Entidade cobra reunião com a direção do Instituto Conhecimento Liberta e acompanha desligamentos após saída de Leandro Demori; documentos apontam distribuição de mais de R$ 43 milhões aos sócios em dois anos
Da Redação
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) passou a acompanhar as demissões realizadas pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL) após uma série de desligamentos que ocorreram na esteira da saída do jornalista Leandro Demori da direção de Jornalismo da empresa. A entidade sindical informou que solicitou uma reunião urgente com a direção do instituto para discutir os cortes e verificar se os direitos trabalhistas dos profissionais foram respeitados.
A crise interna ganhou novos contornos após a divulgação de documentos que apontam a distribuição de aproximadamente R$ 43,7 milhões em lucros entre os sócios do ICL nos exercícios de 2024 e 2025. As informações foram reveladas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM) e ampliaram o debate sobre a justificativa econômica apresentada pela empresa para promover a reestruturação da equipe.
Segundo o sindicato, o objetivo é acompanhar de perto a situação dos trabalhadores atingidos e avaliar se o conjunto das demissões pode ser caracterizado como dispensa coletiva, hipótese que, em determinadas circunstâncias, exige negociação prévia com a representação sindical.
Saída de Demori marcou início da reestruturação
A onda de desligamentos teve início após a saída de Leandro Demori, um dos principais nomes do jornalismo do ICL e responsável pela consolidação da linha editorial da plataforma.
Desde então, diversos profissionais deixaram a empresa. De acordo com a reportagem do DCM, ao menos 16 trabalhadores foram desligados, entre jornalistas, apresentadores, colunistas, profissionais da área técnica e executivos.
Entre os nomes mencionados estão Adriana Ferreira, Nina Lemos, Alice Maciel, Eduardo Souza, Juliana Zaroni, Pedro Barciela e Thiago Barcellos.
As demissões provocaram repercussão entre profissionais da imprensa e apoiadores do projeto editorial do ICL, que se consolidou nos últimos anos como um dos principais veículos independentes de jornalismo digital do país.
Lucros milionários ampliam debate
O caso ganhou ainda maior repercussão após a divulgação de uma ata societária que registra a distribuição de cerca de R$ 43,7 milhões em lucros entre os sócios da empresa ao longo de dois exercícios.
Segundo os documentos publicados pelo DCM, Eduardo Moreira teria recebido aproximadamente R$ 25,1 milhões, enquanto Rafael Donatiello teria ficado com cerca de R$ 16,7 milhões. Os valores restantes foram distribuídos entre outros sócios.
A divulgação desses números levou parte dos profissionais e observadores a questionar a justificativa financeira apresentada para a redução do quadro de funcionários.
Empresa alegou necessidade de reorganização
Antes da divulgação dos documentos, Eduardo Moreira havia afirmado que o ICL atravessava dificuldades financeiras e que a reestruturação buscava preservar a continuidade das atividades da empresa.
Segundo ele, a decisão de reduzir o quadro de funcionários teria priorizado profissionais com remuneração mais elevada, evitando cortes ainda maiores.
Moreira também declarou que a aquisição de uma nova sede para o instituto não seria realizada com recursos da empresa, mas mediante investimento pessoal dos principais sócios.
Sindicato acompanha situação
Diante da repercussão do caso, o Sindicato dos Jornalistas informou que acompanhará todo o processo.
A entidade pretende verificar as condições em que ocorreram as demissões, analisar eventual necessidade de negociação coletiva e oferecer assistência aos profissionais desligados.
O sindicato também solicitou uma reunião com a direção do ICL para obter esclarecimentos sobre a reestruturação e discutir os impactos das dispensas sobre a redação e os demais setores da empresa.
Debate sobre relações de trabalho
Outro aspecto que passou a ser discutido envolve uma cláusula contratual mencionada na reportagem do DCM segundo a qual funcionários estariam sujeitos ao pagamento de multa de R$ 100 mil caso divulgassem informações relacionadas à remuneração.
A existência da cláusula gerou questionamentos entre especialistas em direito do trabalho e representantes sindicais, embora até o momento não tenha sido objeto de manifestação específica da entidade.
Enquanto isso, as demissões continuam repercutindo entre jornalistas e profissionais da comunicação, reacendendo o debate sobre transparência, gestão empresarial e relações de trabalho em veículos de imprensa independentes.
O ICL ainda não havia respondido publicamente às manifestações do sindicato sobre a reunião solicitada até a publicação desta reportagem.






