Alckmin celebra recorde histórico de empregos no agro em 2025

Da Redação

Agronegócio brasileiro alcança marca histórica de 28,5 milhões de trabalhadores em 2025, amplia participação no mercado de trabalho nacional e reforça peso estratégico do setor na economia brasileira.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comemorou nesta sexta-feira o novo recorde histórico de empregos no agronegócio brasileiro. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor encerrou 2025 empregando cerca de 28,5 milhões de pessoas, consolidando o maior nível de ocupação da série histórica iniciada em 2012.

O número impressiona não apenas pelo tamanho absoluto da força de trabalho mobilizada pelo agro, mas também pelo peso crescente do setor dentro da economia brasileira. Segundo o levantamento, o agronegócio passou a responder por aproximadamente 26,3% de todos os empregos do país, reforçando sua posição como um dos principais motores econômicos nacionais. Em relação a 2024, foram criados cerca de 600 mil novos postos de trabalho ligados ao setor.

Ao comentar os dados, Alckmin associou diretamente o crescimento do emprego à ampliação dos mercados internacionais conquistados pelo Brasil durante o governo Lula. O vice-presidente destacou que o país abriu centenas de novos mercados para produtos brasileiros e citou acordos internacionais, como o tratado Mercosul-União Europeia, como fatores que devem impulsionar ainda mais o emprego, as exportações e a renda no campo.

A fala do vice-presidente não ocorre isoladamente. Ela dialoga com uma estratégia mais ampla do governo federal de utilizar comércio exterior, expansão diplomática e abertura de mercados como instrumentos de crescimento econômico interno. Desde o início do terceiro mandato de Lula, o governo intensificou negociações comerciais, ampliou missões diplomáticas e buscou fortalecer a inserção internacional do agronegócio brasileiro.

O resultado aparece agora de maneira concreta nos indicadores do mercado de trabalho. O agronegócio brasileiro não apenas ampliou exportações, como também aumentou capacidade de absorção de mão de obra em praticamente todos os segmentos da cadeia produtiva. O levantamento mostra que o maior crescimento ocorreu justamente no setor de agrosserviços, com alta de 6,1%, impulsionado principalmente pela expansão logística, transporte, armazenagem, tecnologia e serviços ligados à cadeia agroindustrial.

Esse dado é particularmente relevante porque revela uma transformação estrutural importante dentro do agro brasileiro contemporâneo. O setor deixou há muito tempo de ser apenas produção agrícola primária e passou a operar como complexo econômico integrado que envolve indústria, tecnologia, logística, serviços financeiros, pesquisa genética, automação e exportação globalizada.

Na prática, isso significa que o crescimento do agronegócio não gera empregos apenas no campo tradicional, mas também em áreas urbanas, industriais e tecnológicas ligadas à cadeia produtiva agroexportadora. O próprio estudo do Cepea e da CNA aponta que a retomada das atividades agroindustriais teve papel decisivo na expansão do emprego em 2025.

Outro dado relevante é o avanço da formalização. O número de trabalhadores com carteira assinada no agronegócio cresceu 4,6% no período, atingindo novo recorde histórico. Também houve crescimento entre trabalhadores autônomos e melhora nos indicadores de escolaridade da força de trabalho do setor. O número de trabalhadores com ensino superior cresceu 8,3%, enquanto os com ensino médio aumentaram 4,2%.

O levantamento também aponta crescimento da participação feminina no mercado de trabalho agropecuário. A presença de mulheres avançou 2,6%, acima do crescimento observado entre trabalhadores homens. O dado demonstra mudanças graduais no perfil social e ocupacional do setor.

Mas o avanço do agro brasileiro ocorre em um contexto geopolítico particularmente complexo. O mundo atravessa uma fase de reorganização das cadeias globais de produção de alimentos, disputa comercial entre grandes potências, tensões climáticas e crescente preocupação internacional com segurança alimentar. Nesse cenário, o Brasil se consolidou como um dos principais fornecedores globais de alimentos, proteínas animais, grãos, fibras e produtos agroindustriais.

