Da Redação
Em meio a um ambiente de intensa disputa narrativa e crise política externa, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, contestou campanhas de desinformação e enfatizou que o país mantém instituições e um governo legítimo em funcionamento, reforçando soberania e resistências diante de pressões e interferências estrangeiras.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a se posicionar de forma firme contra o que chamou de “desinformação imperialista”, em pronunciamento no qual reafirmou que a Venezuela possui um governo instituído, legítimo e em funcionamento, apesar das crescentes campanhas de desinformação que circulam no cenário internacional e nacional.
Rodríguez fez suas declarações durante visita a comunidades populares em uma região portuária, diante de apoiadores e representantes sociais. Em um contexto marcado por conflitos narrativos entre diferentes polos de poder global, ela criticou diretamente versões que sugerem que a autoridade política venezuelana teria sido anulada ou suplantada por forças externas.
No discurso, a presidente interina destacou que a Venezuela — com suas instituições, ministérios, funções públicas e serviços essenciais — continua a operar normalmente, mesmo sob pressões políticas, econômicas e midiáticas. Segundo ela, a circulação de informações que sugerem um vácuo institucional ou a ausência de um governo constitucional tem sido usada como ferramenta geopolítica por grupos que sustentam interesses externos no país.
A fala de Rodríguez foi uma resposta clara às narrativas que circulam em setores da mídia estrangeira e em plataformas internacionais que questionam a existência de um governo funcional em Caracas após episódios recentes de crise, violência e disrupção política. Essas versões são frequentemente associadas a cenários de intervenção ou a tentativas de deslegitimar as autoridades venezuelanas, argumentando que não haveria um poder estatal efetivo.
“Temos um governo que está aqui, que administra, que responde, que protege e que governa com o povo”, afirmou Delcy Rodríguez, enfatizando que a estrutura administrativa do Estado não foi eliminada por nenhum tipo de ação externa ou interna. Para ela, a continuidade das funções estatais — incluindo educação, saúde, segurança e políticas sociais — é prova inequívoca de que a Venezuela mantém uma ordem institucional válida.
Rodríguez repudiou o que classificou como campanhas de desinformação imperialista, ou seja, tentativas deliberadas de manipular percepções internas e externas para favorecer agendas políticas que visam enfraquecer a soberania venezuelana. Ela argumentou que tais campanhas desenvolvem um quadro falso de “vazio de poder”, que seria explorado por atores externos interessados em impor soluções externas ao país, incluindo pressões diplomáticas, econômicas e, em alguns discursos, até militares.
A presidente interina enfatizou que a soberania é um princípio inegociável para a Venezuela. Essa linha de argumentação tem sido central nas comunicações oficiais do governo, que sustentam que qualquer tentativa externa de interferência — seja por meio de comunicação, sanções ou apoio a narrativas de mudança de regime — é uma violação direta do direito internacional e dos princípios de autodeterminação dos povos.
Internamente, a reafirmação de autoridade por parte de Delcy Rodríguez serve também a funções políticas domésticas, na medida em que busca consolidar coesão entre setores que ainda apoiam a chamada revolução bolivariana e fortalecer a legitimidade do governo em um cenário de crise prolongada. Isso ocorre em meio a protestos, dificuldades econômicas e pressões sociais, fatores que, combinados com narrativas contrárias ao governo, alimentam um ambiente político altamente competitivo.
Externamente, a contestação à desinformação expõe a importância da guerra de narrativas no contexto geopolítico atual. Ao mesmo tempo em que governos críticos à política externa venezuelana promovem versões que questionam a funcionalidade institucional do Estado, Havana, Moscou, Pequim e outros aliados de Caracas reforçam a legitimidade das autoridades venezuelanas e defendem o princípio da não intervenção nos assuntos internos.
Rodríguez também indicou que a Venezuela tem ampliado esforços diplomáticos para fortalecer parcerias com países que respeitam sua soberania e reconhecem a legitimidade das instituições em funcionamento. Isso inclui alianças políticas e econômicas com nações que respeitam a autodeterminação e rejeitam a instrumentalização de narrativas para fins de mudança de regime.
A presidente interina fez questão de destacar a resiliência das instituições venezuelanas, mesmo diante de um ambiente internacional polarizado, em que diferentes blocos disputam influência e projetam narrativas divergentes sobre governos considerados “aliados” ou “adversários”. Esse embate de versões, para ela, é parte de uma estratégia externa que tenta enfraquecer a coesão interna venezuelana e abrir espaço para modelos de governo que reflitam interesses externos.
A resposta de Delcy Rodríguez, portanto, é também uma afirmação política de soberania diante de pressões midiáticas globais, uma tentativa de moldar a percepção interna e externa sobre a realidade institucional venezuelana, e um esforço para reafirmar que, mesmo em meio à crise, não há espaço para a ideia de que o governo venezuelano teria deixado de exercer suas funções.
No plano internacional, a firmeza do discurso venezuelano renova a discussão sobre a legitimidade e a autonomia dos Estados diante de narrativas hostis de grandes potências e mídias hegemônicas, reacendendo debates sobre a necessidade de pluralidade de vozes, respeito ao direito internacional e ao princípio de não intervenção.



