Atitude Popular

PF investiga possível financiamento de Eduardo Bolsonaro por Vorcaro nos EUA

Da Redação

Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro chegaram a estruturas associadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos por meio de fundo sediado no Texas.

A Polícia Federal ampliou o alcance internacional das investigações relacionadas ao escândalo do Banco Master e passou a apurar se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro chegaram a estruturas associadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pela coluna Amado Mundo, de Guilherme Amado, e repercutidas pelo Brasil 247, investigadores analisam movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao banqueiro e um fundo sediado no Texas conectado ao entorno do ex-deputado federal.

De acordo com a reportagem, parte dos recursos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações, do empresário Antonio Carlos Freixo, parceiro comercial de Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, fundo localizado no Texas. O ponto central da investigação seria justamente a relação desse fundo com o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, pertencente ao advogado Paulo Calixto, ligado à defesa de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A suspeita ganhou força após as revelações divulgadas pelo The Intercept Brasil envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel. Segundo os documentos e mensagens obtidos pela reportagem, parte dos recursos destinados ao longa teria circulado justamente por estruturas financeiras localizadas nos Estados Unidos e conectadas ao entorno político da família Bolsonaro.

As investigações agora tentam esclarecer se os recursos enviados ao exterior ficaram restritos ao financiamento do filme ou se também teriam servido para sustentar atividades políticas, estruturas de comunicação e despesas ligadas à permanência de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.

Nos primeiros meses vivendo nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro afirmava publicamente que se mantinha financeiramente com recursos enviados pelo próprio pai, Jair Bolsonaro. Posteriormente, após perder o mandato parlamentar, passou a evitar responder detalhadamente sobre a origem dos recursos utilizados durante sua permanência no país. Segundo a coluna Amado Mundo, em uma das entrevistas em que foi questionado sobre o tema, Eduardo acabou interrompido por Paulo Figueiredo e não respondeu diretamente sobre o financiamento.

Após a repercussão das denúncias, Eduardo Bolsonaro afirmou que não haveria qualquer irregularidade nas operações financeiras mencionadas e declarou que sua família não conhecia Daniel Vorcaro quando ocorreu o pedido de recursos em 2025. A versão, porém, vem sendo contestada por adversários políticos e por parte da imprensa, que lembram que reportagens sobre a atuação financeira de Vorcaro já circulavam amplamente muito antes da explosão do escândalo.

A nova frente investigativa aprofunda ainda mais a crise política envolvendo a família Bolsonaro e o Banco Master.

Daniel Vorcaro tornou-se um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação apura suspeitas de fraude bancária, lavagem de dinheiro, corrupção, espionagem ilegal, ocultação patrimonial e organização criminosa. Segundo estimativas citadas nas investigações, o rombo potencial envolvendo o grupo poderia ultrapassar R$ 12 bilhões.

Nos últimos dias, a operação avançou sobre diferentes núcleos ligados ao banqueiro. A PF identificou inclusive um suposto esquema interno de vazamento de informações sigilosas para beneficiar interesses de Vorcaro. Segundo a investigação, uma delegada federal e o marido atuariam como espécie de “espiões” dentro da corporação para repassar dados reservados ao grupo do banqueiro.

Ao mesmo tempo, novas reportagens passaram a conectar diretamente integrantes da família Bolsonaro ao empresário.

Mensagens, áudios e comprovantes bancários divulgados pelo The Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro o financiamento milionário do filme Dark Horse. Segundo a investigação jornalística, ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido enviados para estruturas financeiras associadas ao projeto cinematográfico e ao entorno político da família Bolsonaro nos Estados Unidos.

O caso provocou enorme repercussão política em Brasília.

O deputado Lindbergh Farias afirmou que solicitará formalmente investigação da Polícia Federal sobre a possibilidade de recursos ligados ao filme terem financiado “ações políticas” de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo ele, as transferências podem ter servido não apenas à produção audiovisual, mas também a estruturas de articulação política internacional do bolsonarismo.

A discussão ganhou dimensão ainda mais delicada porque Eduardo Bolsonaro passou os últimos anos atuando politicamente nos Estados Unidos em articulações ligadas à extrema-direita internacional e ao trumpismo. Durante sua permanência no país, Eduardo manteve relações próximas com aliados de Donald Trump, Steve Bannon e setores da direita radical norte-americana.

Segundo reportagens e investigações anteriores, Eduardo participou de articulações internacionais defendendo sanções contra autoridades brasileiras e pressionando instituições nacionais em meio às crises políticas envolvendo Jair Bolsonaro. A atuação gerou enorme tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos ao longo de 2025.

Agora, a possibilidade de recursos ligados ao escândalo do Banco Master terem circulado por estruturas associadas ao entorno de Eduardo Bolsonaro amplia ainda mais a gravidade política do caso.

Nos bastidores do governo Lula e do Congresso Nacional, cresce a avaliação de que as investigações podem atingir diretamente o núcleo internacional de articulação política do bolsonarismo. A PF tenta mapear não apenas movimentações financeiras específicas, mas também possíveis conexões entre financiamento político, comunicação digital e redes internacionais ligadas à extrema-direita contemporânea.

O episódio também aprofunda o ambiente de radicalização e conflito político que já começa a marcar antecipadamente a disputa presidencial de 2026.

Enquanto aliados de Lula utilizam o caso para associar o bolsonarismo a escândalos financeiros e articulações internacionais suspeitas, integrantes da extrema-direita tentam apresentar as investigações como perseguição política e judicial contra a família Bolsonaro.

Mas o avanço das investigações da Polícia Federal indica que o caso ainda pode produzir novos desdobramentos envolvendo recursos internacionais, estruturas financeiras no exterior e o núcleo político ligado ao bolsonarismo nos Estados Unidos.