Da Redação
Com a taxa básica de juros (Selic) em níveis historicamente altos, o mercado de crédito no Brasil enfrentou em 2025 uma série de efeitos negativos, incluindo juros bancários elevados, crédito mais caro e crescimento da inadimplência entre famílias e empresas.
A taxa Selic elevada em 2025 — mantida em patamares próximos a 15% ao ano — teve impacto direto sobre o custo do crédito no Brasil, pressionando os juros bancários para níveis vistos apenas em anos anteriores e alterando o comportamento de consumidores e empresas em relação ao financiamento e à capacidade de pagamento. O **efeito dessa política monetária restritiva se refletiu no encarecimento dos empréstimos, na desaceleração do ritmo de concessão de crédito e em aumentos de inadimplência em diversas faixas da população.
Os juros bancários cobrados no país alcançaram patamares elevados em 2025, com taxas médias de empréstimos para consumidores em níveis significativamente mais altos do que os observados em anos recentes, refletindo o impacto direto dos juros básicos sobre o custo do dinheiro nas operações de crédito. O aumento nas taxas bancárias pesou especialmente sobre operações de crédito pessoal e cartões, setores reconhecidos por já possuir spreads altos e que ficaram ainda mais caros no ambiente de Selic elevada.
Esse ambiente de juros altos contribuiu para tornar mais severo o custo do crédito para as famílias, reduzindo a demanda por financiamentos e dificultando a renovação ou expansão de dívidas, especialmente entre pessoas físicas. Para as empresas, ainda que algumas linhas tenham retraído um pouco as taxas médias, o custo total do crédito continuou pressionado, refletindo a manutenção de juros básicos elevados.
Dados do próprio Banco Central mostram que a expansão de crédito, mesmo diante de juros altos, começou a desacelerar ao longo de 2025, com projeções apontando para uma redução gradual no crescimento das carteiras de empréstimos ao longo de 2026. Essa desaceleração foi atribuída em parte à política monetária restritiva adotada para conter pressões inflacionárias.
A redução do ritmo de concessão de crédito também se refletiu em indicadores de inadimplência. Segundo relatório monetário oficial, a taxa de inadimplência no crédito bancário atingiu níveis elevados, aproximando-se de patamares que não eram registrados há alguns anos, indicando que mais créditos passaram a ser pagos com atraso, especialmente acima de 90 dias. A combinação de juros altos, maior dificuldade de pagamento e menor crescimento econômico contribuiu para esse resultado.
Especialistas em economia destacam que a Selic funciona como referência básica para todas as demais taxas de juros na economia, de modo que manter o juro básico alto tende a elevar o preço de financiamentos tanto para consumidores quanto para empresas. Esse efeito é amplificado pela forma como custos e riscos são repassados pelas instituições financeiras às suas operações de crédito.
Embora a política monetária restritiva tenha sido adotada com o objetivo de manter a inflação sob controle, o cenário também exigiu ajustes por parte de famílias e empresas. Muitas famílias responderam ao maior custo de crédito priorizando o pagamento de dívidas já existentes ou evitando contrair novos empréstimos, o que reduziu o ritmo de consumo financiado. Para empresas, especialmente pequenas e médias, o ambiente de juros elevados contribuiu para reduzir investimentos e adiar planos de expansão, sobretudo em setores intensivos em financiamento de capital de giro ou investimento produtivo.
A combinação de crédito mais caro, retração de novas operações e maior inadimplência apresenta desafios para a economia brasileira, especialmente em um ano em que ajustes fiscais, debate político e balanços de atividade econômica se intensificam com a aproximação das eleições gerais de 2026. Analistas destacam que a interação entre política monetária, comportamento do crédito e recuperação econômica será um dos temas centrais a ser acompanhado por investidores, famílias e formuladores de políticas nos próximos meses.


