O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25) que a visita do senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teve como objetivo cobrar a liberação do restante dos recursos prometidos para a produção do filme “Dark Horse”, projeto ligado à trajetória política da família Bolsonaro. Segundo Valdemar, não havia qualquer impedimento na relação entre o empresário e o núcleo bolsonarista quando o pedido de apoio financeiro foi feito.
“O Vorcaro não tinha problema nenhum quando ele pediu dinheiro […] Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro”, declarou o dirigente partidário em entrevista à GloboNews.
Ao longo das últimas décadas, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, acumulou episódios em que declarações espontâneas acabaram provocando desgaste político e repercussão nacional. Em diferentes momentos, suas falas revelaram bastidores do poder, negociações partidárias e contradições entre o discurso ideológico da extrema direita e o pragmatismo das articulações políticas em Brasília.
Abaixo estão os episódios mais notórios em que as falas do presidente do PL ganharam contornos de “sincericídio”:
A banalização das minutas de golpe (Janeiro de 2023)
Na entrevista ao jornal O Globo, que você relembrou há pouco, ao tentar defender Anderson Torres após a apreensão da “minuta do golpe”, Valdemar acabou revelando que o questionamento institucional e as propostas para reverter o resultado das eleições de 2022 eram uma prática disseminada no entorno do poder.
“Aquela proposta que tinha na casa do Anderson Torres, todo mundo tinha em casa. Direto vinha gente com propostas assim para mim (…). O que tinha de gente que vinha com papel pronto.”
Os elogios ao Presidente Lula e ao governo de Dilma Rousseff (Janeiro de 2024)
Durante uma entrevista ao jornal O Diário de Mogi, Valdemar fez elogios públicos à condução política do Presidente Lula e à postura da ex-presidenta Dilma Rousseff, gerando forte atrito com a ala bolsonarista do PL, que exige oposição sistemática.
“O Lula não tem comparação com o Bolsonaro. O Lula tem prestígio, o Lula é popular. O Lula é um camarada conhecido no mundo inteiro. (…) A Dilma é uma mulher de bem, ela é corretíssima.”
A revelação sobre a indicação de Alexandre de Moraes (Janeiro de 2024)
Na mesma esteira de declarações que irritaram a base da direita, Valdemar expôs os bastidores da escolha do ministro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF), lembrando que a indicação passou pelo crivo e pela articulação de figuras que hoje criticam o magistrado.
“Quem indicou o Alexandre de Moraes foi o Michel Temer, mas quem levou o Alexandre de Moraes para o Temer foi o Alckmin, e quem aprovou o Alexandre de Moraes no Senado foi o bloco do Bolsonaro. (…) Ninguém imaginava que ele ia ser esse ministro que ele é hoje.”
O financiamento do filme de Bolsonaro por interesse (Maio de 2026)
Ao comentar o vazamento de mensagens e a investigação sobre os aportes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro para a cinebiografia “Dark Horse”, Valdemar descartou qualquer alinhamento ideológico ou comercial no negócio, expondo a lógica pragmática do empresariado com o poder político.
Ele explicou que o aporte milionário ocorreu porque o banqueiro simplesmente “queria estar bem com a família Bolsonaro”, despindo o patrocínio de qualquer verniz cultural ou de convicção política.
Essas declarações ilustram como o pragmatismo da liderança partidária frequentemente colide com as narrativas ideológicas das bases que ele abriga.
“Se não aprovarmos o fim da escala 6×1, Lula ganha a eleição” (Maio de 2026)
O episódio mais recente da série de declarações explosivas de Valdemar Costa Neto ocorreu durante articulações políticas em torno da PEC do fim da escala 6×1. O dirigente do PL admitiu, diante de empresários, que a rejeição da proposta pode fortalecer eleitoralmente o Lula em 2026.
A frase atribuída a Valdemar foi direta: “Se não aprovarmos o fim da escala 6×1, Lula ganha a eleição”. A declaração expõe um reconhecimento estratégico dentro de setores da direita brasileira: a pauta da redução da jornada de trabalho deixou de ser apenas uma reivindicação sindical e passou a operar também como questão de sobrevivência política.
O comentário foi interpretado como mais um “sincericídio” porque rompe a narrativa pública de parte do empresariado e da oposição, que tentam enquadrar a proposta como inviável ou meramente populista. Ao admitir o potencial eleitoral da medida, Valdemar evidencia o temor de que o debate sobre tempo de vida, descanso e condições de trabalho produza forte identificação popular.
A fala também reforça a percepção de que a disputa em torno da escala 6×1 se transformou numa das principais batalhas políticas e simbólicas do país, aproximando temas econômicos do cotidiano concreto da população trabalhadora.



