Levantamento divulgado nesta terça-feira, a cinco dias do segundo turno, registra diferença de quatro pontos percentuais entre os candidatos, no limite da margem de erro. Pesquisa também revela diferenças importantes entre homens e mulheres, faixas de renda e níveis de rejeição.
Da Redação
A cinco dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 52% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 48%, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada na manhã desta terça-feira (20). A diferença de quatro pontos percentuais coloca os dois candidatos em situação de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos informada pelo instituto. O levantamento também mostra que a distância numérica entre os concorrentes aumentou em relação à medição anterior da própria empresa, embora os resultados não permitam concluir que exista uma diferença estatisticamente consolidada entre as intenções de voto.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores de 16 anos ou mais, por telefone, entre os dias 15 e 19 de outubro, em todas as regiões brasileiras. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02952/2026. As entrevistas foram realizadas durante um período marcado pela intensificação das atividades de campanha, por manifestações políticas em diferentes capitais e pelo primeiro debate presencial entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, realizado no domingo (18), pela TV Bandeirantes.
Na modalidade estimulada, em que o entrevistador apresenta os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro registra 48% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Outros 5% dos participantes declararam intenção de votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% não souberam ou preferiram não responder. Esses percentuais representam os votos totais, diferentemente dos votos válidos, calculados com a exclusão dos votos brancos e nulos e das respostas sem definição.
A distinção é importante porque os resultados expressam universos diferentes. Os percentuais de 52% e 48% representam a distribuição proporcional das preferências entre os entrevistados que escolheram um dos dois candidatos, depois dos ajustes e arredondamentos utilizados pelo instituto. Já os percentuais de 48% e 45% incluem, no conjunto da amostra, as pessoas que declararam outras respostas.
No levantamento anterior da Real Time Big Data, realizado em 1º de outubro, Flávio Bolsonaro havia registrado 46% das intenções estimuladas, enquanto Lula aparecia com 45%. Na medição atual, o senador alcança 48%, e o presidente permanece com 45%. A diferença nominal entre os dois passou, portanto, de um para três pontos percentuais nessa modalidade.
O crescimento registrado para Flávio corresponde a uma variação de dois pontos entre as pesquisas, mas não pode ser interpretado automaticamente como uma mudança estatisticamente comprovada. Levantamentos eleitorais estão sujeitos à variabilidade amostral, e oscilações pequenas precisam ser examinadas considerando a metodologia, a margem de erro e a realização das entrevistas em momentos diferentes.
A pesquisa espontânea, na qual os entrevistados mencionam seus candidatos sem receber previamente uma lista de nomes, também apresenta percentuais próximos. Flávio Bolsonaro registra 47%, enquanto Lula soma 44%. Outros 5% declararam voto branco ou nulo, e 4% não souberam responder.
A semelhança entre as diferenças numéricas encontradas nas perguntas estimulada e espontânea é um dos elementos do retrato eleitoral apresentado pelo instituto. Ainda assim, as duas modalidades medem formas distintas de manifestação da preferência política e não devem ser utilizadas isoladamente para antecipar o comportamento dos eleitores no domingo.
Diferenças entre homens, mulheres e faixas de renda
Os resultados por grupos sociodemográficos mostram que as intenções de voto não se distribuem de maneira uniforme no eleitorado.
Entre os homens entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 52%, enquanto Lula registra 41%. A diferença nominal é de 11 pontos percentuais. Entre as mulheres, a distribuição se inverte: o presidente soma 49% das intenções de voto, contra 45% do senador, uma distância de quatro pontos.
A pesquisa identifica, portanto, comportamentos distintos entre os dois grupos. Entretanto, os resultados segmentados precisam ser interpretados com cautela, porque a margem de erro informada para a amostra nacional não corresponde necessariamente à precisão estatística de cada recorte.
O tamanho das subamostras de homens e mulheres, bem como a distribuição das entrevistas, influencia a incerteza desses percentuais. Por essa razão, diferenças relativamente pequenas entre segmentos não devem ser apresentadas automaticamente como vantagens estatisticamente confirmadas.
A renda dos entrevistados também aparece associada a variações importantes nas preferências declaradas.
Entre pessoas que recebem até dois salários mínimos, Lula registra 54% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 39%. Nesse grupo, a diferença nominal é de 15 pontos percentuais.
Na faixa de renda superior a cinco salários mínimos, o quadro é diferente. Flávio soma 61%, contra 33% de Lula, uma distância de 28 pontos percentuais.
Os números mostram contrastes relevantes entre os segmentos de renda analisados. Não demonstram, entretanto, que a condição econômica seja a única responsável pelas escolhas políticas.
