Vídeo divulgado por Kleber Mendonça Filho reúne nomes do cinema brasileiro e mundial; DJ pede providências para garantir o deslocamento de comunidades indígenas às urnas
A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), duas manifestações envolvendo personalidades da cultura trouxeram à discussão diferentes dimensões da participação política no Brasil. Enquanto artistas brasileiros e estrangeiros divulgaram um vídeo de apoio à reeleição do Presidente Lula, o DJ Alok cobrou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) providências para assegurar que eleitores indígenas consigam chegar aos locais de votação.
O vídeo foi publicado na sexta-feira (23) pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de O Agente Secreto, em sua conta na rede social X. A gravação reúne atores, diretores e músicos que fazem o gesto conhecido como “L” e declaram apoio ao candidato do PT. Entre os participantes estão Tilda Swinton, Javier Bardem, Mark Ruffalo, Guillermo del Toro, Pedro Almodóvar, Wagner Moura, Bruna Marquezine, Sônia Braga e Caetano Veloso.
A iniciativa reúne nomes de diferentes países em uma manifestação pública sobre a eleição brasileira. O vídeo apresenta declarações de apoio a Lula e associa a disputa a temas como democracia, cultura, educação, direitos sociais e preservação ambiental. A publicação ocorre na reta final da campanha, quando os candidatos intensificam a busca por apoio e ampliam a circulação de mensagens nas redes sociais.
A participação de artistas internacionais também evidencia o interesse de integrantes da comunidade cultural estrangeira no resultado da eleição brasileira. As manifestações públicas de apoio integram o ambiente político da campanha, no qual personalidades de diferentes áreas expressam suas posições sobre a disputa presidencial.
Alok cobra medidas para garantir o voto indígena
Na mesma sexta-feira, Alok publicou uma cobrança ao TSE sobre as condições de transporte de eleitores indígenas para o segundo turno. Segundo o artista, ele recebeu informações de que diversas aldeias enfrentavam dificuldades logísticas e falta de recursos para garantir o deslocamento até as urnas.
Alok afirmou que havia se oferecido para custear as viagens, mas foi informado de que a legislação eleitoral impede esse tipo de apoio privado no período. O artista pediu que a Justiça Eleitoral e as prefeituras adotassem providências para assegurar o acesso dos eleitores aos locais de votação.
A manifestação chama a atenção para obstáculos concretos enfrentados por comunidades indígenas durante o processo eleitoral. Em determinadas regiões, as grandes distâncias, a dependência de transporte fluvial e a falta de combustível ou de veículos tornam o deslocamento uma operação que exige planejamento e articulação entre diferentes órgãos públicos.
O Ministério Público Federal informou, em 14 de outubro, que havia recebido relatos de dificuldades enfrentadas por eleitores indígenas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Entre os problemas apontados estavam a falta de transporte adequado e barreiras de comunicação nos locais de votação. O órgão orientou integrantes do Ministério Público Eleitoral a acompanhar as providências para o segundo turno.
Justiça determina medidas para o transporte de eleitores
Na quinta-feira (22), a Justiça Federal determinou que a União adotasse, em até 24 horas, medidas para garantir o deslocamento de eleitores indígenas às urnas em todo o país. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público Federal e prevê transporte gratuito por via terrestre, fluvial ou aérea, conforme as necessidades de cada comunidade, além de alimentação durante os deslocamentos.
A determinação também prevê apoio emergencial às prefeituras para viabilizar combustível, veículos e embarcações, além da disponibilização de intérpretes e sinalização em línguas indígenas nos locais de votação onde houver necessidade. Em caso de descumprimento injustificado, foi estabelecida multa diária de R$ 1 milhão.
A Defensoria Pública da União também acionou o Supremo Tribunal Federal para solicitar transporte público gratuito em todo o país durante o segundo turno e impedir a redução da frota ou da frequência das viagens no dia da votação. A instituição apontou que a ausência de transporte pode afetar especialmente moradores de áreas rurais e comunidades distantes dos centros urbanos.
As regras eleitorais asseguram transporte para eleitores que vivem em territórios indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais, inclusive quando o deslocamento ultrapassa os limites municipais. A organização do serviço deve observar as normas da Justiça Eleitoral e não pode ser utilizada para influenciar a escolha do eleitor.
No caso do Vale do Javari, no Amazonas, o Tribunal Regional Eleitoral informou, em 22 de outubro, que as questões relacionadas ao combustível e ao apoio logístico haviam sido resolvidas após articulação com lideranças indígenas, autoridades municipais e instituições públicas. A situação, porém, não elimina a necessidade de acompanhar as condições de transporte em outras regiões do país.
As duas manifestações registradas na sexta-feira tratam de formas distintas de participação na eleição. O vídeo organizado por Kleber Mendonça Filho expressa o posicionamento político de artistas que decidiram tornar público seu apoio a Lula. A cobrança de Alok chama a atenção para a responsabilidade dos órgãos públicos em assegurar que eleitores indígenas tenham condições concretas de participar da votação.
Com o segundo turno marcado para domingo, a garantia do acesso às urnas permanece entre as questões que exigem atenção das autoridades eleitorais e dos governos responsáveis pela logística do transporte.






