Por Waldenir Britto
Diretor de Formação Política da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste do Brasil
O Governo Federal precisa olhar para o Nordeste com um olhar voltado para o presente, buscando construir um futuro de desenvolvimento. O país não se desenvolverá verdadeiramente se não desenvolver o Nordeste. Para isso, é necessário que o Brasil volte a planejar a longo prazo, buscando alternativas que possam impactar positivamente todos os espaços e compreendendo que cada território e cada região têm características, potencialidades e especificidades que devem ser observadas e respeitadas, dentro de uma política que pense o país como uma nação heterogênea, mas com riquezas e capacidades únicas. Voltar a planejar a longo prazo. Este é o desafio.
Para isso, é necessário contar com instituições que conheçam cada região, mas que pensem e planejem dentro de um projeto nacional. Nesse sentido, é fundamental contar com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O BNB atende todos os estados do Nordeste, além da região semiárida do norte de Minas Gerais e do norte do Espírito Santo. Conta com apenas 297 agências para atender mais de 2 mil municípios em sua área de atuação, que abrange mais de 1,75 milhão de km².
Se o Banco aplicou, em 2025, mais de R$ 68 bilhões, principalmente em créditos prioritários destinados a mini e pequenos negócios, tanto rurais quanto urbanos, quanto poderia aplicar se tivesse mais unidades, mais funcionários e sistemas internos mais modernos? E se estivesse presente em pelo menos metade dos municípios de sua área de atuação? E se não estivesse limitado a um quadro de aproximadamente 7 mil funcionários? Quais são os impedimentos para ampliar e fortalecer o BNB e, assim, contribuir ainda mais para o desenvolvimento do Nordeste?
É necessário que as forças sociais, políticas e econômicas comprometidas com um país forte e um Nordeste desenvolvido se unam em defesa da Região e do BNB. Imaginem o que o Banco poderia fazer se tivesse uma agência instalada em pelo menos metade dos municípios nordestinos.
O BNB tem um papel histórico no desenvolvimento do Nordeste, pois foi criado para essa finalidade há 74 anos. Infelizmente, políticas equivocadas tentaram enfraquecê-lo em governos anteriores. É necessário recuperar o tempo perdido.
O BNB sempre apresentou respostas importantes para o país, com resultados altamente positivos. Mas, para além dos lucros contábeis crescentes que vem apresentando, o papel de um banco de desenvolvimento regional não deve ser medido apenas por esse tipo de resultado. É preciso avaliar o impacto econômico e social do crédito bem direcionado, financiando a produção em áreas estratégicas para o país, integradas a um plano nacional de desenvolvimento, e fazendo o crédito chegar à ponta, junto ao produtor, de forma mais rápida e adequada.
Para isso, é preciso fazer mais. É preciso fortalecer o BNB, torná-lo maior, com mais agências e mais funcionários, requalificar e fortalecer seu Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE) e ampliar seu quadro técnico-funcional. Também é necessário voltar a fortalecer internamente seus funcionários como agentes do desenvolvimento regional, em que as metas sejam medidas por parâmetros desenvolvimentistas, e não apenas financeiros.
É preciso colocar, de fato, o BNB ainda mais próximo de quem produz, em todos os rincões nordestinos e em toda a sua área de atuação, cumprindo sua vocação original. O BNB pode fazer mais e deve fazer mais. O Brasil e o Nordeste precisam de um BNB forte e atuante. Precisam do seu banco de desenvolvimento.