A preferência eleitoral pode estar relacionada a múltiplos fatores, incluindo avaliação do governo, expectativas econômicas, identificação partidária, valores políticos e experiências individuais. Para estabelecer o peso específico de cada elemento, seriam necessários levantamentos destinados a examinar as motivações dos entrevistados.
A distribuição por renda também não pode ser confundida com a composição total das bases eleitorais. Um percentual elevado de apoio dentro de determinada faixa não significa necessariamente que esse grupo represente a maior parcela dos eleitores de uma candidatura, porque os segmentos possuem tamanhos diferentes na população.
Essas distinções são fundamentais para interpretar corretamente pesquisas que apresentam resultados por características socioeconômicas.
Rejeição e definição do voto entram na reta final
A Real Time Big Data também avaliou a rejeição aos dois candidatos.
Segundo o instituto, 35% dos entrevistados afirmaram rejeitar Lula, enquanto 33% manifestaram rejeição a Flávio Bolsonaro. Outros 28% disseram rejeitar ambos, e 4% declararam não rejeitar nenhum dos concorrentes.
O indicador exige atenção à forma de apresentação dos dados. Os percentuais divulgados correspondem às categorias de resposta informadas pelo levantamento, incluindo uma opção específica para rejeição simultânea aos dois candidatos.
Não devem, portanto, ser comparados automaticamente a levantamentos de outros institutos que utilizam perguntas diferentes ou permitem ao entrevistado mencionar mais de uma candidatura rejeitada.
Na pesquisa atual, a diferença nominal entre as rejeições individuais de Lula e Flávio é de dois pontos percentuais, dentro da margem de erro nacional informada.
O percentual de 28% de entrevistados que rejeitam os dois candidatos também chama atenção para a existência de um grupo que manifesta resistência às duas opções disponíveis no segundo turno. Essa rejeição simultânea não significa necessariamente que todos esses eleitores deixarão de votar ou escolherão branco ou nulo.
Uma pessoa pode declarar rejeição aos dois concorrentes e, ainda assim, decidir votar em um deles. Para identificar com maior precisão esse comportamento, seriam necessárias perguntas adicionais sobre a escolha eleitoral e a intensidade da rejeição.
O levantamento também perguntou aos entrevistados se já decidiram em quem votar.
Segundo os resultados, 93% afirmaram ter uma escolha definida para a eleição presidencial. Entre os eleitores que declararam preferência por Flávio Bolsonaro, 94% disseram que não mudariam de candidato de maneira alguma. Entre os apoiadores de Lula, o percentual foi de 90%.
Os números indicam elevado grau de convicção declarada entre os participantes da pesquisa.
Essa manifestação, contudo, não garante que todas as pessoas manterão a decisão até domingo. O comportamento eleitoral depende também de fatores como comparecimento às urnas, acontecimentos ocorridos depois das entrevistas e circunstâncias individuais no dia da votação.
A declaração de voto consolidado é uma informação sobre a disposição manifestada no momento da pesquisa, não uma garantia de comportamento futuro.
A Real Time Big Data também não permite estabelecer, apenas com esses resultados, quais acontecimentos da campanha foram responsáveis pela formação ou manutenção das preferências.
As entrevistas ocorreram entre 15 e 19 de outubro, período que incluiu a sabatina de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional, manifestações públicas em diferentes cidades e o debate presidencial da Band.
Parte dos entrevistados pode ter respondido antes desses acontecimentos, enquanto outros foram ouvidos depois. Sem a divulgação de resultados organizados por dia de entrevista e de informações sobre a exposição dos participantes aos eventos, não é possível atribuir a variação numérica observada a um episódio específico.
Pesquisas diferentes apresentam retratos próximos, mas não idênticos
O resultado divulgado nesta terça-feira pode ser comparado, com as ressalvas metodológicas necessárias, ao levantamento BTG/Nexus publicado na segunda-feira (19).
Na pesquisa encomendada pelo BTG Pactual, Flávio Bolsonaro registrou 50,3% dos votos válidos, enquanto Lula apareceu com 49,7%. A diferença nominal foi de 0,6 ponto percentual, também dentro da margem de erro de dois pontos.
A Nexus ouviu 2.002 eleitores por telefone entre os dias 16 e 18 de outubro, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-04499/2026.
Embora ambas tenham utilizado entrevistas telefônicas e trabalhado com amostras próximas de 2 mil pessoas, os períodos de coleta, os procedimentos de seleção dos entrevistados e os métodos de ponderação podem produzir diferenças entre os resultados.
