Da Redação
O ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), alterou sua autodeclaração racial no registro de candidatura apresentado à Justiça Eleitoral. Depois de ter se identificado como pardo nas eleições de 2016, 2018, 2020, 2022 e 2024, o político passou a se declarar branco no cadastro entregue para a disputa de 2026.
A mudança foi registrada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e provocou repercussão imediata por envolver um dos principais nomes da oposição baiana em um estado onde a maioria da população se autodeclara preta ou parda, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A legislação eleitoral brasileira adota o princípio da autodeclaração para o preenchimento da informação racial dos candidatos. Dessa forma, não há necessidade de justificar alterações entre uma eleição e outra, nem existe um procedimento automático de verificação por parte da Justiça Eleitoral.
Ainda assim, a mudança chamou atenção porque rompe uma sequência de cinco eleições consecutivas nas quais ACM Neto havia informado pertencer ao grupo racial pardo.
Mudança reacende debate sobre autodeclaração
O episódio trouxe de volta uma discussão que costuma aparecer em processos seletivos para universidades, concursos públicos e políticas de ação afirmativa: os limites da autodeclaração racial e sua relação com a identidade, a percepção social e o acesso a direitos.
Nos últimos anos, diversas instituições públicas passaram a adotar comissões de heteroidentificação para confirmar declarações de candidatos que disputam vagas reservadas a pessoas negras. O objetivo é reduzir fraudes em políticas de cotas.
No caso das candidaturas eleitorais, porém, a autodeclaração possui finalidade estatística e não interfere no registro da candidatura nem na distribuição de recursos do fundo eleitoral.
União Brasil atribui alteração a erro
Após a divulgação da mudança, a assessoria de ACM Neto informou que a classificação como branco decorreu de um erro no preenchimento dos dados enviados ao Tribunal Superior Eleitoral e afirmou que solicitará a correção do registro.
Segundo a equipe do candidato, ACM Neto continua se autodeclarando pardo e a alteração não corresponde à informação que pretendia apresentar à Justiça Eleitoral.
O episódio ocorre em um momento de intensa movimentação política na Bahia. ACM Neto busca retornar ao governo estadual após ter sido derrotado por Jerônimo Rodrigues nas eleições de 2022 e tenta reunificar a oposição em torno de sua candidatura.
Embora a explicação apresentada pela campanha atribua a mudança a um equívoco administrativo, o caso ganhou repercussão nacional por envolver um tema sensível no debate público brasileiro e por ocorrer durante o processo de registro das candidaturas para as eleições de 2026.

