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Documento revela que Banco Master recebeu ultimato do Banco Central um ano antes da liquidação

Da Redação

Um ofício assinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro mostra que o **Banco Master foi notificado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2024 para corrigir falhas financeiras e de governança, reforçando que a crise que culminou na liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025 já era conhecida e tinha prazo para ser sanada.

Um documento oficial enviado pelo Banco Master ao Banco Central em 7 de novembro de 2024 revela que a instituição financeira já havia recebido um ultimato da autoridade monetária para tomar medidas corretivas em sua gestão e condição financeira pelo menos um ano antes de sua liquidação, ocorrida em novembro de 2025.

O ofício, assinado pelo principal controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi apresentado como resposta a um **termo de compromisso emitido pelo Banco Central na reta final da gestão do então presidente Roberto Campos Neto, e estipulava que o banco deveria implementar uma série de ajustes em até 180 dias — prazo que se estenderia até maio de 2025 — para reforçar a liquidez, melhorar a gestão de riscos e reforçar a governança corporativa.

Segundo o conteúdo do documento, o compromisso incluía metas parametrizadas para recomposição de capital e ativos líquidos, manutenção de recursos suficientes para honrar compromissos de curto prazo e restrições operacionais, como limitações em certas linhas de crédito até que os requisitos fossem atendidos.

A revelação enfraquece a versão de que a liquidação da instituição em novembro de 2025 teria sido inesperada para seus controladores e levanta questões sobre a sequência de decisões regulatórias e de supervisão que antecederam a intervenção definitiva. A defesa de Vorcaro, no entanto, argumentou que as medidas acordadas com o Banco Central vinham sendo cumpridas e que o banco continuava solvente até o momento da liquidação, com monitoramento constante do regulador ao longo de 2025.

O Banco Master enfrentava, desde final de 2024, episódios de problemas de liquidez e descumprimento de recolhimento de depósitos compulsórios — regra básica de exigibilidade financeira que exige que instituições mantenham certos valores para cobrir obrigações de curto prazo — e, em depoimentos à Polícia Federal, foi relatado que no dia da liquidação o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa frente a obrigações que somavam dezenas de milhões de reais.

Segundo relatório encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), a partir de novembro de 2024 foram registrados “vários episódios de recolhimento insuficiente dos depósitos compulsórios” por parte do Master, o que teria agravado a visão das autoridades sobre a capacidade do banco de honrar seus compromissos.

O documento que obrigou o compromisso é parte de um conjunto de ofícios trocados entre a autoridade reguladora e o banco ao longo de 2024, em que o Banco Central monitorou de perto a deterioração dos indicadores de risco e governança da instituição antes de decidir pela medida extrema de liquidação extrajudicial em novembro do ano passado.

A divulgação dessas informações ocorre no contexto de debates institucionais e judiciais mais amplos sobre a forma, o momento e as implicações da decisão que culminou na liquidação, com questionamentos do Tribunal de Contas da União, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de partes envolvidas na apuração sobre a consistência e o processo de supervisão adotado pelo Banco Central.

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