Da Redação
Copom decide manter juros básicos da economia em 15% ao ano, sinaliza que o patamar poderá durar por longo período frente aos riscos inflacionários persistentes.
Na reunião realizada nesta quarta-feira, 17 de setembro de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. A taxa vinha sendo mantida desde a última reunião, quando o ciclo de alta foi interrompido.
O Banco Central justificou que a atual conjuntura econômica — com inflação ainda acima da meta oficial, incertezas externas e expectativas inflacionárias desancoradas — demanda cautela para evitar retrocessos. Uma parte dos impactos da alta nas taxas de juros ainda está por se manifestar na economia, o que reforça a decisão de não reduzir os juros neste momento.
Adicionalmente, o Copom indicou que a permanência da Selic elevada é compatível com a sua estratégia de convergência da inflação para a meta de 3%. As projeções recentes do Banco Central mostram que a inflação deve fechar 2025 em torno de 4,8%. Embora haja alguma melhora esperada, o patamar de risco exige manutenção de juros altos até sinais mais robustos de controle dos preços.
A decisão deve impactar vários setores da economia: crédito mais caro, custos de financiamento elevados, efeito sobre consumo e investimentos empresariais. Por outro lado, pode dar algum fôlego às expectativas de estabilidade econômica se o nível de juros conseguir segurar a inflação sem causar abalos fortes na atividade produtiva. Analistas de mercado avaliam que o próximo corte nos juros deverá só ocorrer em 2026, dependendo fortemente da evolução dos índices de inflação, da atividade econômica e da influência de fatores externos.