Essa posição estratégica ampliou o peso político e econômico do agronegócio dentro da economia nacional. Ao mesmo tempo, aumentou a dependência brasileira das oscilações do mercado internacional, da demanda chinesa, das políticas tarifárias globais e das disputas comerciais entre potências.

O próprio governo Lula tenta equilibrar essa equação delicada. De um lado, busca fortalecer o agro como motor econômico e exportador. De outro, tenta ampliar industrialização, agregar valor às cadeias produtivas e reduzir vulnerabilidades históricas da economia brasileira associadas à exportação de commodities primárias.

Os números atuais mostram que o setor segue extremamente dinâmico. Recordes de safra, expansão das exportações e crescimento das cadeias agroindustriais ampliaram demanda por transporte, armazenagem, logística e serviços especializados. Isso explica por que justamente os agrosserviços lideraram a geração de empregos em 2025.

Ainda assim, o levantamento revela desequilíbrios importantes. O segmento primário foi o único que registrou retração no número de ocupações, com queda de aproximadamente 87 mil postos de trabalho. O movimento reflete aumento de mecanização, automação e ganhos de produtividade no campo, fenômeno que vem reduzindo necessidade de mão de obra em determinadas atividades agrícolas tradicionais.

Esse processo faz parte de uma transformação mais ampla do agronegócio mundial. O campo contemporâneo se tornou cada vez mais dependente de tecnologia, automação, inteligência artificial, genética avançada, maquinário de precisão e infraestrutura digital. O crescimento do emprego, portanto, ocorre muito mais em setores conectados à cadeia agroindustrial do que exclusivamente na produção rural clássica.

A expansão do emprego no agro também ajuda a explicar parte da melhora geral do mercado de trabalho brasileiro observada nos últimos anos. Dados recentes do IBGE mostram que o país atingiu em 2025 uma das menores taxas de desemprego da série histórica, movimento associado ao crescimento econômico, à retomada industrial e ao aquecimento do mercado interno.

Alckmin vem utilizando esses números como parte da narrativa econômica do governo Lula. O discurso busca associar crescimento econômico, expansão do comércio exterior e geração de empregos a uma estratégia de reconstrução produtiva do país após anos de baixo crescimento econômico e desindustrialização relativa.

No caso específico do agronegócio, o governo tenta construir uma imagem de equilíbrio entre expansão exportadora e fortalecimento interno da economia. Isso inclui abertura de mercados internacionais, fortalecimento diplomático e defesa do acordo Mercosul-União Europeia, considerado peça importante da estratégia comercial brasileira para os próximos anos.

Ao mesmo tempo, o setor continua cercado de debates estratégicos importantes. Questões ambientais, desmatamento, mudanças climáticas, concentração fundiária e conflitos ligados ao uso da terra seguem no centro das discussões sobre o futuro do agro brasileiro. O desafio do país é ampliar competitividade internacional sem aprofundar desequilíbrios sociais e ambientais históricos.

Mesmo com essas contradições, os números divulgados pelo Cepea e pela CNA consolidam uma tendência clara: o agronegócio permanece como uma das principais engrenagens econômicas do Brasil contemporâneo. A marca de 28,5 milhões de trabalhadores empregados mostra o tamanho estrutural do setor dentro da economia nacional e reforça sua capacidade de impactar diretamente crescimento, renda, exportações e estabilidade econômica do país.

O resultado também fortalece a posição do Brasil em um cenário global marcado por insegurança alimentar, guerras comerciais e reorganização das cadeias produtivas mundiais. Em um século cada vez mais definido por disputas energéticas, tecnológicas e alimentares, a capacidade de produzir alimentos em larga escala se tornou ativo estratégico de enorme valor geopolítico.

Nesse contexto, o recorde de empregos no agronegócio brasileiro não representa apenas um bom indicador econômico. Representa também a consolidação do Brasil como potência agroalimentar global em um momento no qual alimentação, logística, tecnologia e segurança alimentar passaram a ocupar posição central nas disputas do capitalismo contemporâneo.

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