Campanha de Lula afirma ter recebido mais de 2.500 relatos de problemas nas redes sociais em três dias, cobra providências do TSE e aponta falhas no Instagram e no WhatsApp que, segundo o partido, prejudicariam a candidatura à reeleição
A campanha do Presidente Lula anunciou uma nova ofensiva contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, por suspeitas de interferência no processo eleitoral brasileiro. Em coletiva de imprensa, representantes do Partido dos Trabalhadores (PT) afirmaram que problemas técnicos e diferenças no funcionamento das plataformas estariam prejudicando a divulgação de conteúdos da candidatura petista no segundo turno das eleições de 2026. O partido informou que pretende ampliar as denúncias internacionalmente, com iniciativas junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), além de cobrar providências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A coletiva foi transmitida em vídeo, e os representantes da campanha apresentaram exemplos do que classificam como tratamento desigual entre as candidaturas. Segundo o PT, os problemas envolvem a distribuição de publicações, a disponibilidade de ferramentas de compartilhamento e os mecanismos de busca do WhatsApp. O partido também afirmou que já havia encaminhado representações à Justiça Eleitoral e que prepara um relatório para apresentar a observadores internacionais credenciados junto ao TSE.
Durante a entrevista, os dirigentes ressaltaram que a denúncia não tem como objetivo punir a empresa, mas exigir condições equilibradas de participação na disputa. A campanha argumenta que eventuais restrições à circulação de conteúdo podem ter impacto significativo em uma eleição presidencial marcada pela proximidade entre os candidatos e pelo uso intensivo das redes sociais.
PT contabiliza mais de 2.500 denúncias em três dias
Um dos principais dados apresentados na coletiva foi o volume de reclamações recebidas pela campanha. Segundo os representantes do partido, mais de 2.500 denúncias foram registradas em aproximadamente três dias na página oficial da candidatura de Lula. Os relatos, conforme a descrição apresentada, dizem respeito a comportamentos considerados anormais nas plataformas da Meta.
A campanha informou que criou um canal para que cidadãos e cidadãs registrem ocorrências relacionadas ao funcionamento dos serviços digitais. O objetivo é reunir os relatos e utilizá-los na elaboração de documentos destinados às autoridades brasileiras e a organismos internacionais.
Os representantes do PT afirmaram que os problemas já haviam sido denunciados publicamente no dia 10 de outubro e que o partido vinha adotando medidas jurídicas desde o primeiro turno. Na coletiva, mencionaram mais de 90 ações relacionadas às redes sociais apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral.
A campanha sustenta que a repetição dos episódios, associada à falta de explicações consideradas satisfatórias por parte da empresa, justifica a ampliação das cobranças. Até o momento descrito na entrevista, entretanto, as alegações apresentadas pelo partido não constituem, por si só, comprovação de interferência deliberada da Meta no resultado eleitoral.
Busca no WhatsApp e ferramentas do Instagram estão entre as reclamações
Entre os exemplos apresentados pelos dirigentes, um diz respeito ao funcionamento da busca no WhatsApp. Segundo a campanha, ao pesquisar por expressões associadas ao “Exército do Lula”, o usuário receberia sugestões para acessar páginas ligadas à “Tropa do Flávio”, referência à candidatura de Flávio Bolsonaro. Os representantes afirmaram que o comportamento não se repetiria da mesma maneira quando a pesquisa fosse realizada a partir do nome do grupo adversário.
Outro exemplo envolve a busca por símbolos eleitorais. De acordo com o relato apresentado na coletiva, a pesquisa por bandeiras associadas aos números de Lula, 13, e de Flávio Bolsonaro, 22, produziria resultados diferentes, com a exibição de conteúdo ligado ao candidato do PL e a ausência de resultado equivalente para o candidato petista.
No Instagram, as reclamações se concentram na indisponibilidade de ferramentas de compartilhamento e em falhas na exibição de publicações. Um dos representantes afirmou que o botão de repost da página oficial de Lula teria ficado indisponível durante períodos prolongados. Também mencionou problemas com os Stories, incluindo conteúdos silenciados ou reproduzidos em velocidade considerada inadequada.
