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Banco Master teria feito R$ 2,8 bi em câmbio para empresa investigada por lavagem ligada ao PCC

Da Redação

Elementos de investigação sobre o caso Banco Master indicam que o banco teria realizado operações de câmbio de cerca de **R$ 2,8 bilhões com uma empresa que está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme apurado por autoridades e na esteira de operações da Polícia Federal e do Ministério Público.

No contexto das investigações em curso sobre o Caso Banco Master, surgiram apontamentos de que a instituição financeira teria realizado **operações de câmbio na ordem de aproximadamente R$ 2,8 bilhões com uma empresa que está sendo investigada por suspeitas de **lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) — uma das maiores facções criminosas do Brasil, segundo autoridades de investigação. Esse tipo de transação financeira é um dos pontos de interesse dos investigadores, que buscam entender se o banco esteve envolvido, de forma direta ou indireta, em operações que possam servir à ocultação de recursos ilícitos.

O Banco Master tornou-se foco de uma ampla investigação financeira depois que o Banco Central do Brasil determinou sua liquidação extrajudicial em novembro de 2025 após identificar falhas graves em sua gestão, inconsistências em ativos e riscos de liquidez, além de indícios de práticas suspeitas nos controles internos da instituição. Autoridades encarregadas da investigação já qualificaram o episódio como um dos maiores escândalos financeiros recentes no país, com impacto estimado em bilhões de reais e reflexos em diversas partes do sistema financeiro.

Entre os aspectos que chamam atenção dos investigadores está a relação entre o banco e fundos de investimento ou empresas que tiveram movimentações atípicas. Um desses fundos é gerido por uma empresa que, segundo apurações feitas no âmbito domiciliar de operações policiais, aparece em levantamentos do Ministério Público Federal como parte de uma linha de investigação sobre lavagem de dinheiro e vínculos com facções criminosas, incluindo o PCC. A movimentação de grandes volumes em câmbio — operações de compra e venda de moeda estrangeira que, em teoria, deveriam ser justificadas por atividades de comércio exterior ou entradas de capital claras — reforça a necessidade de apurar a origem e a finalidade de tais recursos.

O Primeiro Comando da Capital é apontado por investigadores, inclusive em outras operações da Polícia Federal e da Receita Federal, como um dos grupos criminosos mais sofisticados do Brasil, com atuação em tráfico de drogas, extorsão, contrabando e lavagem de dinheiro. Esquemas de lavagem frequentemente envolvem empresas de fachada, transações financeiras complexas e uso de serviços cambiais para movimentar valores para o exterior ou para ocultar a origem ilícita dos recursos, o que demanda investigação aprofundada.

No caso do Master, a conexão entre grandes transações cambiais e empresas sob investigação ainda está sendo verificada pelas autoridades competentes. A Polícia Federal vem executando mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como parte da operação Compliance Zero, que mira suspeitas de fraudes financeiras, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Essa fase ampliada da investigação já resultou na apreensão de bens, bloqueio de ativos e análise de documentos relevantes para estabelecer uma linha temporal e entender fluxos financeiros atípicos.

O cenário é de intensa colaboração entre Polícia Federal, Ministério Público, Banco Central e outras autoridades regulatórias, que buscam esclarecer não apenas a eventual participação do banco em transações suspeitas, mas também se houve coautoria ou facilitação de operações que beneficiaram atividades criminosas estruturadas, como as atribuídas ao PCC. Especialistas em combate a crimes financeiros afirmam que operações de câmbio de grandes valores sem justificativa clara são frequentemente uma bandeira vermelha em investigações de lavagem, pois podem mascarar a origem ilícita de fundos ou servir como mecanismo de transferência geográfica de ativos.

Até o momento, não houve conclusão formal sobre o papel da empresa envolvida em relação ao PCC nem sobre a responsabilidade direta do Master em facilitar lavagem de dinheiro em grande escala, e as defesas legais dos envolvidos ainda podem contestar interpretações preliminares. O caso — considerado um dos maiores escândalos financeiros em andamento no Brasil — segue sob sigilo de Justiça em vários de seus aspectos, com novas fases da investigação sendo desencadeadas conforme novas provas emergem.