Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (21) registra empate técnico no segundo turno, redução da rejeição aos dois candidatos e mudança expressiva no indicador de resistência ao presidente Lula, que caiu seis pontos percentuais em uma semana. Levantamento revela uma disputa marcada por preferências consolidadas e elevados índices de rejeição.
Da Redação
A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 21 de outubro, mostra uma redução da diferença numérica entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O senador aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em relação à rodada anterior, realizada uma semana antes, Flávio oscilou de 46% para 45%, enquanto o presidente manteve o mesmo percentual. O dado de maior variação, entretanto, não está nas intenções de voto, mas na rejeição ao petista, que recuou de 53% para 47%, uma diferença de seis pontos percentuais em apenas uma semana.
O levantamento, encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, ouviu presencialmente 2.154 eleitores com 16 anos ou mais, entre 17 e 20 de outubro, em todas as regiões do país. A pesquisa apresenta nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08535/2026. Os números confirmam a proximidade estatística entre os candidatos e demonstram que, a quatro dias da votação, as respostas dos entrevistados continuam distribuídas de maneira bastante equilibrada entre as duas alternativas.
A diferença numérica diminuiu de dois pontos percentuais, na pesquisa anterior, para apenas um ponto na medição desta quarta-feira. Essa mudança precisa ser interpretada com rigor: como a oscilação de Flávio foi de somente um ponto percentual, não é possível afirmar que tenha ocorrido uma perda estatisticamente comprovada de apoio. Da mesma forma, a estabilidade dos 44% atribuídos a Lula não demonstra ausência de movimentações individuais entre eleitores, mas apenas que o percentual agregado permaneceu igual nas duas rodadas.
Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio passou de 46% para 45%, enquanto Lula permaneceu com 44%. Os eleitores que declararam intenção de votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhuma das alternativas apresentadas somaram 9%, mesmo percentual registrado anteriormente. Já os indecisos passaram de 1% para 2%.
Esses resultados correspondem às intenções de voto totais, incluindo os entrevistados que não escolheram nenhum dos candidatos. Quando são considerados apenas os votos válidos, os percentuais são recalculados sobre o conjunto de respostas atribuídas a Lula e Flávio. A conversão não altera a incerteza estatística da pesquisa nem representa uma antecipação do resultado das urnas.
A proximidade entre as candidaturas adquire significado especial em uma eleição caracterizada por forte polarização política. O presidente tenta conquistar um novo mandato, enquanto Flávio Bolsonaro disputa a Presidência como representante do PL e herdeiro político do grupo liderado por seu pai, Jair Bolsonaro.
As duas candidaturas apresentam diferenças em temas como políticas sociais, tributação, atuação do Estado na economia, segurança pública e relações internacionais. Ao longo da campanha, esses contrastes foram acompanhados por críticas recíprocas sobre os resultados de governos anteriores e sobre as propostas para os próximos quatro anos.
A pesquisa, entretanto, não permite identificar qual acontecimento específico provocou a redução numérica da distância entre os candidatos. O levantamento foi realizado durante um período que incluiu o debate presidencial da Band, atividades de campanha, manifestações públicas e anúncios de novas medidas governamentais. Para estabelecer o efeito de qualquer desses episódios, seriam necessários dados adicionais sobre a exposição dos entrevistados e suas mudanças individuais de preferência.
A principal informação nova apresentada pela Quaest está na queda da rejeição às duas candidaturas, sobretudo à de Lula. Na rodada anterior, 53% dos entrevistados afirmavam que não votariam no presidente de maneira alguma. Agora, o percentual é de 47%, redução de seis pontos percentuais. A rejeição a Flávio Bolsonaro também diminuiu, de 54% para 52%, variação de dois pontos.
A rejeição é um indicador diferente da intenção de voto. Ela busca identificar a proporção de pessoas que declara não admitir determinada candidatura como opção eleitoral. Uma redução desse percentual pode representar maior disposição de parte dos entrevistados a considerar um nome, mas não significa necessariamente que essas pessoas tenham decidido votar nele.
O fato de a rejeição a Lula ter diminuído enquanto suas intenções de voto permaneceram em 44% demonstra essa distinção. A pesquisa registra uma mudança nas respostas sobre a possibilidade de votar no presidente, sem encontrar aumento correspondente em sua preferência estimulada.
Também não é possível afirmar que os seis pontos de redução da rejeição foram transferidos diretamente para uma candidatura específica. Pessoas que deixam de rejeitar um político podem continuar indecisas, escolher o adversário ou manter sua intenção de votar em branco ou nulo.
No caso de Flávio, a diminuição de dois pontos na rejeição ocorre simultaneamente a uma oscilação negativa de um ponto nas intenções de voto. Isso reforça a necessidade de examinar os indicadores separadamente, em vez de pressupor uma relação automática entre eles.
A comparação das respostas espontâneas acrescenta outra dimensão ao levantamento. Nessa modalidade, os entrevistadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos. Lula e Flávio Bolsonaro registraram 40% cada, enquanto a parcela de indecisos cresceu em relação à rodada anterior, chegando a 14%.
