Trabalhador participou de protesto durante entrevista do candidato à Presidência à TV Globo; moradores contestam a abordagem e o Ministério Público Eleitoral abriu procedimento para apurar o caso
Da Redação
Um porteiro foi detido pela Polícia Militar na noite de sexta-feira (16), em Maceió (AL), após participar de um panelaço contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O trabalhador, identificado como Edmilson, estava de serviço em um edifício no bairro de Ponta Verde e se juntou à manifestação enquanto o candidato concedia entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. A polícia também levou a panela utilizada no protesto.
O caso aconteceu em meio a manifestações registradas em diferentes cidades durante a entrevista de Flávio. A mobilização foi incentivada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que convocou apoiadores do Presidente Lula a bater panelas como forma de protesto.
Segundo o relato do morador Felipe Verlaine ao UOL, o porteiro se juntou ao ato depois de vê-lo com uma bandeira de Lula. Durante a manifestação, um motorista teria passado pelo local, feito gestos obscenos, xingado e ameaçado os participantes. De acordo com o relato, o homem chegou a descer do carro e chamar os manifestantes para uma briga. Em seguida, acionou a polícia.
Os policiais entraram no condomínio e deram voz de prisão ao porteiro. A justificativa inicial teria sido desacato, sob alegação de que o trabalhador demorou a abrir o portão para a equipe. Na delegacia, porém, a ocorrência foi registrada como perturbação do sossego.
O porteiro foi levado à Central de Flagrantes e liberado depois de prestar esclarecimentos. A panela permaneceu apreendida, segundo as informações divulgadas pelo UOL.
Ministério Público Eleitoral vai apurar a ocorrência
O Ministério Público Eleitoral informou que abriu procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da detenção. Entre as primeiras medidas anunciadas está a solicitação de informações oficiais às polícias Militar e Civil sobre os motivos da abordagem, as condições da prisão e os fundamentos legais apresentados pelos agentes.
A atuação policial também provocou questionamentos sobre a liberdade de manifestação política e a diferença de tratamento entre os participantes do protesto. Moradores acompanharam o trabalhador até a delegacia em solidariedade.
O episódio ocorreu a pouco mais de uma semana do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. A detenção de um trabalhador por sua participação em um protesto político, somada à apreensão do objeto usado na manifestação, colocou a atuação da polícia sob escrutínio público e institucional.
A apuração do Ministério Público deverá esclarecer as circunstâncias da ocorrência e avaliar a legalidade dos procedimentos adotados.






