Da Redação
Saldo positivo do Caged mostra continuidade da recuperação do mercado de trabalho, com destaque para São Paulo, Rio e Pernambuco; resultado reforça tendência de formalização, mas indica desaceleração frente a 2024.
O mercado de trabalho formal no Brasil registrou a criação de 147.358 vagas com carteira assinada em agosto de 2025. O saldo decorreu de mais de 2,2 milhões de admissões contra pouco mais de 2 milhões de desligamentos, confirmando a resiliência do emprego formal, ainda que em ritmo moderado quando comparado ao ano anterior.
No acumulado de janeiro a agosto, o país já soma 1,5 milhão de novas vagas, elevando o estoque de empregos formais a quase 49 milhões. Desde o início de 2023, já foram mais de 4,6 milhões de postos criados, consolidando uma trajetória de recuperação sustentada após o período de crise.
A abertura de vagas foi disseminada: 25 das 27 unidades da Federação tiveram saldo positivo. São Paulo liderou com cerca de 45 mil novos postos, seguido por Rio de Janeiro, com mais de 16 mil, e Pernambuco, com aproximadamente 12 mil. O resultado mostra que a recuperação atinge tanto os grandes centros quanto regiões do Norte e Nordeste, impulsionadas por políticas locais de atração de investimentos.
Apesar dos números positivos, analistas apontam sinais de desaceleração. O saldo de agosto ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2024, quando foram abertas cerca de 239 mil vagas. A diferença sugere que, embora o emprego continue em expansão, o ritmo de crescimento arrefeceu diante de um cenário econômico menos aquecido.
O salário médio real de admissão em agosto ficou em torno de R$ 2.295, mostrando leve aumento em relação aos meses anteriores. Especialistas destacam, contudo, que os ganhos se concentram em setores mais dinâmicos, enquanto ocupações de menor qualificação ainda sofrem com baixos níveis de remuneração. A qualidade do emprego, medida por salário, estabilidade e benefícios, segue como ponto central do debate.
Setorialmente, serviços, comércio e segmentos industriais foram responsáveis pela maior parte das contratações, enquanto a construção civil apresentou variações de acordo com a execução de obras públicas e investimentos privados. Para especialistas, a continuidade da expansão depende de políticas que sustentem a demanda e de investimentos em produtividade e qualificação da mão de obra.
No plano político, os números reforçam a narrativa de recuperação do governo, mas também servem de alerta. A criação de empregos formais em ritmo positivo ajuda a fortalecer a renda e o consumo, mas a desaceleração em relação ao ano passado pode aumentar pressões por novas medidas de estímulo e por políticas que reduzam desigualdades regionais e setoriais.
Em síntese, os dados de agosto confirmam a manutenção de um ciclo de geração de vagas formais, mas também evidenciam que o país precisa encontrar estratégias para sustentar e qualificar esse crescimento. O desafio agora é combinar estabilidade macroeconômica, políticas sociais e investimentos para garantir que os avanços no mercado de trabalho se traduzam em ganhos duradouros para a população.












