Lula recebe centrais sindicais, defende mobilização e destaca fim da escala 6×1 como prioridade para o Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, representantes das principais centrais sindicais do país para a entrega da pauta da classe trabalhadora com propostas para o período de 2026 a 2030. As informações foram transmitidas ao vivo pelo canal oficial do governo e confirmadas por reportagens da imprensa nacional, como a Agência Brasil.
O encontro ocorreu logo após o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, considerado um dos principais pontos da agenda trabalhista do governo. )
Durante a reunião, Lula enfatizou o papel ativo das organizações sindicais na disputa política e na aprovação das medidas. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, afirmou o presidente, ao destacar que nenhuma conquista ocorre sem mobilização social.
Pauta ampla e foco no futuro do trabalho
A pauta entregue pelas centrais reúne 68 reivindicações e foi construída de forma unificada na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). Entre os principais eixos estão geração de empregos, valorização salarial, fortalecimento da negociação coletiva e defesa da democracia.
Também ganham destaque propostas como:
- redução da jornada de trabalho sem redução de salário
- regulamentação do trabalho por aplicativos
- combate à pejotização e fraudes trabalhistas
- enfrentamento ao feminicídio
- ampliação de direitos para servidores públicos
Segundo o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, o documento busca responder às transformações estruturais do mundo do trabalho. Ele alertou para os impactos da tecnologia, das mudanças climáticas e da reorganização econômica global sobre empregos, especialmente entre jovens e mulheres.
Jornada de trabalho e qualidade de vida
A redução da jornada foi apontada como prioridade central. Lideranças sindicais argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida e até gerar empregos.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que a proposta representa uma reparação histórica. “É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para a pessoa”, disse.
Já representantes da CTB destacaram estudos que indicam potencial de criação de milhões de postos de trabalho com a mudança.
Trabalho por aplicativos e precarização
Outro tema recorrente foi a necessidade de regulamentação do trabalho em aplicativos. Dirigentes sindicais relataram preocupação com a ausência de proteção social e com os riscos à saúde e à segurança desses trabalhadores.
A crítica à pejotização também ganhou força. Segundo lideranças presentes, a expansão desse modelo pode comprometer o financiamento de políticas públicas, como previdência, FGTS e programas habitacionais.
Um debate político e social mais amplo
No discurso final, Lula fez um resgate histórico das lutas trabalhistas e alertou para riscos de retrocessos. Ele citou reformas anteriores e destacou que direitos podem ser perdidos sem organização social.
O presidente também chamou atenção para a importância da atuação política da classe trabalhadora. Segundo ele, a correlação de forças no Congresso será decisiva para o avanço ou bloqueio das propostas.
Além disso, Lula valorizou o papel dos sindicatos como instrumentos da democracia. Para ele, o diálogo entre governo e trabalhadores é um diferencial institucional que precisa ser preservado.
Mobilização como estratégia
O encontro ocorreu no contexto da marcha da classe trabalhadora em Brasília, que reuniu milhares de pessoas e simbolizou a retomada da articulação sindical em nível nacional.
Ao final, Lula reforçou que o envio do projeto ao Congresso é apenas o início de um processo mais amplo. “A luta não termina com isso, a luta começa com isso”, declarou.
📺 Assista ao encontro completo:
https://www.youtube.com/watch?v=hYqlJ4-agII












