Alckmin afirma que principal avanço da reunião Lula-Trump foi decisão de priorizar retirada de tarifas

Da Redação

O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o grande resultado da reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump foi o entendimento de tratar com prioridade a retirada ou redução de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. O pronunciamento reforça o enfoque econômico da diplomacia brasileira e marca passo estratégico para 2026.

Durante entrevista à imprensa nesta segunda-feira (27 de outubro de 2025), Alckmin afirmou que, na conversa bilateral entre Lula e Trump realizada em Kuala Lumpur, ficou claro que o “principal passo” foi o acordo de que “vamos priorizar a retirada de tarifas”. Segundo ele, esse avanço simboliza mais do que um gesto diplomático: representa a abertura de um capítulo novo para o comércio entre Brasil e Estados Unidos.

Alckmin explicou que a tarifa imposta pelos EUA a produtos brasileiros vinha sendo Organização das Nações Unidas e organizações nacionais como obstáculo relevante para exportações e para a competitividade da cadeia produtiva nacional. “Se esse passo for concretizado, abriremos espaço para investimentos, maior previsibilidade para empresários e uma balança comercial menos dependente de soluções ad hoc”, disse.

Para o governo brasileiro, a declaração de Alckmin sinaliza que a diplomacia externa está adquirindo componente estratégico-econômico interno: não basta firmar bons acordos no exterior — é necessário que esses se repercutam em emprego, indústria e crescimento doméstico. O governo já mobiliza Ministério da Fazenda, da Indústria e Comércio Exterior e dos Exportadores para monitorar setores que mais sofreram com tarifas elevadas, como aço, etanol e manufaturados.

Em Brasília, analistas políticos destacam que a afirmação de Alckmin também tem um componente eleitoral: com vistas a 2026, o governo busca construir a narrativa de que opera não apenas no plano ideológico, mas entrega resultado concreto — “relacionamento exterior que abre portas, não apenas discursos”. Essa narrativa, se bem desencadeada, reforçará a imagem de Lula como gestor pragmático e não apenas como líder das esquerdas tradicionais.

Os próximos dias serão decisivos na operacionalização do acordo implícito: equipes técnicas de Brasil e EUA devem se reunir para definir cronograma, setores-chave e eventuais contrapartidas. O governo brasileiro entende que esse avanço não está garantido automaticamente — dependerá de pressão interna, de unidades produtivas nacionais e, sobretudo, de manter a coerência entre diplomacia e indústria.

Alckmin ressaltou que o Brasil não aceitará “vaguidões”. O compromisso com a retirada de tarifas precisa vir acompanhado de ângulos garantidos de previsibilidade comercial, cláusulas de revisão periódica e mecanismos de arbitragem que protejam o país de futuros choques. Essa postura reflete o desejo brasileiro de negociar relações de “igual para igual” e evitar que o Brasil se torne mera extensão de agendas externas.

Por fim, o vice-presidente sublinhou que o passo alcançado “abre uma janela de oportunidade”, mas que o governo permanece vigilante. “Vamos acompanhar de perto. Quero ver para crer”, disse. A declaração resume a combinação de otimismo diplomático com realismo operário que marca a fase atual da gestão.

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