Da Redação
Após fuga e prisão em Assunção, tornozeleira eletrônica de ex-diretor da PRF é localizada em rodoviária paraguaia, reforçando investigação sobre rota de fuga e possíveis apoios logísticos.
Em 27 de dezembro de 2025, a tornozeleira eletrônica que estava sendo utilizada pelo ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi encontrada em uma rodoviária na cidade de Assunção, no Paraguai, enquanto a investigação sobre sua fuga continua em andamento. A descoberta da tornozeleira acrescenta elementos importantes ao caso de evasão que culminou na prisão do ex-agente no início desta semana pelas autoridades paraguaias.
Vasques, condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e 6 meses de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado e organização criminosa armada, havia rompido o dispositivo de monitoramento eletrônico em território brasileiro e deixado o país de forma irregular na madrugada de 25 de dezembro. A fuga foi identificada pelas autoridades por meio da interrupção do sinal do equipamento, o que gerou uma série de diligências e o reforço de alerta internacional para sua captura.
A localização da tornozeleira em uma rodoviária — local de intensa movimentação de pessoas e ônibus interestaduais e internacionais — sugere que Vasques pode ter contado com orientação ou apoio logístico para escapar pelo Paraguai. A presença do equipamento no ambiente público levanta uma série de questões sobre os percursos adotados e possíveis conexões que facilitaram a passagem irregular da fronteira. As autoridades brasileiras e paraguaias trabalham para cruzar evidências e imagens que possam indicar a sequência dos eventos que levaram à perda do dispositivo e à continuidade da fuga.
Fontes oficiais informaram que a tornozeleira foi localizada por funcionários da rodoviária durante verificações de rotina, e posteriormente entregue às forças de segurança locais. A investigação agora busca identificar quando e em que circunstâncias o dispositivo foi descartado, bem como se houve participação de terceiros na remoção ou destruição deliberada do equipamento. A hipótese de colaboração logística não está descartada, dada a rapidez com que Vasques passou pelo Paraguai após interromper o monitoramento.
A descoberta traz um novo foco à investigação da fuga de Vasques, que aconteceu em meio a forte disputa institucional e alta visibilidade política. O ex-diretor da PRF foi condenado por liderar, segundo o STF, ações que buscavam interferir no processo eleitoral de 2022 e desestabilizar a ordem democrática no Brasil. Sua fuga no feriado de Natal gerou repercussão em diferentes setores políticos e sociais, alimentando debates sobre a eficácia das medidas cautelares e do monitoramento eletrônico no cumprimento das penas impostas pelo tribunal.
Autoridades brasileiras, incluindo representantes do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, reafirmaram durante a semana que a prisão de Vasques no Paraguai, após cruzar a fronteira de forma irregular, reforça a necessidade de cooperação internacional no enfrentamento de evasões de condenados de alta periculosidade. A localização da tornozeleira contribui para detalhar a cronologia da fuga e poderá ser útil na reconstrução dos passos de Vasques entre o momento em que rompeu o dispositivo até sua detenção em Assunção.
Especialistas em segurança pública ouvidos por veículos de imprensa ressaltam que o uso da tornozeleira eletrônica tem limitações claras, especialmente diante de decisões deliberadas de rompimento e quando não há presença física contínua de agentes para garantir o cumprimento das medidas. A localização do dispositivo em um ambiente de grande circulação de pessoas indica que Vasques conseguiu se desvincilhar rapidamente do monitoramento, expondo fragilidades na fiscalização de condenados em liberdade provisória ou sob regime de medidas cautelares.
O episódio da tornozeleira localizada na rodoviária também alimenta debates sobre a necessidade de medidas mais rígidas para indivíduos considerados de alto risco de fuga, especialmente em contextos de forte carga simbólica e política, como é o caso de Vasques. A prisão no Paraguai, em cooperação com as autoridades locais, e agora a descoberta do dispositivo descartado, devem ser incorporados ao inquérito que apura as circunstâncias da evasão e eventuais responsabilidades de terceiros.
À medida que as investigações avançam, o caso de Silvinei Vasques continua a repercutir no debate público e político, suscitando reflexões sobre a eficácia das medidas de controle, a cooperação transfronteiriça entre forças de segurança e a resposta institucional a fugas de condenados por crimes graves. A localização da tornozeleira em um espaço público externo ao Brasil representa um elemento concreto de prova que pode ajudar a mapear a rede de apoio que facilitou a fuga, apontando possíveis lacunas no sistema de fiscalização de penas e medidas cautelares.
