Em artigo no Brasil 247, Marco Damiani avalia que a pesquisa eleitoral e as acusações feitas pela ex-deputada podem influenciar o debate da TV Globo e a disputa pelos últimos votos antes do segundo turno
Da Redação
A reta final da eleição presidencial de 2026 reúne uma disputa apertada nas pesquisas e novos fatos políticos com potencial de repercussão sobre as candidaturas. Em artigo publicado no Brasil 247 na quinta-feira (22), o jornalista Marco Damiani analisa como o empate entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro no Datafolha e as declarações da ex-deputada federal Joice Hasselmann podem afetar o cenário eleitoral às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25).
A avaliação de Damiani é de que os dois acontecimentos ampliaram as possibilidades de crescimento de Lula e aumentaram a pressão sobre o candidato do PL. O autor relata ter conversado com profissionais de marketing político e pesquisa eleitoral que consideraram os fatos relevantes para a reta final da campanha. Trata-se de uma análise política do colunista, e não de uma previsão comprovada sobre o resultado das urnas.
Datafolha registra empate na disputa presidencial
A pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro e o presidente Lula com 50% dos votos válidos cada um. No levantamento anterior, divulgado uma semana antes, Flávio tinha 51%, contra 49% de Lula.
Nos votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos, Flávio apareceu com 47% e Lula com 46%. Os votos brancos, nulos ou em nenhum dos candidatos somaram 5%, enquanto 2% dos entrevistados disseram ainda não saber em quem votar.
O instituto ouviu 2.520 pessoas em 154 municípios, entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09709/2026.
O resultado indica uma disputa sem liderança estatisticamente definida. A diferença entre os candidatos nos votos totais está dentro da margem de erro, e os percentuais de votos válidos também apontam empate. Os números retratam o momento em que as entrevistas foram realizadas, sem garantir o resultado final da eleição.
Para Damiani, a redução da vantagem numérica de Flávio e o crescimento relativo de Lula reforçam a importância dos últimos movimentos de campanha. O colunista também destaca a necessidade de conquistar eleitores que ainda não consolidaram sua decisão e de mobilizar quem pode deixar de comparecer às urnas.
Joice Hasselmann acusa Jair Bolsonaro e declara voto em Lula
O segundo acontecimento destacado pelo artigo foi a entrevista de Joice Hasselmann ao jornalista Leonardo Attuch, do Brasil 247. Ex-deputada federal e antiga aliada de Jair Bolsonaro, ela anunciou voto em Lula no segundo turno e relatou perseguições e agressões que, segundo sua versão, sofreu após romper com o bolsonarismo.
Na entrevista, divulgada pela TV 247 em 22 de outubro, Joice afirmou que Bolsonaro teria tentado matá-la. A declaração se refere ao episódio de agressões que ela diz ter sofrido em 2021, quando seu apartamento teria sido invadido. A ex-parlamentar também relatou ataques à sua reputação e perseguições políticas.
As acusações são graves e devem ser compreendidas como declarações da própria Joice. A entrevista, por si só, não comprova a responsabilidade de Jair Bolsonaro pelas agressões relatadas.
Joice também afirmou que denunciou, em 2019, a existência de uma minuta de golpe ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Ao explicar seu voto em Lula, argumentou que as divergências políticas com o PT não impedem uma escolha eleitoral orientada pela defesa da democracia.
A ex-deputada ressaltou que pretende continuar na oposição depois da eleição. Segundo ela, a oposição deve poder atuar dentro das regras democráticas, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.
A declaração tem relevância política por vir de uma figura que integrou o campo bolsonarista e foi líder do governo Bolsonaro no Congresso. Sua mudança de posição expõe o rompimento com antigos aliados e introduz uma crítica pública ao grupo que ajudou a eleger em 2018.
Por que a combinação dos dois fatos importa na reta final?
No artigo, Damiani argumenta que a pesquisa e a entrevista de Joice se reforçam politicamente. De um lado, o Datafolha registra uma disputa equilibrada, com Lula reduzindo a diferença em relação ao levantamento anterior. De outro, as declarações da ex-deputada colocam em circulação novas críticas ao histórico político de Jair Bolsonaro e ao grupo que agora busca eleger Flávio.
A interpretação do colunista é que a combinação pode dificultar a estratégia eleitoral do candidato do PL, especialmente se as denúncias ampliarem o debate sobre democracia, violência política e responsabilidade pública. Damiani também avalia que esses acontecimentos podem oferecer novos elementos para a campanha de Lula no confronto televisivo.
É importante distinguir essa leitura dos dados objetivos da pesquisa. O Datafolha mede intenções de voto; não demonstra que a entrevista de Joice tenha provocado a mudança nos percentuais. Para estabelecer uma relação causal entre os acontecimentos e o comportamento dos eleitores, seriam necessárias evidências específicas sobre a influência de cada fato na decisão de voto.
O artigo também menciona controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro, entre elas relatos sobre sua participação em uma festa em uma lancha durante a pandemia de Covid-19 e o recebimento de um relógio Rolex. Esses episódios aparecem no texto como elementos que, na avaliação de Damiani, aumentam a pressão política sobre o senador. As referências a possíveis irregularidades precisam ser tratadas conforme as informações e provas disponíveis em cada caso, sem transformar acusações em condenações.
Debate da Globo ganha peso na reta final
O debate presidencial da TV Globo, previsto para a sexta-feira (23), ocupa posição central na análise de Damiani. Com o segundo turno marcado para domingo, o confronto representa uma das últimas oportunidades de exposição direta dos candidatos antes da votação.
O colunista considera que Lula chega ao debate em um cenário mais favorável do que o desenhado por avaliações anteriores da campanha. Ele cita a mobilização de apoiadores, os atos públicos e a atuação nas redes sociais como fatores que podem contribuir para ampliar a competitividade do presidente.
Damiani também relata preocupação com a condição da voz de Lula, que havia passado por um período de repouso após os compromissos da campanha. O autor considera que o conteúdo político e o desempenho no debate podem ter importância na disputa, embora o resultado eleitoral continue em aberto.
A campanha de Flávio, por sua vez, mantém o desafio de preservar sua base e conquistar eleitores para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo. Em uma eleição tão apertada, a capacidade de apresentar propostas, responder a questionamentos e evitar desgastes pode pesar na percepção dos indecisos.
Disputa aberta até domingo
A leitura apresentada por Marco Damiani é de que a combinação entre o empate no Datafolha e as declarações de Joice Hasselmann abriu uma nova frente de disputa política para os últimos dias da eleição. O artigo sustenta que Lula pode aproveitar esse cenário para fortalecer sua candidatura e que Flávio enfrenta maior pressão para responder às críticas dirigidas ao campo bolsonarista.
Os dados disponíveis, contudo, mostram uma disputa equilibrada, sem permitir afirmar antecipadamente quem vencerá. A pesquisa registra as intenções de voto no período de 20 a 22 de outubro, enquanto o efeito eleitoral da entrevista de Joice e do debate da Globo só poderá ser avaliado com informações posteriores.
O segundo turno de domingo decidirá a eleição. Até lá, a pesquisa, as declarações públicas e o desempenho dos candidatos seguirão compondo o ambiente político, mas nenhum desses elementos, isoladamente, determina o resultado das urnas.






