Atitude Popular

Deputado propõe TerraBrás para proteger minerais estratégicos

Da Redação

Em meio à disputa global por terras raras, o deputado Rogério Correia defende a criação da TerraBrás, uma estatal para controlar a exploração mineral no Brasil. A proposta busca evitar a exportação de matéria-prima bruta e garantir soberania sobre recursos estratégicos.

A proposta de criação da TerraBrás voltou ao centro do debate nacional após o deputado federal Rogério Correia afirmar que é “urgente” estruturar uma estatal voltada ao controle da exploração de minerais estratégicos no Brasil. A declaração foi feita em entrevista à TV 247 e ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre recursos como terras raras, fundamentais para a economia do século XXI.

A ideia da TerraBrás surge como resposta direta a um problema histórico da economia brasileira: a exportação de matéria-prima sem agregação de valor. Segundo o parlamentar, o país não pode repetir com as terras raras o mesmo modelo aplicado ao minério de ferro e outros recursos, nos quais o Brasil atua majoritariamente como fornecedor de insumos brutos enquanto a industrialização e o valor agregado ficam no exterior.

Esse ponto é central para entender o peso da proposta. As terras raras são minerais essenciais para tecnologias modernas, como celulares, turbinas eólicas, carros elétricos e equipamentos de defesa. Ao destacar que esses elementos são “críticos estratégicos”, Correia chama atenção para o fato de que não se trata apenas de mineração, mas de soberania tecnológica e econômica.

O Brasil ocupa posição privilegiada nesse cenário. O país possui uma das maiores reservas globais desses minerais, ficando atrás apenas da China. Essa condição transforma o território brasileiro em peça-chave da disputa geopolítica internacional por insumos críticos, especialmente em um contexto de rivalidade entre grandes potências e reorganização das cadeias produtivas globais.

A proposta da TerraBrás, no entanto, não se limita à criação de uma nova empresa estatal tradicional. Segundo o deputado, o objetivo é estruturar uma entidade com capacidade de coordenar estrategicamente o setor, definindo o que será explorado, como será explorado e de que forma essa exploração beneficiará a população brasileira.

Na prática, isso significaria retirar a exploração mineral estratégica da lógica puramente de mercado e inseri-la em um planejamento nacional. O Estado passaria a ter papel central na definição das cadeias produtivas, buscando garantir industrialização interna, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.

Outro ponto enfatizado por Correia é o risco ambiental. A extração de terras raras é um processo complexo, que envolve grande movimentação de solo para obtenção de pequenas quantidades de material. Sem planejamento e controle rigoroso, essa atividade pode gerar impactos severos, como já ocorreu historicamente em regiões mineradoras do Brasil.

A crítica ao modelo atual é direta. O parlamentar afirma que a mineração brasileira se transformou em um sistema de exportação de riqueza sem retorno proporcional para o país, com impactos sociais e ambientais significativos. Ao citar Minas Gerais como exemplo de exploração intensiva, ele alerta que o mesmo caminho não pode ser seguido com minerais estratégicos do futuro.

A defesa da TerraBrás também dialoga com um movimento mais amplo dentro do governo e do Congresso. Nos últimos meses, cresceu a preocupação com a venda de ativos ligados a terras raras para empresas estrangeiras e com acordos internacionais que podem comprometer o controle nacional sobre esses recursos. Esse cenário tem impulsionado propostas de maior regulação e intervenção estatal no setor.

No plano geopolítico, a discussão ganha ainda mais relevância. O mundo vive uma nova corrida por recursos estratégicos, comparável à disputa pelo petróleo no século XX. Quem controla minerais críticos como terras raras, lítio e nióbio passa a ter vantagem na economia global, na transição energética e até na capacidade militar.

Nesse contexto, a criação de uma estatal como a TerraBrás seria uma tentativa de reposicionar o Brasil nesse jogo. Em vez de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima, o país buscaria controlar etapas mais avançadas da cadeia produtiva, ampliando sua autonomia e seu poder de negociação internacional.

Mas o caminho não é simples. A proposta envolve desafios políticos, econômicos e institucionais. Será necessário equilibrar atração de investimentos com controle estatal, desenvolver tecnologia nacional e construir uma política industrial consistente capaz de sustentar esse novo modelo.

No fim, a fala de Rogério Correia sintetiza uma questão central do Brasil contemporâneo: o país continuará exportando riqueza bruta ou passará a utilizar seus recursos estratégicos como base para um projeto de desenvolvimento soberano.