Por Sousa Júnior
Diretor da Atitude Popular
Em vez de responder as perguntas de Renata Lo Prete, durante a sabatina do Jornal Nacional de sexta-feira, 16, Flávio B. mentiu, omitiu e fugiu diversas vezes. Mas das perguntas sem resposta a que mais revela sua dupla face foi sobre a supressão do artigo 23 do Estatuto do Desarmamento através do Projeto de Lei 3.723/2019 defendido por ele, que foi aprovado na Câmara em 2019, mas aguarda parecer da CCJ no Senado.
O PL prevê a dispensa de dispositivo de segurança e identificação gravada no corpo das armas vendidas legalmente e elimina a exigência de marcação de munições e código de rastreio, impedindo, portanto, como está no Artigo 23 do Estatuto do Desarmamento, que armas e munições apreendidas possam ser rastreadas desde a sua venda.
Na sabatina, Flávio classificou isso como um “detalhezinho em cima de uma cápsula”. Não é. Segundo reportagem do SBT News (06/01/2023), o governo Bolsonaro (PL) liberou, no período de janeiro de 2019 a dezembro de 2022, 1.041 armas por dia para o cidadão comum. No total, 1,5 milhão de armas foram autorizadas pelo Exército e pela Polícia Federal. Em comparação com os quatro anos anteriores, um aumento de 88%, como resultado da política de Bolsonaro de flexibilização do Estatuto do Desarmamento.
O tal “detalhezinho” possibilita identificar quem comprou armas e munições apreendidas, como ocorre com a numeração de um chassi de veículo usado para cometer crime. Uma vez apreendido, o dono do veículo será investigado. Imaginem se esse arsenal de 1,5 milhão de armas e um bilhão de munições vendidas durante o governo Bolsonaro não pudesse ser rastreado. O crime organizado dominaria o país.
Muito mais que os amigos criminosos, vários dos quais estão presos, o PL 3.723, que impede proprietários de armas e munições serem identificados, revela a verdadeira face de Flávio B. de protetor do crime organizado. A outra face, de inimigo das organizações criminosas e da corrupção, assim como de defesa dos direitos sociais e da democracia, é falsa e eleitoreira, e nela só acredita quem é desinformado ou se beneficia também do crime e da corrupção.
Tomara que Lula, no primeiro confronto de logo mais na Band, revele a face verdadeira de Flávio B., tão podre quanto uma maçã verde de um lado e podre do outro.


