Durante convenção que oficializou a chapa Lula e Alckmin, vice-presidente usou humor para defender a segurança do sistema eleitoral e responder a ataques às urnas eletrônicas
Da Redação
A defesa das urnas eletrônicas ganhou um dos momentos mais comentados da Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores neste domingo (2), em São Paulo. Em meio ao discurso que oficializou a candidatura do Presidente Lula à reeleição, o vice-presidente Geraldo Alckmin recorreu ao humor para rebater críticas dirigidas ao sistema eleitoral brasileiro.
“A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano.”
A frase provocou risos e aplausos da plateia e sintetizou um dos eixos políticos da campanha governista: a defesa da Justiça Eleitoral e da confiabilidade do processo de votação.
A declaração foi feita poucos minutos depois de Alckmin voltar a defender as urnas eletrônicas e criticar candidatos que colocam em dúvida a legitimidade das eleições.
“Quem não acredita no voto popular não devia nem ser candidato a presidente.”
A sequência dos dois comentários transformou um tema técnico em uma mensagem política de fácil assimilação pelo público presente.
Resposta às pressões externas
A referência a argentinos e americanos ocorre em um momento em que o sistema eleitoral brasileiro voltou ao centro do debate político.
Nas últimas semanas, aliados da oposição passaram a fazer novas críticas às urnas eletrônicas, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar a política brasileira e o processo eleitoral do país. Também houve declarações de integrantes da oposição dirigidas a representantes estrangeiros questionando a segurança do sistema brasileiro de votação.
Sem mencionar adversários nominalmente, Alckmin utilizou a frase para reforçar que apenas eleitores brasileiros podem decidir o resultado das eleições nacionais.
Defesa da Justiça Eleitoral
O vice-presidente também afirmou que os ataques às urnas costumam surgir quando candidatos antecipam uma possível derrota.
“A descrença das urnas é cheiro, fumaça de derrota.”
Ao defender o sistema eletrônico, Alckmin recordou que a eleição de 2022 foi seguida por uma tentativa de ruptura institucional e associou a confiança nas eleições ao respeito pela democracia.
“Os nossos adversários, perdendo as eleições, tentaram um golpe de Estado.”
Na avaliação do vice-presidente, quem rejeita previamente o resultado das urnas contradiz o próprio princípio da disputa eleitoral.
Urnas completam três décadas
Em 2026, o sistema eletrônico de votação completa 30 anos de utilização no Brasil. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a informatização do processo eleitoral eliminou etapas manuais de votação e apuração que historicamente favoreciam fraudes, passando a registrar e totalizar eletronicamente os votos em todo o país.
O TSE afirma que os programas utilizados nas urnas são desenvolvidos e controlados pela própria Justiça Eleitoral e que os equipamentos registram individualmente cada voto, preservando o sigilo do eleitor.
Frase resume estratégia da campanha
Embora o discurso de Alckmin tenha abordado indicadores econômicos, reforma tributária, educação e crescimento da indústria, a observação sobre argentinos e americanos rapidamente se destacou entre os trechos mais repercutidos da convenção.
Em poucas palavras, o vice-presidente procurou responder às críticas ao sistema eleitoral sem recorrer a uma explicação técnica. A frase condensou a mensagem política que o governo pretende sustentar durante a campanha: a eleição brasileira pertence aos eleitores brasileiros, é organizada pela Justiça Eleitoral e não deve ser condicionada por pressões ou questionamentos vindos de fora do país.


