Sousa Júnior – Diretor da Atitude Popular
A ação militar e o sequestro de Maduro realizados na madrugada de 3 de dezembro, pelos EUA, surtiram efeito contrário ao que ocorreu na última eleição de Nicolás Maduro, em que houve protestos de vários países sobre o processo eleitoral, inclusive de países dirigidos por lideranças de esquerda.
Salvo manifestações isoladas de apoio da extrema-direita, como a de Milei na Argentina e de bolsonaristas no Brasil, a ação terrorista americana foi duramente rechaçada pelos BRICS e diversos países e, certamente, será condenada pelo Conselho de Segurança da ONU amanhã, 5/1, em reunião extraordinária para avaliar esse ataque à soberania da Venezuela.
A China exige a libertação imediata de Maduro e comunicou que não mais comprará petróleo através dos EUA e sim diretamente da Venezuela. A Rússia está exigindo esclarecimentos sobre o paradeiro de Maduro. A Índia também adiantou que não reconhecerá nenhum governo que seja imposto pela força. O Irã condenou a ação como ato terrorista contra o Sul Global e o Brasil classificou a ação como ameaça a toda comunidade internacional.
Vários países fora dos BRICS também se manifestaram ontem, 3, contra a ação militar dos EUA, como Cuba, Turquia e Colômbia, além de manifestações populares em várias partes do mundo, inclusive em Nova Yorque e aqui no Brasil em frente à embaixada americana em Brasília.
Ainda é prematuro avaliar as consequências desse ato de agressão militar em um mundo que deixou de ser unipolar e em uma região que não é mais quintal dos EUA, como nas décadas de 1960 e 70 em que esse país patrocinou golpes militares, inclusive no Brasil, sem qualquer reação internacional de envergadura, exceto de partidos democráticos e militantes populares que emprestaram suas vidas e seu sangue para derrotar as ditaduras militares.
Dois pontos foras da curva nessa reação internacional de povos, países e partidos democráticos. Um é a forma como a imprensa hegemônica trata da invasão americana, ora chamando o sequestro de Maduro de “captura” ou “prisão”, como se tratasse de um condenado pela Justiça, ora escondendo os reais motivos da invasão: a apropriação criminosa do petróleo e de terras raras da Venezuela.
O outro ponto fora da curva parece piada, mas é verdade: setores autoproclamados de esquerda ou progressistas, culpam o presidente Lula pela ação tresloucada de Trump. Leiam a propósito mais um excelente artigo de Sara Goes, colunista do Brasil 247 e apresentadora de programas da Atitude Popular: Entre Maduro e Trump, quem apanha é Lula | Brasil 247
Nada se compara, porém, a quem apoia a ação trumpista. Bastaria produzir um vídeo por IA simulando um ataque militar americano ao Rio de Janeiro, por exemplo, e mostrar esses “patriotários” comemorando a matança de nossa gente. Mas “talvez não lhes venha qualquer reação”, pois como diz a bela canção de Lupicínio “há pessoas com nervos de aço, sem sangue na veia e sem coração”. Ou sem neurônios no cabeção. Os bolsonaristas são assim.


