Urnas foram abertas às 8h para o primeiro turno das eleições de 2026; brasileiros escolhem presidente, governadores, dois senadores, deputados federais e estaduais ou distritais em uma das eleições mais disputadas dos últimos anos
Da Redação | Atitude Popular
As urnas foram abertas às 8h deste domingo, 4 de outubro, e o Brasil começou oficialmente a decidir seu futuro político. Depois de meses de campanha, pesquisas, comícios, entrevistas, debates, disputas judiciais, mobilizações nas ruas e uma batalha eleitoral sem precedentes nas redes digitais, chegou o momento em que toda essa movimentação encontra seu destino final: o voto de 158,7 milhões de brasileiras e brasileiros aptos a participar das eleições de 2026.
Das grandes capitais às pequenas cidades do interior, das periferias metropolitanas às comunidades amazônicas alcançadas depois de complexas operações logísticas, milhares de seções eleitorais começaram a receber eleitores logo pela manhã. A votação acontece até as 17h, pelo horário de Brasília, e quem estiver na fila no momento do encerramento terá assegurado o direito de votar. Nos estados com fusos diferentes, os horários locais foram ajustados para que o fechamento das urnas ocorra simultaneamente em todo o país.
É uma eleição de enorme dimensão. Neste domingo, o brasileiro não escolhe apenas quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos. Estão em disputa os governos dos estados, 54 das 81 cadeiras do Senado, as 513 vagas da Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas estaduais e a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cada eleitor fará até seis escolhas na urna eletrônica, começando por deputado federal e terminando com o voto para presidente da República.
Há ainda uma diferença importante em relação à eleição anterior. Como dois terços do Senado serão renovados neste ano, o eleitor terá direito a escolher dois candidatos ao cargo. A ordem na urna será deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e, por último, presidente. A Justiça Eleitoral recomenda levar os números anotados em papel, a tradicional “colinha”, para evitar erros e agilizar a votação.
Mas os números gigantescos da eleição não contam completamente aquilo que começa a acontecer nesta manhã. Uma eleição nacional é também a soma de milhões de pequenos gestos individuais. É o eleitor que acordou cedo, tomou café e saiu de casa antes de formar fila. É o jovem de 16 ou 17 anos que decidiu votar pela primeira vez. É a pessoa idosa que participa de mais uma eleição depois de ter atravessado períodos muito diferentes da história brasileira. É o mesário que chegou antes da abertura da seção. É o trabalhador da Justiça Eleitoral que passou semanas preparando urnas, locais de votação e sistemas para que, durante alguns minutos, cada cidadão possa ficar sozinho diante da máquina e fazer suas escolhas.
Esse momento simples é o centro de todo o processo.
Durante a campanha, candidatos possuem tempos diferentes de televisão, estruturas diferentes, recursos diferentes e capacidades diferentes de alcançar milhões de pessoas. Grandes empresas possuem poder econômico. Plataformas controlam enormes sistemas de circulação de informação. Governos possuem máquinas administrativas. Influenciadores possuem milhões de seguidores. Meios de comunicação alcançam grandes audiências.
Diante da urna, porém, cada eleitor continua possuindo um voto.
Uma eleição que chega às urnas profundamente polarizada
A disputa presidencial chega a este domingo concentrada principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro. As pesquisas divulgadas nas últimas horas mostraram uma corrida apertada e, apesar das diferenças metodológicas entre os institutos, convergiram na indicação de uma eleição fortemente polarizada.
Agora, porém, as pesquisas saem de cena.
Até ontem, institutos entrevistavam alguns milhares de brasileiros para estimar aquilo que poderia acontecer neste domingo. A partir das 17h, será possível começar a conhecer aquilo que efetivamente aconteceu. A diferença é essencial: pesquisa mede intenção de voto numa amostra da população; eleição contabiliza os votos depositados nas urnas.
Também por isso, qualquer tentativa de antecipar o resultado antes da apuração deve ser tratada com cautela. Milhões de pessoas ainda votarão ao longo do dia e somente a totalização oficial da Justiça Eleitoral determinará se a Presidência será decidida hoje ou se o Brasil voltará às urnas em 25 de outubro para um segundo turno.
O mesmo vale para as disputas estaduais. Onde nenhum candidato a governador alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, haverá nova votação no último domingo de outubro. Já as eleições proporcionais e para o Senado serão definidas neste primeiro turno.
A composição do Congresso resultante deste domingo será tão importante para os próximos quatro anos quanto a disputa presidencial. Quem ocupar o Palácio do Planalto precisará governar diante da Câmara e do Senado escolhidos hoje. É no Congresso que serão votados orçamentos, reformas, mudanças tributárias, políticas econômicas, direitos sociais e boa parte das grandes decisões legislativas do país.
