João Aguiar relata bastidores da Global Sumud Flotilla, denuncia violência contra ativistas e defende mobilização global em apoio ao povo palestino
Da Redação
As denúncias de violência contra ativistas internacionais que tentam levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza estiveram no centro da mais recente edição do programa Trilhas pela Soberania, iniciativa da TV Código Aberto e da Rede Lawfare Nunca Mais. O entrevistado foi João Aguiar, ativista político, internacionalista brasileiro e um dos coordenadores da delegação brasileira da Global Sumud Flotilla, missão internacional voltada à solidariedade ao povo palestino.
Durante a entrevista, João detalhou o funcionamento da organização, os objetivos das missões humanitárias e os episódios ocorridos após a interceptação de embarcações por forças israelenses. Segundo ele, a principal meta da flotilha é romper não apenas o bloqueio físico imposto a Gaza, mas também o isolamento político e informacional que, em sua avaliação, contribui para invisibilizar o sofrimento da população palestina.
“A solidariedade internacional mostra que Gaza não está sozinha. O mundo sabe que eles existem e sabe o que estão passando”, afirmou.
A Global Sumud Flotilla reúne organizações de diversos países e atua por mar e por terra em iniciativas voltadas à entrega de ajuda humanitária e à denúncia da situação enfrentada pelos palestinos. João explicou que a coalizão foi criada há cerca de um ano a partir da união de diferentes movimentos internacionais que já atuavam em defesa da Palestina.
Atualmente, segundo ele, a rede conta com representantes em dezenas de países e organiza missões envolvendo ativistas, profissionais de saúde, advogados, trabalhadores humanitários e militantes de direitos humanos.
“O chamado palestino é o que nos move. Nosso papel é denunciar os abusos e tentar romper esse cerco criminoso imposto à população de Gaza”, declarou.
Interceptação em águas internacionais
Um dos pontos centrais da entrevista foi a descrição da mais recente missão da flotilha, interceptada em águas internacionais. João afirmou que os ativistas foram submetidos a abordagens violentas e relatou agressões físicas, detenções e intimidações durante a operação.
Segundo ele, os integrantes da missão seguem protocolos de segurança desenvolvidos ao longo de anos de atuação. Mesmo assim, as ações militares representam riscos constantes.
“A gente já foi atacado com bombas, com drones, com jatos de água e com diversos tipos de violência. Mas continuaremos navegando”, afirmou.
O ativista relatou que os participantes passam semanas em treinamento antes das missões, aprendendo procedimentos de segurança, comunicação e resposta a eventuais abordagens militares.
De acordo com João, a interceptação mais recente foi particularmente agressiva.
“Tivemos pessoas com fraturas, perfuração de pulmão, agressões físicas e denúncias de abuso sexual. Houve muita violência nessa operação.”
Acusações e campanhas de deslegitimação
Outro tema debatido foi a tentativa de associar os integrantes da flotilha a atividades criminosas ou terroristas.
João afirmou que organizações de solidariedade à Palestina enfrentam campanhas permanentes de desinformação e criminalização.
“Transformar ativistas humanitários em terroristas é uma das estratégias utilizadas para tentar impedir nosso trabalho.”
Segundo ele, diversos participantes das missões enfrentam dificuldades para viajar internacionalmente, passam por procedimentos extras de imigração e, em alguns casos, são alvo de restrições administrativas e campanhas de difamação.
Ainda assim, o coordenador da delegação brasileira acredita que essas reações demonstram o impacto crescente das ações internacionais de solidariedade.
“Quando eles aumentam os ataques, isso também mostra que estamos conseguindo romper parte do bloqueio informacional.”
Mobilização internacional
Ao longo da conversa, João destacou a importância das manifestações que vêm ocorrendo em diversas partes do mundo em apoio à população palestina.
Ele citou protestos realizados em países europeus, ações de sindicatos, mobilizações estudantis e campanhas de boicote como sinais de uma mudança gradual na percepção pública sobre o conflito.
“A gente acredita que somente um grande levante global poderá produzir mudanças efetivas. É preciso que governos e sociedades se mobilizem.”
O ativista defendeu que a solidariedade internacional ultrapasse fronteiras ideológicas e partidárias.
“Nossa organização é civil. Chamamos pessoas de todas as religiões, de todas as posições políticas e de todos os países para se unirem contra a violência e em defesa da dignidade humana.”
O papel da comunicação
Durante o programa, os participantes também discutiram o papel da mídia na cobertura do conflito.
João criticou o que chamou de bloqueio informacional sobre a situação palestina e elogiou o trabalho de veículos independentes que acompanham as ações da flotilha.
Para ele, a mobilização não depende apenas dos ativistas que participam diretamente das missões.
“As pessoas que compartilham informações, que divulgam o que acontece e que ajudam a romper o silêncio também fazem parte dessa luta.”
Segundo o coordenador, a proteção dos ativistas depende, em grande medida, da atenção pública internacional.
“Quem está em terra também navega com a gente.”
“Não podemos assistir a isso parados”
Na reta final da entrevista, João Aguiar relacionou a causa palestina a um debate mais amplo sobre direitos humanos, colonialismo e soberania dos povos.
Pai de três filhos, ele afirmou que vê sua atuação como parte de uma responsabilidade histórica diante das futuras gerações.
“A luta palestina é um chamado para a nossa geração. Não podemos assistir a isso parados.”
Para ele, o objetivo das missões não se limita à entrega de ajuda humanitária.
“Mais do que levar alimentos ou medicamentos, queremos mostrar que a humanidade ainda é capaz de se levantar diante da injustiça.”
📺 Código Aberto
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/@TVCodigoAberto
📲 Pix: codigoaberto.net@gmail.com
🌐 https://www.codigoaberto.net/
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O



