“A Petrobras precisa voltar a ser integrada do poço ao posto”

Congresso dos petroleiros reúne categoria para debater soberania energética, reestatização de ativos estratégicos e os desafios da Petrobras diante das eleições de 2026

A defesa da soberania energética nacional, a reconstrução da Petrobras como empresa pública integrada e os desafios políticos que antecedem as eleições de 2026 estarão no centro dos debates do 41º Congresso Regional dos Petroleiros do Ceará e Piauí. O tema foi discutido no programa Democracia no Ar, apresentado por Sara Goes, que recebeu Fernandes Neto, presidente do Sindicato dos Petroleiros do Ceará e Piauí (Sindipetro CE/PI).

Durante a entrevista, Fernandes destacou que o congresso integra uma mobilização nacional da categoria para definir propostas que serão levadas ao Congresso Nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP), marcado para julho, em Salvador. Segundo ele, o momento exige uma discussão ampla sobre o papel estratégico da Petrobras, a reestatização de ativos privatizados e a defesa de um projeto nacional de desenvolvimento.

Congresso acontece em meio ao debate sobre soberania nacional

O dirigente sindical explicou que os congressos regionais realizados pelos sindicatos filiados à FUP têm como objetivo consolidar propostas e diretrizes que orientarão a atuação da categoria nos próximos anos.

Neste ano, segundo Fernandes, o debate ultrapassa as questões corporativas e se concentra principalmente em temas políticos e estratégicos.

“A principal pauta é a campanha Reestatiza Brasil.”

A avaliação do dirigente é que os processos de privatização realizados nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro produziram prejuízos duradouros para a Petrobras e para a população brasileira.

Entre os exemplos citados está a privatização da BR Distribuidora, que retirou da estatal o controle sobre parte relevante da cadeia de abastecimento nacional.

Petrobras integrada e fortalecimento do papel público

Para Fernandes, a Petrobras precisa retomar sua condição histórica de empresa integrada.

“A Petrobras precisa voltar a ser integrada do poço ao posto.”

Segundo ele, a fragmentação da companhia enfraqueceu sua capacidade de formular políticas energéticas voltadas ao interesse nacional.

O dirigente argumentou que a estatal deve atuar de forma articulada em diferentes áreas, incluindo exploração de petróleo, refino, logística, fertilizantes, biocombustíveis, transporte e geração de energia.

Eleições de 2026 entram no centro das discussões

Outro tema recorrente da entrevista foi o cenário eleitoral de 2026.

Fernandes afirmou que a categoria petroleira acompanha com atenção os desdobramentos políticos do país e considera fundamental a continuidade de um projeto comprometido com a soberania nacional.

“Se a gente não sair vitorioso nessas eleições, eles vão concluir o processo de privatização.”

Segundo ele, o Congresso Nacional da FUP deverá aprovar diretrizes específicas para a atuação política da categoria durante o próximo ciclo eleitoral.

Além da disputa presidencial, a preocupação envolve a composição do Congresso Nacional e do Senado.

Transição energética e papel estratégico da Petrobras

Ao comentar os desafios da transição energética, Fernandes rejeitou a ideia de que a Petrobras seja incompatível com as novas matrizes de energia.

Segundo ele, a estatal possui capacidade tecnológica, estrutura de pesquisa e experiência para liderar esse processo no Brasil.

“A transição energética precisa ser justa.”

Para o dirigente, a mudança da matriz energética não pode ocorrer à custa da perda de empregos, da desindustrialização ou da dependência tecnológica externa.

Ele defende que a Petrobras amplie investimentos em biocombustíveis, fertilizantes, hidrogênio verde e novas tecnologias, sem abandonar seu papel estratégico no setor petrolífero.

Fertilizantes, biodiesel e segurança alimentar

Fernandes destacou a importância da retomada das fábricas de fertilizantes da Petrobras, fechadas durante o ciclo de privatizações.

Segundo ele, a reabertura dessas unidades fortalece a produção agrícola nacional e reduz a dependência de importações.

“Um país como o Brasil não pode depender totalmente da importação de fertilizantes.”

O dirigente também mencionou a necessidade de ampliar investimentos em biodiesel e em outras fontes renováveis associadas à agricultura familiar.

Terras raras e nova fronteira da soberania

Durante a conversa, Fernandes confirmou que a Federação Única dos Petroleiros acompanha os debates sobre minerais estratégicos e terras raras.

Segundo ele, esses recursos devem ser tratados como ativos fundamentais para o futuro do desenvolvimento brasileiro.

“Nossa riqueza precisa ser desenvolvida por nós.”

O dirigente defendeu que eventuais projetos relacionados às terras raras estejam vinculados a políticas industriais nacionais e não à simples exportação de matérias-primas.

Ceará no centro da disputa por investimentos

Fernandes também apresentou duas prioridades do Sindipetro CE/PI para os próximos anos.

A primeira é a reativação da usina de biodiesel de Quixadá, considerada estratégica para a geração de empregos e para a política de transição energética.

A segunda é o projeto de modernização da Lubnor, em Fortaleza.

Segundo ele, a unidade tem potencial para se tornar a primeira refinaria carbono neutro da Petrobras.

“A Lubnor pode ser uma referência nacional em transição energética.”

O dirigente argumentou que os investimentos previstos teriam impacto direto na economia cearense e fortaleceriam a presença da Petrobras na região Nordeste.

Abertura reúne lideranças políticas e sindicais

A abertura do 41º Congresso Regional dos Petroleiros acontece no dia 12 de junho, às 18h30, no Hotel Sonata de Iracema, em Fortaleza.

Entre os convidados confirmados estão o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, o deputado federal Inácio Arruda e a deputada estadual Larissa Gaspar.

Além das discussões sobre soberania energética e Petrobras, a programação abordará temas relacionados à igualdade racial, direitos das mulheres, população LGBTQIA+ e democracia.


Referências

  • Brasil: Terra Conturbada (Brazil: The Troubled Land)
    Direção: George Stoney
    Ano: 1964

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