Atitude Popular

“O tema das eleições de 2026 será a estabilidade e o porto seguro se chama Lula”

Publicitário Oliveiros Marques avalia que Lula articula pessoalmente alianças e candidaturas e aposta que a disputa será decidida pelo contraste entre previsibilidade e risco

Com o calendário eleitoral já em movimento e os partidos reposicionando suas peças no tabuleiro nacional, a eleição presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos. No Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, o publicitário Oliveiros Marques analisou as mudanças no primeiro escalão do governo Lula, o redesenho das alianças estaduais e nacionais e os impactos estratégicos dessas movimentações sobre o próximo ciclo eleitoral.

Ao longo da entrevista, Oliveiros sustentou que o governo não está apenas administrando saídas técnicas de ministros interessados em disputar eleições, mas conduzindo uma operação política planejada, com Lula atuando diretamente na coordenação do processo. Segundo ele, o objetivo central é vencer e vencer bem: garantir a reeleição presidencial, ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e impedir que a direita e a extrema direita conquistem maioria no Senado.

“Está um objetivo muito claro, uma determinação muito firme do presidente Lula de vencer e vencer bem essas eleições.”
“Ganhar bem significa, sobretudo, não permitir uma maioria absoluta da direita e da extrema direita no Senado Federal.”

A dança ministerial como instrumento eleitoral

Na avaliação de Oliveiros, a chamada “dança das cadeiras” no ministério segue uma lógica distinta de outros ciclos eleitorais. Se antes predominavam decisões individuais, agora as movimentações obedecem a uma estratégia centralizada, na qual interesses pessoais são subordinados a critérios eleitorais e de governabilidade.

“Era comum o ministro sair porque queria disputar. Hoje, a saída acontece dentro de uma estratégia, e não por desejo individual.”

Essa lógica aparece, segundo ele, tanto na manutenção de ministros considerados fundamentais para a estabilidade do governo quanto no estímulo para que quadros com alto capital eleitoral disputem governos estaduais ou vagas no Senado, fortalecendo palanques regionais para Lula em 2026.

Ceará e o redesenho das forças locais

O cenário cearense também entrou na análise. Oliveiros evitou tratar especulações como fatos consumados, mas apresentou uma leitura política clara: eventuais tensões tendem a se acomodar à medida que a campanha avança, reduzindo o impacto de candidaturas que hoje parecem infladas pelo barulho inicial.

“Tenho a leitura de que o Ciro chegará em junho do tamanho que ele merece.”

Para ele, o que está em jogo no Ceará não é apenas uma disputa local, mas a manutenção de um arranjo estadual funcional ao projeto nacional do PT e de Lula, evitando conflitos internos que fragilizem o palanque presidencial.

São Paulo, Senado e a engenharia das chapas

O publicitário destacou a complexidade do cenário paulista, onde diferentes combinações de candidaturas ao governo e ao Senado estão em avaliação. Na sua leitura, mais importante do que nomes isolados é a capacidade de montar chapas competitivas, equilibradas e capazes de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.

“O jogo é garantir a melhor performance possível para assegurar a eleição do Lula e ampliar a presença no Senado.”

A construção dessas alianças, segundo ele, envolve ponderar trajetórias políticas, recall eleitoral e capacidade de agregar votos, evitando disputas fratricidas que beneficiem adversários.

Santa Catarina e a crise interna do bolsonarismo

Um dos pontos mais detalhados da conversa foi a análise do cenário em Santa Catarina. Oliveiros descreveu um ambiente de forte conflito interno no campo bolsonarista, marcado por disputas pessoais, traições e fragmentação partidária. Para ele, esse quadro pode abrir uma brecha para forças de centro e centro-esquerda.

“Quando o adversário está errando, o melhor é deixar que ele continue errando.”

A fragmentação do bolsonarismo, nesse caso, pode reduzir a previsibilidade do resultado e criar condições para uma disputa mais equilibrada do que se imaginava inicialmente.

Um Congresso curto e a necessidade de iniciativa política

Ao tratar do início do ano legislativo, Oliveiros avaliou que 2026 será, na prática, um “ano de quatro meses” no Congresso, com a maior parte dos parlamentares focada na própria reeleição. Nesse contexto, ele defendeu que o governo precisa assumir a iniciativa política e pautar temas com apelo direto na vida da população.

“O governo tem mais chance de liderar o debate agora do que em outros momentos.”

Entre os temas citados, o fim da escala 6×1 aparece como uma pauta capaz de gerar amplo apoio social e pressionar o Parlamento, tornando-se um trunfo político relevante no primeiro semestre.

Estabilidade versus risco: o eixo da disputa

Na parte final da entrevista, Oliveiros apresentou sua tese central sobre o mote das eleições de 2026. Para ele, a disputa não será decidida por um único tema específico, mas por um sentimento difuso de comparação entre estabilidade e incerteza.

“A campanha não se organiza apenas em torno de pautas, mas de sentimentos.”
“O eleitor vai comparar como vive hoje com Lula e como vivia antes.”

Segundo o publicitário, questões como emprego, renda, previsibilidade econômica e qualidade de vida tendem a pesar mais do que discursos ideológicos ou guerras culturais. O eleitor decisivo, afirma, não é o militante convicto, mas aquele que teme perder o que conquistou.

“O que estará em jogo é a segurança do futuro.”
“Hoje, para mim, esse porto seguro se chama Lula.”

Leituras recomendadas e memória política

Encerrando a conversa, Oliveiros indicou duas obras para quem deseja compreender melhor os bastidores da comunicação política e da trajetória de Lula. A primeira é Lula lá e outras histórias, de Paulo de Tarso Santos, que reúne memórias da comunicação política desde a campanha de 1989. A segunda é Quatro décadas com Lula: o poder de andar junto, de Clara Ant, relato autobiográfico que atravessa a formação do PT, da CUT e a convivência direta com o presidente.


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