Na avaliação da campanha, a ocorrência desses episódios em páginas vinculadas à candidatura de Lula, sem problemas equivalentes nas páginas do adversário, levanta dúvidas sobre a igualdade de tratamento entre os concorrentes.
“Não é possível que as postagens do presidente Lula tenham o botão de Stories indisponibilizado”, afirmou um dos representantes durante a coletiva, ao descrever as dificuldades relatadas pela equipe.
O dirigente acrescentou que a Meta reconheceria a existência de falhas técnicas, mas, segundo ele, não teria apresentado transparência suficiente para esclarecer por que os problemas estariam concentrados na campanha petista.
É necessário distinguir, nesse caso, as ocorrências relatadas pelo partido da conclusão de que haveria uma ação intencional contra a candidatura. Para demonstrar interferência deliberada, seria preciso examinar os registros técnicos, as explicações da empresa e os elementos apresentados às autoridades competentes.
Campanha quer levar denúncia à OEA
A ampliação internacional das reclamações foi um dos principais anúncios da entrevista. Segundo os representantes do PT, integrantes da campanha se reuniram com representantes de partidos, parlamentares e organizações da sociedade civil de 12 países para discutir o caso e buscar apoio à denúncia.
Entre os países mencionados estão Estados Unidos, Reino Unido, Argentina, Chile, Colômbia, Guatemala, Honduras, Espanha, Moçambique, Uruguai e Venezuela. A relação foi apresentada oralmente durante a coletiva, e os participantes informaram que os contatos envolvem atores políticos e entidades comprometidos com a defesa da democracia e de eleições consideradas limpas.
A campanha pretende que os interlocutores levem o tema a seus parlamentos e à imprensa de seus países, ampliando a pressão internacional sobre a Meta.
Um dos representantes afirmou que o partido pretende formalizar a denúncia junto à OEA, organismo do qual o Brasil é integrante, além de recorrer à Autoridade Nacional de Proteção de Dados. A iniciativa busca ampliar a fiscalização sobre o funcionamento das plataformas durante o processo eleitoral brasileiro.
Na avaliação apresentada pela campanha, a dimensão internacional da Meta exige que a discussão ultrapasse as instâncias nacionais. O partido considera que a mobilização de autoridades e organizações de outros países pode contribuir para pressionar a empresa a esclarecer os problemas e garantir tratamento igualitário às candidaturas.
Os dirigentes também anunciaram uma reunião com observadores internacionais credenciados junto ao Tribunal Superior Eleitoral. A intenção, segundo a coletiva, é apresentar um relatório com os episódios documentados e detalhar as providências solicitadas pela campanha.
TSE é cobrado a exigir explicações da Meta
A campanha de Lula informou que continua recorrendo ao Tribunal Superior Eleitoral para cobrar medidas relacionadas ao funcionamento das plataformas digitais. Os representantes defenderam uma atuação mais firme da Justiça Eleitoral diante das reclamações e pediram respostas que permitam esclarecer a origem dos problemas.
Questionados sobre uma possível negligência do TSE, os dirigentes evitaram caracterizar a atuação da Corte nesses termos. Afirmaram, porém, que esperam respostas mais efetivas e maior pressão institucional sobre a empresa.
O argumento central é que a proximidade do segundo turno aumenta a importância da distribuição de conteúdos políticos nas redes. Como o período de campanha é curto, eventuais interrupções na circulação de publicações podem reduzir o alcance de mensagens eleitorais em um momento decisivo da disputa.
Um dos representantes resumiu a posição do partido ao afirmar que a prioridade é assegurar condições equilibradas para os candidatos. “O que a gente espera da campanha é eleição limpa e equilibrada”, declarou.
Na sequência, acrescentou que uma mudança no funcionamento das plataformas, mesmo a poucos dias da votação, seria positiva para a integridade do processo eleitoral.
