganda eleitoral. Flávio chega à campanha oficial conhecido nacionalmente por ser filho de Jair Bolsonaro, mas com uma trajetória própria que passará a receber maior atenção dos adversários.
Ao mesmo tempo, o PL terá espaço para apresentar o senador diretamente aos eleitores e tentar consolidá-lo como sucessor político do pai. A disputa pela transferência do eleitorado bolsonarista será acompanhada pela tentativa de reduzir sua rejeição entre os eleitores que não se identificam com esse campo político.
Kassab aposta que esse aumento de exposição produzirá o efeito contrário. Para o presidente do PSD, quando a campanha apresentar Flávio e seu entorno a uma parcela maior do eleitorado, o atual segundo colocado nas pesquisas perderá apoio.