Da Redação
Em conversa com Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que China e EUA devem trabalhar juntos pela paz e prosperidade globais, mas criticou duramente ações recentes de Washington e reforçou que Taiwan é linha vermelha inegociável.
Na quarta-feira, 10 de setembro de 2025, o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reforçou que Pequim e Washington têm papel central e responsabilidades inescapáveis na promoção da paz e prosperidade mundiais. Em diálogo telefônico com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Wang destacou que as duas maiores economias do planeta devem alinhar-se diante de desafios globais, mas alertou contra atitudes hostis de Washington que, segundo ele, prejudicam gravemente a confiança bilateral.
O chanceler lembrou que os presidentes dos dois países já haviam firmado consensos estratégicos importantes, e que é fundamental respeitá-los sem concessões. “Se os dois gigantescos navios da China e dos Estados Unidos querem avançar juntos, sem se desviar do curso ou perder velocidade, precisam seguir a orientação dos dois chefes de Estado”, disse Wang, numa metáfora sobre a necessidade de coordenação política no mais alto nível.
Wang Yi foi enfático ao condenar as recentes medidas e declarações americanas, classificadas como ações negativas que minam os direitos e interesses legítimos da China e interferem em seus assuntos internos. Ele destacou especialmente a questão de Taiwan, que Pequim considera parte inalienável de seu território. O chanceler foi categórico: a China se opõe a qualquer movimento que contrarie sua soberania sobre a ilha, instando os Estados Unidos a agirem com cautela em palavras e ações.
O diálogo também resgatou a memória da Segunda Guerra Mundial, quando China e Estados Unidos estiveram lado a lado na derrota do militarismo e do fascismo. Para Wang, esse precedente histórico deve servir de inspiração para uma nova era de cooperação global, em que as duas potências assumam responsabilidades conjuntas diante de crises econômicas, mudanças climáticas e riscos de segurança internacional.
Apesar das críticas, a conversa terminou em tom pragmático. Ambas as partes reconheceram a importância de manter o canal diplomático aberto, destacando a necessidade de administrar adequadamente as diferenças, explorar áreas de cooperação prática e reforçar o papel da diplomacia presidencial como motor da relação bilateral.
A fala de Wang Yi sintetiza a dupla postura chinesa diante de Washington: de um lado, abertura para cooperação em temas globais; de outro, firmeza absoluta em torno de Taiwan e da soberania nacional. Ao colocar a memória da luta contra o fascismo no centro do discurso, Pequim projeta-se como guardiã da ordem internacional, buscando constranger os EUA a assumirem responsabilidades sem unilateralismos.
Trata-se de um jogo diplomático de alto risco: enquanto pressiona os EUA a conter sua retórica e evitar interferências, a China sinaliza que está disposta a sustentar um diálogo pragmático — desde que suas “linhas vermelhas” não sejam ultrapassadas.


