Da Redação
Sob ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal realiza busca e apreensão na 13ª Vara de Curitiba para recuperar documentos e mídias que fariam parte de delações e gravações apontadas como provas contra ex-juiz e procuradores — episódio que reacende debate sobre os rumos da Lava Jato.
A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira uma operação de busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, antiga sede dos processos da operação Lava Jato. A ação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal após depoimentos indicarem a existência de uma “caixa amarela” contendo gravações clandestinas, documentos, mídias e possíveis provas de irregularidades cometidas à época por agentes públicos envolvidos na força-tarefa.
Segundo relatos prestados à PF, a “caixa amarela” reuniria gravações ambientais feitas por um colaborador que atuou por anos na estrutura da Vara. Essas gravações teriam sido produzidas fora de protocolos legais, com suposto conhecimento de autoridades da época, e envolveriam conversas com políticos, empresários, operadores financeiros e figuras estratégicas do Judiciário. A delação afirma que parte desse material teria sido usada de forma seletiva para pressionar alvos e influenciar decisões judiciais.
A operação busca localizar não apenas essa caixa, mas também documentos classificados como sigilosos e que, segundo os depoimentos, teriam sido armazenados irregularmente dentro da própria Vara, mesmo depois de solicitações de entrega por instâncias superiores. As ordens anteriores teriam sido ignoradas, gerando um impasse jurídico que agora motivou a intervenção da Polícia Federal.
A investigação resgata um dos capítulos mais sensíveis da história recente da Justiça brasileira. A Lava Jato, que durante anos ocupou o centro do debate político, agora tem seus métodos revisitados por autoridades federais. As denúncias mencionam práticas como conduções paralelas, coleta de provas sem autorização judicial adequada, uso de agentes infiltrados sem base legal e destruição ou ocultação de documentos.
A operação em Curitiba reacende tensões em diversos setores. Ex-integrantes da Lava Jato negam todas as acusações e afirmam que o material mencionado “não existe” ou seria fruto de invenções de delatores interessados em benefícios judiciais. Já advogados e especialistas que acompanham o caso afirmam que a diligência da PF indica que os indícios são considerados robustos o suficiente pelo STF para justificar a busca.
A chamada “caixa amarela”, cuja existência é debatida há anos nos bastidores jurídicos, tornou-se peça simbólica: se encontrada, poderá reabrir investigações sobre eventuais abusos cometidos por procuradores, juízes e agentes do Estado. Caso não seja localizada, pode reforçar suspeitas de que houve destruição ou ocultação deliberada de evidências envolvendo personalidades de alto escalão.
Independentemente do resultado, a operação representa uma virada histórica. Após uma década de protagonismo da Lava Jato, a própria estrutura que antes comandava algumas das investigações mais poderosas do país agora se vê sob escrutínio. Para analistas políticos e jurídicos, o movimento aponta para um processo de revisão profunda do período — com potencial para afetar decisões passadas, narrativas consolidadas e, possivelmente, responsabilidades políticas e institucionais.






