“Todas e todos estão na obrigação de ir às ruas pelo fim da escala 6×1”

Luciano Simplício defende mobilização popular para pressionar o Senado e afirma que a redução da jornada é uma questão de saúde, dignidade e qualidade de vida para milhões de trabalhadores

A mobilização pelo fim da escala 6×1 volta a ganhar força nas ruas do Ceará com a realização da Marcha da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 25 de junho, em Fortaleza. O tema foi debatido no programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular, que recebeu o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais e presidente da CTB Ceará, Luciano Simplício.

Durante a entrevista, Luciano analisou o cenário político da proposta, destacou os obstáculos enfrentados no Senado e convocou trabalhadores e trabalhadoras a ampliarem a pressão popular para garantir a aprovação definitiva da mudança na legislação trabalhista.

Segundo o dirigente sindical, a luta pelo fim da escala 6×1 não começou agora. Ele lembrou que as centrais sindicais vêm promovendo atos, caminhadas, abaixo-assinados e mobilizações desde o início da tramitação da proposta.

“O mais gratificante foi sentir o calor e o apoio da classe trabalhadora. Não é à toa que hoje 80% do povo brasileiro apoia o fim da escala 6×1”, afirmou.

Luciano destacou que a expressiva aprovação da proposta na Câmara dos Deputados demonstrou a força da mobilização social. Segundo ele, a pressão popular foi decisiva para convencer parlamentares que inicialmente se posicionavam contra a medida.

“Conseguimos aquela esplendorosa vitória. Até quem disse que ia votar contra, devido à pressão das ruas, votou a favor. Foram 477 votos de 513. Isso mostra a força da classe trabalhadora”, ressaltou.

O dirigente observou, entretanto, que a batalha política se tornou mais difícil após a chegada da proposta ao Senado. Na avaliação dele, há resistência de setores conservadores e empresariais, além da atuação de parlamentares que defendem a flexibilização ainda maior das relações de trabalho.

Ao comentar propostas alternativas apresentadas por setores da oposição, Luciano criticou iniciativas que, segundo ele, enfraquecem direitos trabalhistas históricos.

“Não só são contra o fim da escala 6×1. Querem trazer de volta uma lógica em que o trabalhador seja pago apenas por hora, reduzindo direitos e desmontando garantias conquistadas ao longo de décadas”, afirmou.

A marcha marcada para Fortaleza integra uma mobilização nacional organizada pelas centrais sindicais. A concentração ocorrerá às 14 horas, na Praça do Carmo, no Centro da capital cearense.

De acordo com Luciano Simplício, o objetivo é dialogar diretamente com os trabalhadores que vivem os impactos mais severos das jornadas extensas.

“Nós vamos conversar com os trabalhadores e trabalhadoras do Centro de Fortaleza, especialmente os comerciários, uma das categorias mais exploradas do país”, disse.

Durante a entrevista, o sindicalista relacionou a escala 6×1 ao aumento de problemas físicos e mentais entre trabalhadores brasileiros. Para ele, a discussão vai muito além das relações trabalhistas e envolve diretamente saúde pública, qualidade de vida e sustentabilidade do sistema previdenciário.

“A escala 6×1 está adoecendo e matando a classe trabalhadora”, afirmou.

Ele citou dados que apontam crescimento dos casos de adoecimento físico e psicológico entre trabalhadores e chamou atenção para os impactos da sobrecarga de trabalho sobre a vida familiar.

“Muitas mães enfrentam dupla e até tripla jornada. Trabalham fora, cuidam dos filhos, da casa e ainda precisam lidar com todas as responsabilidades domésticas. Isso não é qualidade de vida”, declarou.

Outro ponto destacado pelo dirigente foi a necessidade de garantir tempo para atividades culturais, lazer, estudo e convivência familiar.

“Nós seres humanos nascemos para amar, conversar, estudar, pintar, criar. Não para viver exclusivamente trabalhando e pagando boletos”, afirmou.

Luciano também argumentou que a redução da jornada não representa ameaça à economia. Pelo contrário, segundo ele, experiências internacionais mostram que jornadas menores podem impulsionar o consumo, o turismo, a produtividade e a circulação de riqueza.

“Em vários países já se trabalha menos horas. As pessoas têm mais tempo para viver, consumir cultura, viajar e movimentar a economia. A classe patronal brasileira ainda não conseguiu compreender isso”, avaliou.

Ao final da entrevista, o presidente da CTB Ceará reforçou a convocação para a marcha e defendeu a continuidade da mobilização social.

“Todas e todos estão na obrigação de ir às ruas pelo fim da escala 6×1. Precisamos pressionar os senadores e mostrar que essa é uma pauta de saúde, dignidade e respeito à classe trabalhadora”, declarou.

Para Luciano Simplício, a luta pela redução da jornada representa uma das principais batalhas sociais do país neste momento e pode redefinir as condições de vida de milhões de brasileiros.

“Nas ruas, nas redes e nas mobilizações, nós vamos continuar lutando até conquistar essa vitória”, concluiu.

Marcha da Classe Trabalhadora pelo fim da escala 6×1

📅 Quinta-feira, 25 de junho
🕑 14h
📍 Concentração na Praça do Carmo, Centro de Fortaleza
A mobilização é organizada pelas centrais sindicais e integra uma jornada nacional de luta pela redução da jornada de trabalho, pela valorização dos trabalhadores e pela aprovação do fim da escala 6×1 no Senado Federal.

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