Por isso, os 52% registrados por Flávio na Real Time Big Data e os 50,3% encontrados pela Nexus não devem ser interpretados como uma mudança de 1,7 ponto percentual entre segunda e terça-feira.
São pesquisas realizadas por institutos diferentes, com amostras independentes e períodos parcialmente coincidentes.
A comparação permite observar que ambos os levantamentos encontraram percentuais próximos para os dois candidatos e diferenças situadas dentro das respectivas margens de erro.
Outras pesquisas divulgadas recentemente, como as realizadas por Datafolha, PoderData e AtlasIntel, também apresentaram resultados relativamente próximos, embora com diferenças de metodologia, amostragem e datas de realização.
A existência de números variados entre institutos não significa, por si só, que algum levantamento esteja incorreto. Pesquisas são estimativas produzidas a partir de amostras e estão sujeitas tanto à incerteza estatística quanto a possíveis efeitos associados aos procedimentos de coleta.
Uma análise mais ampla exige verificar os questionários, as ponderações, os perfis dos entrevistados e o histórico das medições realizadas por cada instituto.
É especialmente importante evitar a interpretação de que uma pesquisa divulgada mais recentemente representa necessariamente uma medição posterior de todas as preferências eleitorais.
No caso da Real Time Big Data, os dados foram coletados entre quinta-feira e segunda-feira. Já a pesquisa BTG/Nexus foi realizada de sexta-feira a domingo. As duas, portanto, possuem períodos de entrevistas que se sobrepõem.
Os resultados apresentam fotografias estatísticas parcialmente contemporâneas do eleitorado, não etapas sucessivas de uma contagem de votos.
Também é necessário distinguir as margens de erro utilizadas para as intenções de voto das incertezas envolvidas na comparação entre candidatos.
A margem de dois pontos percentuais divulgada pelo instituto indica a variação amostral estimada para os percentuais, sob as hipóteses do método utilizado. A avaliação estatística de uma diferença entre duas candidaturas pode exigir considerar a relação entre as estimativas.
Na interpretação publicada pelo próprio Brasil 247, o resultado configura empate técnico no limite da margem de erro.
A expressão resume uma situação na qual o levantamento não oferece base suficiente para estabelecer uma diferença estatisticamente segura entre os candidatos.
Votação acontece no domingo, 25 de outubro
A pesquisa foi divulgada na última semana de campanha, quando os dois candidatos concentram suas agendas em compromissos públicos, entrevistas e debates.
Lula e Flávio Bolsonaro participaram no domingo (18) do primeiro debate do segundo turno, realizado pela TV Bandeirantes, com discussões sobre economia, corrupção, segurança pública e relações internacionais.
O encontro incluiu momentos de confronto sobre investigações envolvendo familiares e relações empresariais.
Na segunda-feira (19), Lula anunciou que pretende entregar ao Tribunal Superior Eleitoral uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário e telefônico e propôs que Flávio Bolsonaro adote uma medida semelhante. A discussão passou a integrar a agenda política dos candidatos, mas não constitui elemento que possa ser diretamente relacionado aos resultados da Real Time Big Data sem dados adicionais.
A campanha também tem sido marcada por divergências sobre o Bolsa Família, políticas trabalhistas, financiamento de programas sociais e medidas econômicas previstas para o próximo governo.
O debate público sobre essas propostas ocorre simultaneamente à divulgação das pesquisas, mas as intenções de voto não permitem determinar automaticamente quais temas influenciam cada parcela do eleitorado.
No levantamento desta terça-feira, a principal informação é a diferença de quatro pontos percentuais nos votos válidos, com Flávio Bolsonaro registrando 52% e Lula, 48%.
Nos votos totais, os dois aparecem com 48% e 45%, respectivamente. Na pesquisa espontânea, os percentuais são de 47% e 44%.
Esses três indicadores apresentam diferenças numéricas semelhantes, mas todos descrevem respostas obtidas em uma amostra de eleitores, e não votos efetivamente depositados nas urnas.
O resultado também mostra que 93% dos entrevistados afirmam já ter decidido sua escolha, enquanto os recortes por sexo e renda revelam distribuições distintas de preferência.
A rejeição individual registrada é de 35% para Lula e 33% para Flávio, com parcela adicional dos entrevistados declarando rejeitar ambos os candidatos.
O conjunto de informações oferece um retrato da eleição na semana final da campanha, sem permitir antecipar com segurança o resultado.
Até domingo, novos acontecimentos, compromissos públicos e eventuais pesquisas poderão acrescentar informações sobre as preferências declaradas pelos eleitores.
A escolha efetiva da Presidência da República será determinada pela votação de 25 de outubro e pela apuração oficial realizada pela Justiça Eleitoral.