A campanha também sustentou que não pretende obter punições contra a Meta como objetivo principal. O pedido, segundo os dirigentes, é que a empresa garanta neutralidade e corrija eventuais falhas que afetem a divulgação de conteúdos políticos.
A resposta institucional às denúncias dependerá da análise das autoridades competentes, da documentação reunida e dos esclarecimentos apresentados pela empresa.
Disputa eleitoral amplia preocupação com o poder das plataformas
A denúncia ocorre em meio à intensificação das disputas digitais no segundo turno de 2026. As redes sociais e os aplicativos de mensagens ocupam uma posição central na comunicação das campanhas, tanto na divulgação de propostas quanto na mobilização de apoiadores.
Nesse cenário, mudanças na disponibilidade de ferramentas, nos sistemas de recomendação e nos resultados de busca podem afetar a forma como os eleitores encontram conteúdos políticos. A dimensão desse impacto depende, entre outros fatores, do alcance das publicações afetadas, da duração das falhas e do número de usuários atingidos.
A campanha petista argumenta que as diferenças relatadas exigem investigação e transparência. O partido considera insuficiente a atribuição dos episódios a problemas técnicos sem uma explicação detalhada sobre suas causas e sobre os critérios utilizados pelas plataformas.
A discussão também envolve a capacidade de fiscalização do Estado sobre empresas internacionais que administram serviços digitais utilizados por milhões de brasileiros. Para a campanha, a Justiça Eleitoral e as autoridades de proteção de dados precisam ter condições de verificar se os sistemas aplicam suas regras de maneira consistente durante o período eleitoral.
A coletiva mencionou ainda episódios internacionais de suspeitas de manipulação da opinião pública em disputas políticas. Um dos dirigentes citou situações envolvendo Nepal, Malásia, Madagascar, México, Colômbia, Honduras e Chile para defender que a discussão sobre a influência das plataformas ultrapassa as fronteiras brasileiras.
A comparação foi apresentada como argumento político para justificar a mobilização internacional. Ela não comprova, por si só, que os episódios relatados no Brasil tenham a mesma origem ou natureza daqueles mencionados pelo dirigente.
Campanha afirma que mobilização nas ruas e nas redes cresceu
Durante a entrevista, os representantes do PT também relacionaram as denúncias ao crescimento da mobilização em torno da candidatura de Lula. Segundo eles, manifestações presenciais em diferentes regiões do país e a participação de apoiadores nas redes sociais ampliaram a visibilidade da campanha.
Os dirigentes citaram uma mobilização realizada em Brasília e agradeceram às pessoas envolvidas em atos políticos e atividades digitais. Na avaliação apresentada, o aumento da participação dos apoiadores torna ainda mais importante garantir que os conteúdos produzidos pela campanha sejam distribuídos sem restrições indevidas.
O partido também mencionou tentativas de derrubar ou restringir canais de mobilização digital associados ao presidente. A referência foi feita no contexto das reclamações sobre o funcionamento das plataformas, sem que a entrevista apresentasse, naquele momento, uma comprovação de vínculo entre todos os episódios citados.
A campanha sustenta que a combinação entre falhas técnicas recorrentes e ausência de esclarecimentos satisfatórios exige atenção das autoridades, especialmente porque a eleição está na reta final.
A denúncia internacional, portanto, pretende ampliar o debate sobre as responsabilidades das plataformas digitais no processo eleitoral brasileiro. O resultado dependerá da apuração dos fatos, da análise das reclamações registradas e das respostas que a Meta e as instituições responsáveis apresentarem.
Ao encerrar a exposição, os representantes reiteraram que a principal reivindicação é a garantia de condições equilibradas de comunicação para os candidatos. Para a campanha de Lula, a fiscalização das plataformas deve assegurar que eventuais problemas técnicos sejam identificados, explicados e corrigidos sem comprometer a igualdade de participação na disputa presidencial.





