Nunes Marques atende pedido do PL e determina remoção de publicações da Secom sobre gestão Lula

Ministro do TSE concede liminar após ação do Partido Liberal, que acusa governo de utilizar comunicação institucional para promoção eleitoral do Presidente Lula

Da Redação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a retirada de publicações produzidas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) após acolher um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL). A decisão ocorre em meio ao início da campanha eleitoral de 2026 e amplia a disputa jurídica em torno dos limites entre comunicação institucional do governo e propaganda eleitoral.

A ação foi apresentada pelo PL, legenda do candidato Flávio Bolsonaro, que sustenta que determinadas peças divulgadas pela Secom extrapolariam o caráter informativo previsto na legislação e teriam como objetivo promover politicamente o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.

Segundo o partido, as publicações destacavam realizações do governo de maneira incompatível com as restrições impostas pela legislação eleitoral durante o período de campanha.

Decisão atende pedido liminar

Ao analisar o caso, Nunes Marques concedeu uma decisão liminar determinando a remoção das publicações questionadas até o julgamento definitivo da representação.

A medida tem caráter provisório e busca evitar que o conteúdo continue circulando enquanto a Justiça Eleitoral examina o mérito da ação.

Caso a decisão não seja cumprida, poderão ser aplicadas as sanções previstas pela legislação eleitoral.

O teor completo da fundamentação deverá servir de referência para outros processos semelhantes que envolvam publicidade institucional durante a campanha.

PL fala em uso da máquina pública

Na representação encaminhada ao TSE, o Partido Liberal afirma que a comunicação institucional do governo passou a enfatizar programas, investimentos e resultados administrativos de forma que beneficiaria eleitoralmente o presidente.

Segundo a legenda, a legislação eleitoral estabelece limites rigorosos para a publicidade oficial durante o período de campanha justamente para impedir o uso da estrutura estatal em favor de candidatos.

O partido argumenta que a permanência desse material nas redes sociais da Secom poderia desequilibrar a disputa eleitoral.

Governo deve recorrer

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Secretaria de Comunicação Social ainda podem recorrer da decisão.

A expectativa é que a defesa sustente que as publicações possuem caráter informativo e fazem parte do dever constitucional do Poder Executivo de prestar contas das políticas públicas implementadas pelo governo federal.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, integrantes do governo avaliam que o aumento da judicialização da campanha deverá levar a um controle ainda mais rigoroso sobre a comunicação institucional nos próximos meses.

Disputa jurídica marca campanha

A decisão de Nunes Marques insere-se em um cenário de crescente judicialização das eleições de 2026.

Desde o início da campanha, partidos têm recorrido com frequência à Justiça Eleitoral para contestar propagandas, publicações em redes sociais, conteúdos produzidos com inteligência artificial e materiais considerados potencialmente irregulares.

Especialistas observam que as plataformas digitais passaram a ocupar posição central na disputa política, fazendo com que decisões judiciais sobre conteúdos publicados tenham impacto imediato sobre a comunicação das campanhas.

Debate sobre publicidade institucional

A legislação brasileira permite que órgãos públicos mantenham comunicação institucional, mas impõe restrições para impedir que a publicidade oficial seja utilizada para promover autoridades ou influenciar o eleitorado durante o processo eleitoral.

A análise costuma considerar elementos como linguagem utilizada, destaque dado às autoridades, período da divulgação e eventual finalidade promocional.

Cada caso é examinado individualmente pela Justiça Eleitoral, que pode determinar a retirada do conteúdo quando identificar possível violação das normas eleitorais.

Campanha deve registrar novos confrontos judiciais

A expectativa é que episódios semelhantes se multipliquem ao longo das próximas semanas.

Com a intensificação da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, a comunicação digital tornou-se um dos principais campos de batalha entre governo e oposição.

Além das ações envolvendo publicidade institucional, o TSE também deverá analisar representações relacionadas a desinformação, uso de inteligência artificial, impulsionamento irregular de conteúdos e propaganda eleitoral antecipada.

A decisão envolvendo as publicações da Secom reforça que a Justiça Eleitoral continuará desempenhando papel central na definição dos limites da comunicação política durante as eleições de 2026.