O maior eleitorado da história brasileira
Segundo os números divulgados pela Justiça Eleitoral nesta manhã, aproximadamente 158,7 milhões de pessoas estão aptas a votar. É o maior eleitorado já registrado no Brasil e representa crescimento de cerca de 2,3 milhões de eleitores em comparação com 2022.
Outro dado mostra a transformação da própria infraestrutura eleitoral brasileira: aproximadamente 89% do eleitorado já possui biometria cadastrada.
Há também mais de 1,6 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos registrados para votar. Para essa faixa etária, assim como para maiores de 70 anos, o voto é facultativo. São jovens que nasceram muitos anos depois da Constituição de 1988 e que participarão agora de uma escolha nacional que ajudará a determinar o Brasil no qual entrarão na vida adulta.
No exterior, brasileiros também votam neste domingo, embora exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. Devido aos diferentes fusos horários, algumas seções fora do país começaram a funcionar muito antes da abertura das urnas no território brasileiro.
A eleição é, portanto, uma operação nacional e internacional de grande complexidade, envolvendo milhares de locais de votação, servidores, mesários e uma infraestrutura logística que precisa alcançar inclusive comunidades de difícil acesso. Neste ano, 26,5 mil militares também foram mobilizados em ações de Garantia da Votação e da Apuração e em operações de apoio logístico, especialmente em regiões nas quais o transporte de equipamentos eleitorais apresenta maiores dificuldades.
O que o eleitor precisa saber antes de sair de casa
Para votar, não é obrigatório apresentar o título eleitoral em papel. Basta um documento oficial com foto. O e-Título também pode servir como identificação quando apresentar a fotografia do eleitor. Antes de sair de casa, é recomendável verificar seção e local de votação, especialmente porque algumas pessoas podem ter sido transferidas para locais diferentes daqueles utilizados em eleições anteriores.
O celular merece atenção especial. O eleitor pode levá-lo até a seção, mas não pode entrar com o aparelho na cabine de votação. Telefones, câmeras e outros equipamentos capazes de registrar o voto precisam ser deixados no local indicado pela mesa receptora antes de o cidadão se dirigir à urna. A regra existe para preservar um dos fundamentos do sistema eleitoral: o sigilo absoluto da escolha individual.
Neste domingo também existem restrições específicas à propaganda. O eleitor pode manifestar individualmente sua preferência utilizando camiseta, broche, adesivo ou bandeira, desde que de maneira silenciosa. Não são permitidas aglomerações organizadas para propaganda, boca de urna, distribuição de material eleitoral, comícios, carreatas ou utilização de alto-falantes. Novas propagandas eleitorais também não podem ser publicadas ou impulsionadas na internet durante o dia da votação, embora conteúdos publicados anteriormente possam permanecer disponíveis.
São regras destinadas a preservar justamente aquilo que deve prevalecer hoje: a liberdade do eleitor.
Depois de meses ouvindo candidatos, campanhas, partidos, jornalistas, influenciadores, pesquisas, familiares, amigos e adversários, o cidadão finalmente fica sozinho diante da urna.
É ali que a campanha termina.
Às 17h começa outra história
Quando a votação for encerrada, começará imediatamente a apuração. A Justiça Eleitoral disponibilizará os resultados à medida que os votos forem totalizados, permitindo acompanhar a evolução das disputas em todo o país.
A Atitude Popular acompanhará esse processo durante todo o domingo, verificando informações, atualizando resultados e observando eventuais ocorrências que possam afetar a normalidade da votação. Num dia especialmente vulnerável à circulação de boatos, vídeos antigos, montagens e informações fora de contexto, a recomendação é simples: desconfie de mensagens alarmistas sem fonte e consulte informações oficiais antes de compartilhar qualquer conteúdo relacionado ao processo eleitoral.
Até lá, entretanto, existe uma história muito maior acontecendo silenciosamente em escolas, universidades e milhares de outros locais de votação.
O Brasil está votando.
São quase 159 milhões de pessoas com experiências, rendas, profissões, religiões, histórias e visões políticas profundamente diferentes. Algumas votarão entusiasmadas. Outras votarão preocupadas. Algumas já decidiram há meses. Outras chegaram a este domingo ainda pensando na escolha.
Todas encontrarão diante de si a mesma urna.
A democracia brasileira é cheia de contradições e imperfeições. O poder econômico não desaparece durante uma eleição. A desigualdade não desaparece. A disputa pela informação não desaparece. Tampouco desaparecem os enormes conflitos que atravessam uma sociedade com mais de 200 milhões de habitantes.
Mas, durante algumas horas deste domingo, existe uma pergunta que precisa ser respondida pelo voto.
Quem deve receber o poder de governar?
Às 8h da manhã, as urnas foram abertas.
Às 17h, elas serão encerradas.
Depois virão números, porcentagens, vitórias, derrotas, comemorações e, possivelmente, uma nova campanha de segundo turno.
Agora, entretanto, é a hora do eleitor.
O Brasil começou a votar.
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