Atitude Popular

Paises rejeitam Conselho da Paz de Trump e Lula critica iniciativa

Da Redação

Diversos países europeus recusaram convite para o “Conselho da Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o papel central da Organização das Nações Unidas (ONU) e critica a iniciativa por ameaçar o multilateralismo.

Uma série de **países importantes recusou o convite para integrar o novo “Conselho da Paz” lançado pelos Estados Unidos, refletindo uma resposta internacional cautelosa e, em muitos casos, crítica à iniciativa que busca atuar na resolução de conflitos internacionais e, especialmente, na reconstrução da Faixa de Gaza. Diversas nações europeias deixaram claro que **não irão participar ou ainda analisam a proposta diante de divergências sobre sua estrutura e seu impacto no sistema multilateral existente.

Entre os países que já disseram “não” ao convite de Trump estão França, Noruega, Suécia, Espanha e Alemanha, que consideraram o formato proposto problemático ou incompatível com seus princípios constitucionais e com a tradição de cooperação dentro das estruturas da ONU. Essas recusas demonstram preocupações sobre a governança da entidade, a forma como poder centralizado seria exercido e o possível enfraquecimento do papel do organismo internacional tradicional dedicado à segurança e à paz mundial.

A iniciativa foi apresentada no contexto do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde Trump lançou o conselho como um novo organismo voltado inicialmente à promoção da paz e à reconstrução em Gaza, com a promessa de colaborar com outros países em conflitos futuros. Apesar disso, o plano foi recebido com ceticismo por parte de aliados tradicionais, que levantam dúvidas sobre a transparência, a legitimidade jurídica e a compatibilidade com o **mandato universal da ONU — hoje reconhecida como a principal plataforma para negociações de paz no mundo.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também teceu críticas públicas ao projeto. Segundo relatos de seu governo, Lula afirmou que, em vez de apoiar uma iniciativa que pode criar mecanismos paralelos ao sistema multilateral consagrado, os líderes devem reforçar e corrigir as instituições existentes, como a ONU, tornando-as mais representativas e eficazes. Em suas declarações, Lula disse que a proposta de Trump poderia equivaler a uma concentração excessiva de poder em torno de um único país e advertiu que **essa abordagem unilateral colocaria em risco a cooperação internacional e os princípios fundamentais do direito internacional.

Autoridades brasileiras têm dito que o Brasil não tem pressa em responder formalmente ao convite de Trump e tem buscado esclarecimentos técnicos sobre o estatuto do conselho, enquanto continua defendendo reformas multilaterais no sistema da ONU, inclusive para dar mais voz a países em desenvolvimento. Uma das estratégias diplomáticas de Brasília, segundo interlocutores, é aproveitar o debate em torno do conselho de paz para pressionar por mudanças no Conselho de Segurança da ONU e reforçar a necessidade de maior democracia e representatividade nas instituições globais.

Em meio às tensões geopolíticas e à multiplicidade de respostas dos países convidados, a proposta de Trump — que atribui ao presidente americano um papel preponderante na nova entidade e inclui critérios de contribuição monetária para membros permanentes — tem sido vista como um desafio direto ao tradicional papel da ONU, suscitando debates acalorados entre diplomatas, acadêmicos e lideranças políticas sobre o futuro da arquitetura de paz global.

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