Atitude Popular

“A gente tem que jogar pressão no Congresso Nacional”

Dirigente da Intersindical, Augusto Monteiro afirma que o 1º de Maio será decisivo para garantir o fim da escala 6×1 e evitar retrocessos nas propostas em tramitação

O programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, recebeu o dirigente da Intersindical e secretário-geral do Sindfort, Augusto Monteiro, para discutir as mobilizações do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora em 2026. A entrevista, transmitida para uma rede de mais de 30 rádios e TVs comunitárias, destacou a centralidade da luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

Durante a conversa, Monteiro fez um alerta direto sobre o momento político vivido no país, especialmente diante da tramitação de propostas no Congresso Nacional. “A gente tem que fazer muita luta, tem que fazer muita mobilização, jogar pressão no Congresso Nacional”, afirmou, ao defender que somente a força das ruas poderá garantir avanços concretos para a classe trabalhadora.

Segundo o dirigente, o avanço dessa pauta só foi possível graças à pressão social acumulada ao longo dos anos. Ele citou mobilizações recentes, como o crescimento do debate nas redes sociais e a articulação sindical, como elementos que ajudaram a recolocar o tema no centro da agenda política nacional.

“A maioria da classe trabalhadora brasileira é a favor do fim da escala 6 por 1”, destacou Monteiro, ressaltando que essa pauta tem potencial para reorganizar o campo progressista e pautar o debate público, após um período dominado por agendas conservadoras.

1º de Maio como teste de força

O dirigente enfatizou que o 1º de Maio deste ano será decisivo para consolidar essa pressão. Para ele, a mobilização popular será fundamental para garantir uma correlação de forças favorável no Congresso.

“Agora que foi instalada a comissão especial, é que a gente precisa intensificar a luta”, explicou, apontando que há risco de mudanças no texto das propostas que podem prejudicar os trabalhadores.

Monteiro alertou, por exemplo, para a possibilidade de inclusão de dispositivos que reforcem o chamado “negociado sobre o legislado”, o que, na prática, poderia enfraquecer os direitos trabalhistas conquistados.

Fortaleza terá ato unificado na Praia de Iracema

Em Fortaleza, o ato do 1º de Maio será realizado de forma unificada entre centrais sindicais, movimentos sociais e frentes populares. A concentração está marcada para as 15h, no espigão da Rui Barbosa, na Praia de Iracema.

De acordo com Monteiro, o objetivo é construir um momento de forte simbolismo político, com ampla participação popular.

“O primeiro de maio aqui em Fortaleza a gente está conseguindo construir unificado, com as centrais sindicais, os movimentos sociais e o conjunto dos sindicatos”, afirmou.

O ato contará com caminhada, falas políticas e apresentações culturais com artistas locais, buscando combinar mobilização, denúncia e celebração.

Pautas ampliadas: tarifa zero, feminicídio e meio ambiente

Além da redução da jornada de trabalho, o 1º de Maio deste ano incorpora outras pautas estruturais da classe trabalhadora.

Monteiro destacou a defesa da tarifa zero no transporte público como um direito social fundamental, especialmente para trabalhadores periféricos que enfrentam longos deslocamentos diários.

Também ressaltou a urgência do combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio, classificando o problema como estrutural na sociedade brasileira.

“Isso mostra o caráter de uma sociedade montada dentro da lógica do machismo, da misoginia e do racismo”, afirmou.

Outro eixo importante é a agenda ambiental, com destaque para os impactos das mudanças climáticas sobre as populações mais pobres.

“Quando acontece uma grande enchente, quem é mais afetado são as periferias”, observou.

Soberania nacional e Congresso Amigo do Povo entram na pauta

O debate também dialoga com uma iniciativa mais ampla da própria Atitude Popular, que vem propondo a construção de uma campanha nacional em defesa da soberania nacional e de um Congresso Amigo do Povo.

Um manifesto está sendo elaborado por intelectuais do Ceará com o objetivo de influenciar o processo eleitoral deste ano e fortalecer uma agenda comprometida com os interesses da maioria da população.

Nesse contexto, a luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho aparece como parte de um projeto maior de reorganização do país, voltado à valorização do trabalho, à justiça social e à democracia.

Os apoiadores podem conhecer e assinar o manifesto por meio do site da campanha:
https://campanhabrasilsoberano.com.br/


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