Avançar é votar em Cepeda”

Jornalista Leonardo Wexell Severo afirma que eleição colombiana coloca em disputa a continuidade das reformas de Gustavo Petro e o retorno de forças alinhadas ao neoliberalismo e à extrema direita

Da Redação

As eleições presidenciais da Colômbia, cujo primeiro turno ocorre em 31 de maio, foram tema da edição do programa Café com Democracia desta segunda-feira (26). Em entrevista ao apresentador Luiz Regadas, o jornalista Leonardo Wexell Severo, da ComunicaSul, analisou o cenário político colombiano e defendeu que o pleito representa uma escolha entre o aprofundamento das transformações iniciadas pelo governo de Gustavo Petro e o retorno de forças conservadoras ligadas ao neoliberalismo e à extrema direita.

Falando diretamente da Colômbia, Severo destacou que o principal candidato do campo progressista é Iván Cepeda, apontado por ele como herdeiro político do projeto iniciado por Petro. Segundo o jornalista, a disputa eleitoral ultrapassa as fronteiras colombianas e tem impacto direto sobre os rumos da integração latino-americana.

“Avançar é votar em Cepeda”, resumiu.

De acordo com o correspondente da ComunicaSul, a campanha eleitoral ocorre em um ambiente marcado pela forte concentração dos meios de comunicação nas mãos de grupos econômicos tradicionais. Ele argumenta que parte significativa da cobertura da imprensa busca minimizar mobilizações populares favoráveis ao governo e ampliar pautas associadas à insegurança pública.

Como exemplo, citou uma grande manifestação realizada em Barranquilla em apoio ao campo progressista, que, segundo ele, reuniu milhares de pessoas e recebeu pouca ou nenhuma cobertura dos principais veículos locais.

Para Severo, o debate sobre segurança tem sido utilizado eleitoralmente por setores da oposição. Ele afirma que grupos paramilitares e organizações ligadas ao narcotráfico tentam produzir um ambiente de instabilidade para desgastar o governo.

“O país vive um momento de prosperidade econômica”, afirmou, citando o aumento do salário mínimo e a expansão de políticas sociais implementadas pela atual administração.

Entre os avanços destacados pelo jornalista estão o reajuste do salário mínimo acima da inflação, a ampliação de direitos trabalhistas, programas de distribuição de renda e a reforma agrária promovida pelo governo Petro.

Segundo ele, a redistribuição de terras improdutivas vem atingindo diretamente estruturas históricas de concentração fundiária. Como exemplo, mencionou áreas que teriam sido incorporadas pelo Estado e destinadas a trabalhadores rurais após processos envolvendo grandes proprietários de terra.

Ao comparar os candidatos, Severo classificou Cepeda como um defensor dos direitos humanos, da soberania nacional e da integração regional.

“O Ivan Cepeda é um dirigente histórico, uma referência na defesa dos direitos humanos e da integração latino-americana”, afirmou.

Já os adversários do campo progressista foram apresentados pelo entrevistado como representantes de projetos alinhados ao neoliberalismo. Entre eles estão Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, ligados politicamente ao ex-presidente Álvaro Uribe.

Severo criticou duramente o legado do uribismo, especialmente em relação aos chamados “falsos positivos”, nome dado aos assassinatos de civis apresentados como supostos combatentes mortos em operações militares durante o conflito interno colombiano.

Segundo ele, milhares de casos foram documentados e continuam sendo investigados pelas autoridades colombianas.

O jornalista também chamou atenção para episódios recentes de violência política ocorridos durante a campanha. Ele relatou ataques contra lideranças de esquerda e atentados em regiões onde candidatos progressistas possuem forte apoio popular.

Apesar desse cenário, afirmou que as pesquisas seguem apontando vantagem para Cepeda. Segundo sua avaliação, a principal incógnita é saber se a vitória poderá ocorrer já no primeiro turno ou se haverá necessidade de uma nova votação em junho.

Para o entrevistado, a disputa eleitoral colombiana está inserida em um contexto continental mais amplo, marcado pela disputa entre projetos de integração regional e forças alinhadas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos.

Ele destacou que o governo Petro promoveu mudanças significativas na política externa colombiana, incluindo o rompimento de relações diplomáticas com Israel e uma postura mais independente em temas internacionais.

“O que está em jogo é a defesa da soberania nacional, dos direitos sociais e da integração latino-americana”, declarou.

Ao encerrar a entrevista, Leonardo Wexell Severo defendeu o fortalecimento da comunicação popular e das mídias independentes como instrumentos fundamentais para ampliar o debate democrático na América Latina.

Segundo ele, a democratização dos meios de comunicação continua sendo um dos principais desafios para os governos progressistas da região.

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