Cúpula da OTAN começa sob pressão por mais gastos militares e guerra na Ucrânia domina agenda

Da Redação

A Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), iniciada nesta terça-feira (7) em Ancara, na Turquia, reúne os chefes de Estado e de governo dos 32 países da aliança em um dos momentos de maior tensão geopolítica dos últimos anos. A guerra na Ucrânia, o aumento dos gastos militares, a expansão da indústria de defesa e o relacionamento com a Rússia dominam a pauta do encontro.

O encontro ocorre sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a exigir que os aliados ampliem significativamente seus investimentos em defesa. Desde a cúpula anterior, realizada em Haia, os membros da OTAN assumiram o compromisso político de caminhar para investimentos equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em gastos relacionados à segurança até 2035, um salto expressivo em relação à antiga meta de 2%.

Ucrânia permanece no centro das discussões

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, voltou a defender decisões mais robustas da aliança para fortalecer a capacidade militar da Ucrânia. O pedido ocorre após novos ataques russos contra Kiev, que deixaram dezenas de mortos e feridos na véspera da reunião da OTAN.

Embora continue recebendo apoio político e militar da aliança, a entrada da Ucrânia na OTAN permanece indefinida. O tema segue sendo um dos principais pontos de divergência entre os aliados, especialmente diante do receio de ampliar o confronto direto com Moscou.

Rússia acompanha reunião e critica discurso da aliança

O Kremlin informou que acompanha atentamente todos os desdobramentos da cúpula.

O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que Moscou vê com preocupação o tom adotado pelos dirigentes da OTAN antes do encontro, classificando as declarações como “confrontacionais” e lamentando a ausência de propostas voltadas ao diálogo. Ao mesmo tempo, reiterou que a Rússia permanece aberta a iniciativas diplomáticas para uma solução negociada da guerra.

Reforço da indústria militar

Outro eixo central da reunião é o fortalecimento da base industrial de defesa da OTAN.

Paralelamente à cúpula política, ocorre o Fórum da Indústria de Defesa da OTAN, onde foram anunciados contratos de dezenas de bilhões de dólares destinados à ampliação da produção de armamentos, munições, sistemas de defesa aérea e novas tecnologias militares. A estratégia busca reduzir gargalos produtivos evidenciados pela guerra na Ucrânia e aumentar a capacidade de resposta da aliança diante de conflitos prolongados.

Segundo a organização, o objetivo é transformar os compromissos assumidos pelos governos em capacidade industrial permanente, reduzindo a dependência de estoques acumulados durante décadas de paz relativa.

Europa amplia investimentos

Dados divulgados pela própria OTAN indicam que os gastos militares dos países europeus e do Canadá cresceram 11% em 2026, alcançando aproximadamente US$ 634 bilhões. Apesar do aumento, o montante ainda permanece abaixo do investimento militar realizado pelos Estados Unidos, que continuam sendo o principal financiador da aliança.

Cinco países da organização já atingem a meta de investimentos equivalente a 5% do PIB, enquanto outros ainda permanecem bem abaixo desse patamar, evidenciando diferenças importantes entre os membros da aliança.

Mais do que a Ucrânia

Embora a guerra permaneça como tema dominante, especialistas observam que a reunião trata de uma transformação mais ampla da arquitetura de segurança internacional.

A OTAN procura adaptar sua estrutura a um ambiente geopolítico caracterizado pela competição entre grandes potências, pela expansão das capacidades cibernéticas, pela corrida tecnológica, pela inteligência artificial aplicada à defesa e pela crescente militarização das cadeias industriais estratégicas.

Nesse contexto, a ampliação dos gastos militares não é apresentada apenas como resposta à guerra na Ucrânia, mas como parte de uma reorganização de longo prazo da estratégia ocidental diante de um sistema internacional cada vez mais multipolar.

Ao final da cúpula, os líderes deverão divulgar uma declaração conjunta reafirmando o compromisso com a defesa coletiva, o fortalecimento da indústria militar da aliança e a continuidade do apoio à Ucrânia, enquanto permanecem abertas as negociações diplomáticas em torno do conflito com a Rússia.