Da Redação
Um protesto nada convencional colocou uma moradora de Vitória, no Espírito Santo, no centro das redes sociais neste fim de semana. Câmeras de segurança registraram o momento em que ela recolhe as fezes de seu cachorro e as esfrega sobre uma pintura do ex-presidente Jair Bolsonaro em um muro conhecido na cidade como “Casa Bolsonaro”. O vídeo viralizou, dividiu opiniões e terminou em registro de boletim de ocorrência.
A ação ocorreu em frente ao imóvel do vereador Armandinho Fontoura (PL), que mantém no local um mural em homenagem ao ex-presidente. O parlamentar afirma que o episódio aconteceu em duas ocasiões distintas, nos dias 13 e 20 de junho.
Vídeo tomou conta das redes
As imagens mostram a mulher passeando com o cachorro, recolhendo as fezes em uma sacola e, em seguida, aproximando-se do mural para espalhar o material sobre o rosto de Bolsonaro.
Poucas horas depois, o vídeo começou a circular em perfis de humor, páginas políticas e grupos de mensagens. Enquanto apoiadores do ex-presidente classificaram o episódio como vandalismo, milhares de internautas trataram a cena com ironia. Expressões como “Diva”, “Rainha”, “Obra de arte contemporânea” e “Performance política” passaram a acompanhar as publicações. O caso rapidamente ultrapassou o debate político e entrou para a lista de vídeos virais da semana.
Vereador registrou ocorrência
Armandinho Fontoura informou que procurou a Polícia Civil para denunciar o caso. Segundo ele, além da sujeira provocada pelas fezes, o mural sofreu danos que exigirão nova pintura.
No boletim de ocorrência, o vereador afirma que houve deterioração da imagem e contaminação do espaço, classificando a ação como um ato de vandalismo direcionado ao patrimônio particular. Até o momento, a identidade da mulher não havia sido divulgada pelas autoridades.
Até o momento não sabemos se o cocô do cachorro foi contaminado por Bolsonaro. As imagens não registraram o animal fazendo pouco caso das mais de 700 mil mortes da pandemia, imitando pessoas com falta de ar, disseminando desinformação sobre vacinas, atacando o sistema eleitoral sem apresentar provas, homenageando torturadores da ditadura ou passando temporadas nos Estados Unidos depois de deixar a Presidência.
Protesto pode gerar responsabilização
Apesar da repercussão bem-humorada nas redes sociais, especialistas costumam lembrar que manifestações políticas não autorizam danos ao patrimônio de terceiros.
Caso a autora seja identificada, a investigação poderá avaliar eventual responsabilização civil e criminal pelos prejuízos causados ao proprietário do imóvel.
Enquanto o caso segue nas mãos da polícia, a internet já escolheu seu veredito. Para uma parcela expressiva dos usuários das redes, a autora do protesto ganhou um apelido que se repetiu milhares de vezes nas publicações: “Diva!”

