Da Redação
Nos Estados Unidos, uma onda de protestos contra a agência federal de imigração ICE se expandiu por dezenas de cidades após duas pessoas morrerem em confrontos com agentes em Minneapolis, levando manifestantes a pedir o fim de operações federais e colocando pressão sobre o presidente Donald Trump para reduzir a presença de agentes.
Milhares de manifestantes tomaram as ruas em várias cidades dos Estados Unidos em protesto contra as ações da U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão federal encarregado da fiscalização migratória, após a morte de duas pessoas em operações em Minneapolis, estado de Minnesota. As mobilizações, que começaram na cidade onde ocorreram os disparos, rapidamente se espalharam para centros urbanos como Nova York, Los Angeles, Chicago, San Francisco e Washington, D.C., reunindo estudantes, trabalhadores, ativistas de direitos civis e moradores contrários às políticas de imigração do governo Trump.
O ponto de partida dos protestos foi o tiro fatal contra Alex Pretti, um enfermeiro e cidadão norte-americano, por agentes federais durante uma operação em Minneapolis, que se soma à morte de Renée Good, outra residente local, em um episódio anterior de enforcement imigratório; ambos os casos desencadearam ampla indignação pública e debates sobre o uso de força por parte de agentes federais.
Em resposta, organizadores convocaram um “National Shutdown” (paralisação nacional) que incluiu manifestações planejadas em pelo menos 250 localidades de 46 estados, com slogans como “No work, no school, no shopping” (sem trabalho, sem escola, sem compras), incentivando greves estudantis, saídas em massa de salas de aula, fechamento voluntário de empresas e marchas em frente a prédios públicos em protesto contra o financiamento e a atuação do ICE.
A ampla mobilização incluiu, em algumas regiões, atuação de organizações comunitárias e redes de apoio a imigrantes que se organizaram para proteger moradores de operações da ICE e denunciar táticas que consideram agressivas ou intimidatórias, como abordagens em bairros residenciais, uso de força pesada e detenções amplas sem transparência.
Autoridades estaduais em Minnesota, incluindo o governador Tim Walz, exigiram que agentes federais deixem o estado, criticando a presença de milhares de agentes enviados sob a chamada Operação Metro Surge, que havia ampliado drasticamente ações de fiscalização e deportação desde dezembro de 2025.
A pressão pública e a dispersão dos protestos estão levando a sinais de mudança na estratégia do governo federal. Representantes da Casa Branca reconhecem a necessidade de ajustar as operações, reduzindo a atuação ostensiva nas ruas e concentrando esforços em prisões e detenção de pessoas com antecedentes criminais, tentando responder às críticas de “excesso de uso de força” e de confrontos com civis.
Os protestos também ganharam apoio de personagens públicos e movimentos sociais que veem as táticas de imigração como uma expressão de repressão e que defendem reformas profundas nas políticas federais. Alguns manifestantes pedem a abolição do ICE ou a interrupção imediata das operações migratórias em curso, além de responsabilização pelos casos de violência.
Apesar das pressões, o governo Trump tem mantido uma postura de defesa de sua política migratória, embora sob forte escrutínio da opinião pública. O episódio aumentou tensões nas discussões nacionais sobre imigração, uso de força por agentes federais e respeito aos direitos civis, além de ampliar a polarização política em um período pré-eleitoral.


