Da Redação
Nova pesquisa Genial/Quaest aponta que programas sociais e medidas econômicas do governo Lula começam a produzir impacto positivo na percepção popular, especialmente entre eleitores de baixa renda e independentes.
Os programas sociais e econômicos do governo Luiz Inácio Lula da Silva voltaram a produzir efeitos políticos positivos junto à população brasileira e passaram a impulsionar uma recuperação gradual da popularidade presidencial. É o que aponta a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira, indicando melhora da percepção popular sobre ações do governo voltadas ao endividamento, crédito e proteção social.
O principal destaque do levantamento é o impacto político do novo Desenrola 2.0, programa federal voltado à renegociação de dívidas das famílias brasileiras. Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados consideram o programa uma boa iniciativa porque ajuda pessoas endividadas a sair do vermelho. Apenas 23% afirmaram que a medida é negativa por estimular novo endividamento.
Os números mostram uma mudança importante no ambiente político nacional. Após meses marcados por desgaste na aprovação do governo, o Planalto volta a conseguir associar sua imagem a temas diretamente ligados ao cotidiano econômico da população, especialmente custo de vida, crédito, renda e sobrevivência financeira das famílias.
O levantamento revela ainda que 38% dos entrevistados acreditam que o Desenrola 2.0 ajudará muito os brasileiros a saírem das dívidas, enquanto outros 27% afirmam que ajudará parcialmente. Apenas 33% disseram não enxergar impacto relevante do programa.
A percepção positiva aparece com ainda mais força entre os setores populares e eleitores sem alinhamento ideológico rígido. Entre os eleitores lulistas, o apoio ao programa chega a 75%. Já entre os chamados independentes, a aprovação também supera com ampla margem a rejeição.
O resultado possui enorme importância política porque revela justamente o grupo social que o governo tenta reconquistar desde o início de 2026: eleitores pressionados pelo endividamento, inflação acumulada dos últimos anos e deterioração das condições econômicas durante o ciclo pós-pandemia.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, existe avaliação de que a disputa eleitoral de 2026 dependerá menos de debates ideológicos abstratos e mais da percepção concreta da população sobre melhora das condições de vida.
Por isso, programas sociais voltaram ao centro da estratégia do governo.
Além do Desenrola 2.0, o governo Lula vem ampliando ações ligadas ao Bolsa Família, crédito popular, valorização do salário mínimo, renegociação de dívidas e expansão de investimentos públicos. O objetivo é reconstruir gradualmente uma percepção de proteção social associada historicamente ao lulismo desde os anos 2000.
A própria Quaest mostra que os beneficiários de programas sociais continuam sendo uma das principais bases políticas de sustentação do presidente. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula mantém índices significativamente superiores de aprovação e intenção de voto.
Outro dado importante da pesquisa envolve o apoio massivo à proposta de restringir apostas online para participantes do Desenrola 2.0. Segundo o levantamento, 79% dos brasileiros defendem algum tipo de limitação temporária às apostas para quem aderir ao programa de renegociação de dívidas.
O dado revela uma percepção social crescente sobre os impactos econômicos das plataformas de apostas online no endividamento das famílias brasileiras. O tema se transformou em um dos principais debates sociais e econômicos do país nos últimos meses, especialmente após o crescimento explosivo do mercado de apostas digitais.
Segundo a pesquisa, até mesmo entre eleitores bolsonaristas existe apoio significativo à restrição temporária das apostas para beneficiários do programa. Entre esse grupo, 68% defendem algum tipo de limitação.
A melhora política observada pela Quaest também dialoga diretamente com outros indicadores econômicos recentes.
Dados divulgados pelo IBGE mostram crescimento da renda média em todos os estados brasileiros em 2025. O desemprego voltou a cair, enquanto o agronegócio atingiu recorde histórico de ocupação. O governo também ampliou investimentos públicos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.
Nos últimos meses, Lula passou a reforçar fortemente a narrativa de reconstrução econômica e proteção social após os anos de crise política, pandemia e instabilidade econômica.
Essa estratégia parece começar a produzir efeitos.
Pesquisas recentes indicam recuperação parcial da aprovação presidencial, melhora da percepção econômica e fortalecimento de Lula entre eleitores de baixa renda e segmentos independentes.
Ao mesmo tempo, o governo tenta evitar que a extrema-direita monopolize novamente a disputa digital e narrativa como ocorreu em 2018 e 2022. O PT já articula uma grande campanha nacional de mobilização popular para os próximos meses, combinando presença territorial, comunicação digital e divulgação de programas federais.
A avaliação predominante dentro do Planalto é que programas sociais continuam sendo um dos principais instrumentos de conexão concreta entre o governo e a população trabalhadora.
O cenário, porém, ainda permanece extremamente polarizado.
Mesmo com sinais de recuperação, Lula segue enfrentando rejeição elevada em setores conservadores, no eleitorado de alta renda e entre grupos fortemente influenciados pela extrema-direita digital. Ao mesmo tempo, o bolsonarismo continua mantendo forte capacidade de mobilização nas redes sociais e presença consolidada em parte do Congresso Nacional.
Mas a nova Quaest sugere que o governo conseguiu interromper parcialmente o ciclo de desgaste observado nos primeiros meses do ano.
O levantamento reforça uma percepção estratégica importante para o lulismo: quando o governo consegue associar sua imagem a melhora econômica concreta, programas sociais e redução da pressão financeira sobre as famílias, Lula recupera capacidade de diálogo com setores populares e parte do eleitorado independente.
Em um país ainda marcado por desigualdade, endividamento elevado e insegurança econômica, a disputa sobre proteção social voltou a ocupar o centro da política brasileira. E os números da Quaest indicam que essa pauta começa novamente a produzir dividendos políticos para o governo federal.











