Atitude Popular

Alece entregará certidões de óbito retificadas a vítimas da ditadura militar

Da Redação

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará realizará no próximo dia 21 de maio, às 17h, uma sessão solene para a entrega de certidões de óbito retificadas de 12 pessoas mortas e/ou desaparecidas políticas durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia acontecerá no Plenário 13 de Maio e contará com a presença da ministra Macaé Evaristo, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Entre os nomes contemplados está o de Frei Tito de Alencar Lima, um dos símbolos cearenses da resistência à repressão política instaurada após o golpe de 1964. Militante estudantil e integrante da Ordem Dominicana, Frei Tito foi preso em novembro de 1969 e submetido a torturas pelo regime militar em instalações do aparelho repressivo brasileiro.

Perseguido politicamente e profundamente marcado pelas violências sofridas durante o cárcere, Frei Tito acabou deixando o Brasil e se exilando na França. Seu corpo foi encontrado em 10 de agosto de 1974 nas dependências do convento dominicano Sainte-Marie de La Tourette, na cidade de Éveux.

A sessão solene foi proposta pelo deputado estadual Renato Roseno e será realizada pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos.

A retificação dos registros civis das vítimas atende à Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça, que determinou aos cartórios brasileiros a correção das certidões de óbito de pessoas reconhecidas como mortas ou desaparecidas políticas pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.

Durante décadas, muitas famílias conviveram com documentos oficiais que omitiam torturas, desaparecimentos forçados e responsabilidades do Estado brasileiro sobre as mortes ocorridas durante a ditadura. A revisão desses registros representa uma reivindicação histórica dos familiares e de entidades de direitos humanos.

Além de Frei Tito, também receberão certidões retificadas:

  • José Montenegro de Lima
  • Raimundo Nonato da Paz
  • Antônio Teodoro de Castro
  • Custódio Saraiva Neto
  • Antônio Bem Cardoso
  • Pedro Jerônimo de Sousa
  • David Capistrano
  • Jana Barroso
  • José Mendes de Sá Roriz
  • José Nobre Parente
  • Lourenço Camelo Mesquita

A medida é considerada por organizações de memória e direitos humanos como parte do processo de reconhecimento institucional das violações cometidas pelo Estado brasileiro durante o período autoritário. Em muitos casos, os documentos originais registravam versões falsas ou incompletas sobre as circunstâncias das mortes.

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