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Ataque à escola no Irã mata 148 meninas e choca o mundo

Da Redação

Bombardeio durante ofensiva EUA-Israel atinge escola primária feminina, deixa dezenas de crianças mortas e provoca indignação global, com acusações de crime de guerra e colapso da proteção a civis.

A guerra iniciada pelos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu, neste 1º de março de 2026, um dos seus momentos mais brutais e simbólicos. Um bombardeio contra a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do país, deixou pelo menos 148 mortos, a maioria meninas entre 7 e 12 anos, além de dezenas de feridos.

O ataque ocorreu na manhã do dia 28 de fevereiro, durante o horário de aulas, quando cerca de 170 estudantes estavam no prédio. Um míssil atingiu diretamente a estrutura escolar, provocando o colapso do teto e soterrando crianças e funcionários sob os escombros.

Imagens verificadas por veículos internacionais mostram mochilas ensanguentadas, cadernos espalhados entre destroços e equipes de resgate tentando retirar corpos de crianças sob os escombros.

O episódio mais letal da guerra até agora

O bombardeio é considerado o evento com maior número de vítimas civis desde o início da ofensiva militar. Relatos apontam entre 148 e mais de 150 mortos, com números ainda sujeitos a revisão devido à dificuldade de acesso independente ao local.

Autoridades iranianas classificaram o ataque como um “crime de guerra” e acusaram diretamente Estados Unidos e Israel de responsabilidade.

Por outro lado, o comando militar dos Estados Unidos reconheceu relatos de vítimas civis, afirmou que está investigando o caso e reiterou que não tem como alvo deliberado a população civil.

A disputa de narrativas é intensa. Enquanto o Irã sustenta que se trata de um ataque direto contra uma instituição civil protegida pelo direito internacional, há alegações de que a escola ficava próxima a instalações militares, o que, segundo algumas versões, poderia ter influenciado o alvo da operação — ainda que isso não justifique legalmente o ataque a civis.

Infanticídio e colapso das regras da guerra

Independentemente das versões em disputa, o impacto político e moral do episódio é devastador. O ataque a uma escola primária feminina — com vítimas majoritariamente crianças — rompe um dos limites mais sensíveis das normas internacionais de guerra.

Organizações e analistas classificam o episódio como um colapso da proteção a civis em conflitos contemporâneos. Escolas são, por definição, espaços protegidos pelo direito internacional humanitário, e ataques contra elas são considerados violações graves.

A dimensão do massacre produz uma mudança qualitativa na guerra. O conflito deixa de ser percebido apenas como uma disputa geopolítica entre Estados e passa a ser interpretado, por amplos setores da comunidade internacional, como um evento com características de barbárie contra civis.

A guerra entra em nova fase

O bombardeio da escola não é um episódio isolado. Ele ocorre dentro de uma ofensiva mais ampla que já atingiu dezenas de regiões do Irã, com centenas de mortos e milhares de deslocados.

Mas há um elemento novo: o impacto simbólico. A morte de crianças transforma o conflito em um ponto de inflexão.

Internamente, o episódio tende a fortalecer a coesão nacional iraniana diante do que é percebido como agressão externa. Externamente, amplia a indignação global, inclusive entre setores que não apoiam o governo iraniano, mas rejeitam ataques contra civis.

O Sul Global reage

O massacre em Minab reforça uma leitura crescente no Sul Global: a de que a ordem internacional vive uma crise profunda, marcada pela seletividade na aplicação do direito internacional.

Para muitos países e analistas, o episódio evidencia que há uma assimetria estrutural. Enquanto potências militares operam com margem ampliada de ação, Estados fora do eixo central são frequentemente enquadrados como ameaças e alvos legítimos.

Nesse contexto, o Irã passa a ser visto não apenas como um ator regional, mas como símbolo de resistência a essa lógica — especialmente após sofrer ataques diretos em seu território e perdas civis massivas.

O mundo diante de um limite

O bombardeio da escola de Minab não é apenas mais um episódio de guerra. Ele representa um limite ético e político.

A morte de 148 crianças em um único ataque coloca o conflito em outro patamar. Não se trata apenas de estratégia militar ou disputa geopolítica. Trata-se de uma crise civilizatória.

O que está em jogo agora não é apenas o desfecho da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. É a própria validade das regras que, ao menos formalmente, deveriam proteger civis em tempos de guerra.

Se essas regras deixam de existir na prática, o mundo entra em um terreno ainda mais perigoso — no qual qualquer espaço pode se tornar alvo, e qualquer vida, descartável.