A diferença entre as modalidades espontânea e estimulada pode refletir fatores como lembrança dos candidatos, grau de definição das escolhas e a forma como os entrevistados respondem quando recebem ou não alternativas previamente apresentadas. O crescimento dos indecisos na modalidade espontânea não deve ser confundido com a quantidade de indecisos da pesquisa estimulada, que foi de 2%.
Outro indicador relevante diz respeito à firmeza das preferências declaradas. Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, aproximadamente 90% dos entrevistados afirmam que não pretendem modificar sua escolha até o dia da eleição.
O percentual é elevado, mas representa uma declaração feita no momento da entrevista. Não significa que todos esses eleitores necessariamente comparecerão às urnas ou que suas escolhas permanecerão inalteradas em qualquer circunstância.
A pesquisa mede intenções e percepções expressas entre 17 e 20 de outubro. O resultado efetivo dependerá da votação de domingo, incluindo comparecimento, votos válidos e decisões individuais que podem não ser integralmente captadas por levantamentos amostrais.
Um dos aspectos importantes desta rodada é que o indicador de rejeição apresenta movimentação nominal mais intensa do que o de intenção de voto. Isso sugere uma diferença entre a avaliação que os entrevistados fazem das candidaturas e a decisão que declaram tomar naquele momento.
Essa diferença merece acompanhamento, mas não autoriza concluir que a redução de rejeição produzirá necessariamente alterações nas urnas.
O estudo também foi divulgado na mesma data em que outra pergunta da Quaest ganhou repercussão: a comparação entre o medo do retorno da família Bolsonaro ao poder e o receio de uma nova gestão Lula. Nesse indicador, 44% afirmaram temer mais a volta dos Bolsonaro, enquanto 42% apontaram maior preocupação com a reeleição do presidente.
Os percentuais também estão dentro da margem de erro. Assim como a rejeição, a pergunta sobre medo não substitui a intenção de voto. Ela identifica uma percepção sobre possíveis resultados políticos, não a decisão eleitoral diretamente declarada.
Em conjunto, os indicadores mostram a existência de preocupações expressivas com os dois cenários de governo. Cada candidatura reúne apoiadores, eleitores que a rejeitam e pessoas que manifestam diferentes graus de incerteza ou receio sobre seus efeitos políticos.
A avaliação dos dados exige considerar que rejeição, medo e intenção de voto são medidas diferentes. Uma pessoa pode demonstrar preocupação com determinado governo sem rejeitar completamente seu candidato. Também pode declarar preferência eleitoral por razões econômicas, partidárias ou programáticas, mesmo reconhecendo aspectos negativos da candidatura escolhida.
A análise dos números da Quaest deve preservar essas distinções para não transformar variações de pesquisa em explicações causais que os próprios dados não demonstram.
A pesquisa desta quarta-feira apresenta uma diminuição nominal da distância entre os candidatos, mas continua caracterizada por empate técnico. Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, um ponto abaixo da rodada anterior, e Lula mantém 44%. A rejeição ao presidente diminui seis pontos, enquanto a do senador cai dois.
Essas informações revelam mudanças nas respostas dos entrevistados, mas não estabelecem um resultado antecipado nem demonstram uma tendência irreversível.
O levantamento também precisa ser compreendido no contexto das demais pesquisas divulgadas nesta semana, algumas das quais apresentam percentuais diferentes em razão de métodos, períodos de coleta, amostras e procedimentos próprios de cada instituto.
Comparar pesquisas exige atenção a essas características. Oscilações entre levantamentos distintos não podem ser tratadas automaticamente como crescimento ou queda de uma candidatura, já que diferenças metodológicas também podem influenciar os resultados.
A comparação mais consistente para identificar alterações dentro de uma série é aquela realizada entre rodadas do mesmo instituto, sempre observando margens de erro e intervalos de confiança.
No caso da Quaest, a sequência das duas últimas pesquisas registra uma redução de dois para um ponto percentual na diferença numérica, acompanhada de queda expressiva na rejeição declarada a Lula. Não há, entretanto, evidência estatística suficiente para afirmar que a oscilação de um ponto nas intenções de voto de Flávio represente uma mudança consolidada na distribuição das preferências.
A última rodada da Quaest antes da votação está prevista para sábado, 24 de outubro, quando novos dados poderão oferecer um retrato mais próximo do dia da eleição.
Até lá, o levantamento desta quarta-feira permanece como uma medição das intenções declaradas no início da última semana de campanha.
Sua principal contribuição está em mostrar que as preferências eleitorais continuam próximas e que a disposição manifestada por parte dos entrevistados em relação às candidaturas apresenta alterações que não se traduziram, na mesma proporção, em mudanças nas intenções de voto.
A decisão presidencial de domingo será tomada pelos eleitores nas urnas. A pesquisa Quaest informa sobre o ambiente político imediatamente anterior à votação, mas seus números não substituem o processo eleitoral nem eliminam as incertezas próprias de toda investigação por amostragem.






