SOUSA JÚNIOR – Diretor da Atitude Popular
Apesar de alguns “analistas” afirmarem que não existe mais esquerda e direita, o governo de esquerda do México, da presidenta Cláudia Sheinbaum, acaba de ter seu projeto de redução da jornada de trabalho aprovado pelo Senado, passando de 48 para 40 horas semanais. Na extrema-direita, o governo argentino, de Javier Milei, também acaba de ter seu projeto aprovado no Senado, porém aumentando a jornada de trabalho para até 12 horas por dia, entre outros ataques aos direitos trabalhistas historicamente conquistados.
Mais do que teoria, eis na prática o que é ser um governo de esquerda ou de direita, com consequências diretas na vida do trabalhador. E isso vale para qualquer país do mundo, em especial no Brasil onde, mais uma vez, iremos enfrentar uma disputa entre duas candidaturas que representam esses dois campos políticos. Enquanto Lula liderou a campanha pela isenção do IR para quem ganha até 5 mil reais, tornando isso uma realidade neste ano, e agora trabalha pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, a direita reage chamando isso de “propaganda eleitoral antecipada”.
Nesse fogo cruzado, ainda há quem afirma não existir diferenças entre o que é e se propõe o governo Lula e seus opositores, bolsonaristas ou não, como se tudo fosse “farinha do mesmo saco”. Para quem trabalha e depende de salário, no entanto, há uma grande diferença entre ter mais renda no final do mês e mais tempo para lazer, estudo e descanso no final do dia. Enquanto o sistema capitalista não for substituído pelo socialismo, aumento real de salário e redução da jornada de trabalho são as formas mais diretas de luta da esquerda contra a exploração capitalista. O resto é bravata de quem faz revolução em mesa de bar ou na web.


