Por Sousa Júnior – Diretor da Atitude Popular
A polarização na eleição de 2026, tanto em relação à disputa presidencial quanto à disputa nos estados, não é culpa do PT ou do PL, os principais partidos que pretendem ter a hegemonia política, nem decorre de quaisquer outros fatores subjetivos ou artimanhas eleitorais. É fruto de uma realidade objetiva atual que existe no Brasil e no Mundo.
O avanço da extrema-direita com suas soluções radicais para “resolver” os problemas do capitalismo, como o aumento da concentração de renda e a crescente exclusão social; a crise gerada pelos movimentos migratórios; a contradição entre a necessidade de aumento da produção e a escassez de matérias primas, sobretudo de fontes energéticas e minerais críticos; entre outros, é o que restou ao sistema capitalista que, para se manter, precisa abandonar a política do bem-estar social e aderir ao fascismo.
Não há, portanto, terceira via para salvar o capitalismo. Porém, as forças progressistas, e a esquerda em especial, não possuem influência política suficiente para se contrapor a esse avanço da extrema-direita de forma isolada, pois não têm soluções para resolver a crise do capitalismo nem capacidade para substituir esse sistema de forma imediata. É preciso forjar alianças ao centro-direita, como fazem os governos Lula e Elmano. Sem essas alianças, o bolsonarismo, que representa no Brasil a extrema-direita, vence a eleição, no Brasil e no Ceará.
Nenhuma crítica, por mais justa que seja, aos governos Lula e Elmano, contradiz essa realidade objetiva, pois seus opositores com mais chances de uma eventual vitória, Fláviomaster e Cironaro, representam o fortalecimento da extrema-direita que ameaça todas as conquistas democráticas e progressistas obtidas até hoje, no Brasil e no Ceará, e provocariam um retrocesso civilizatório que atingiria, inclusive, aqueles que, por equívoco ou má fé, no campo da esquerda, pregam o voto nulo ou uma terceira via, como no Ceará e em Pernambuco.
Estamos, mais uma vez, em uma encruzilhada histórica. Quem quer avançar para uma sociedade mais humana, justa e igualitária e sabe que não há hoje como ultrapassar a muralha histórica que separa o capitalismo do socialismo no Brasil precisa seguir o caminho da esquerda com Lula e Elmano. Negar esse caminho é colocar um desvio para a direita. Quem não admite isso é incapaz de enxergar a realidade ou defende interesses inconfessáveis.
