Da Redação
Planilhas revelam volume bilionário de operações entre BRB e Banco Master, mesmo após indícios de irregularidades, ampliando suspeitas sobre um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
A revelação de que o Banco de Brasília realizou compras que somam ao menos R$ 30,4 bilhões em ativos do Banco Master adiciona uma nova camada de gravidade ao escândalo financeiro que já é considerado um dos maiores do país nos últimos anos.
Os dados, obtidos a partir de planilhas e documentos analisados em investigações recentes, mostram que as aquisições ocorreram entre julho de 2024 e outubro de 2025, envolvendo principalmente carteiras de crédito de diferentes naturezas, incluindo consignado, crédito varejista e instrumentos financeiros estruturados.
O volume impressiona não apenas pelo tamanho, mas pelo contexto em que foi realizado.
Segundo as apurações, parte relevante dessas compras continuou mesmo após o próprio BRB identificar indícios de irregularidades e possível fraude em ativos adquiridos anteriormente. Ainda assim, novas operações foram realizadas, incluindo aquisições adicionais que chegaram a dezenas de bilhões de reais.
Esse ponto é central.
Em março de 2025, sinais de inconsistência já haviam sido detectados em parte das carteiras. Ainda assim, o banco seguiu ampliando sua exposição, adquirindo novos ativos e mantendo o fluxo de negócios com o Banco Master.
A estrutura das operações também levanta questionamentos.
Os ativos negociados incluíam desde crédito consignado até instrumentos mais complexos, como Certificados de Recebíveis Imobiliários e cédulas de crédito bancário. Em muitos casos, investigações apontam que esses ativos poderiam estar lastreados em operações de baixa qualidade ou até inexistentes, dentro de um modelo mais amplo de suspeita de fraude financeira.
Esse padrão já havia sido identificado anteriormente.
O modelo de negócios do Banco Master vinha sendo investigado por práticas como emissão de títulos sem lastro comprovado, manipulação de ativos e utilização de estruturas financeiras complexas para dificultar rastreamento e controle.
Dentro desse contexto, a relação com o BRB ganha dimensão ainda mais sensível.
O Banco de Brasília é uma instituição pública, controlada pelo governo do Distrito Federal. Isso significa que qualquer impacto financeiro relevante decorrente dessas operações pode, direta ou indiretamente, recair sobre recursos públicos.
E os impactos já começaram a aparecer.
Relatórios e estimativas indicam que as perdas associadas às operações com o Banco Master podem alcançar bilhões de reais, com necessidade potencial de aportes ou reestruturações para recompor o equilíbrio financeiro da instituição.
Outro dado que chama atenção é a discrepância entre valores.
Embora o total de aquisições tenha alcançado R$ 30,4 bilhões, avaliações posteriores indicam que parte dessas carteiras pode valer significativamente menos, levantando suspeitas sobre sobrepreço ou deterioração acelerada dos ativos.
Além disso, houve tentativas mais amplas de integração entre os dois bancos.
Em 2025, o BRB chegou a anunciar a intenção de adquirir participação relevante no Banco Master, em uma operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central por falta de garantias suficientes sobre a viabilidade econômico-financeira do negócio.
Mesmo após essa negativa, as operações entre as instituições continuaram por algum tempo, aprofundando o vínculo financeiro entre elas.
O caso também se conecta a investigações mais amplas conduzidas pela Polícia Federal e outros órgãos de controle, que apuram suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo executivos, fundos e estruturas associadas ao Banco Master.
Nesse cenário, as planilhas que revelam os R$ 30,4 bilhões funcionam como peça-chave.
Elas não apenas quantificam a dimensão do problema, mas ajudam a reconstruir a lógica das operações e a identificar possíveis responsabilidades institucionais.
O que está em jogo vai além de um banco.
O caso expõe fragilidades no sistema de regulação, governança e controle de operações financeiras complexas, especialmente quando envolvem instituições públicas e grandes volumes de recursos.
No fim, o episódio sintetiza um risco estrutural.
Quando decisões financeiras de grande escala são tomadas em ambientes com baixa transparência e alto grau de interdependência política e econômica, o impacto potencial deixa de ser apenas corporativo.
Passa a ser sistêmico.






