Atitude Popular

Dodik é destituído após sentença e desafia autoridades da Bósnia

Da Redação

Líder separatista da República Sérvia na Bósnia é removido do cargo e veta juízes federais, alimentando crise institucional e ameaças de ruptura do país.

Nesta quarta-feira, 6 de agosto de 2025, o órgão eleitoral da Bósnia e Herzegovina decretou a remoção imediata de Milorad Dodik do cargo de presidente da República Sérvia (Republika Srpska), após tribunal local confirmar sua condenação a um ano de prisão e proibição política por seis anos. A decisão judicial foi mantida por instância superior, consolidando sua invalidação como autoridade.

Desde fevereiro, Dodik desdenha da autoridade das instituições federais e do representante internacional, promulgando leis que proibiam juízes centrais e policiais federais de atuar na sua entidade estadual. Esse movimento foi respondido pela Suprema Corte da Bósnia, que anulou essas leis secessionistas por violação ao Acordo de Dayton.

Apesar das sanções e alertas internacionais, Dodik afirmou que continuará exercendo poder com o suporte do parlamento da República Sérvia, e declarou que pretende recorrer à Rússia e escrever para a administração Trump em busca de apoio.

Essa escalada culminou na confirmação da sentença em agosto, o que acelerou a destituição através da Comissão Central Eleitoral. O procedimento eleitoral também foi reformado unilateralmente por Dodik em abril, instituindo comissões locais que desconsideram o sistema federal vigente.

A União Europeia e os Estados Unidos condenaram veementemente a decisão de Dodik e o sistema secessionista em franca violação ao Estado de Direito e à soberania bósnia. Em resposta, a União Europeia reforçou a presença de tropas de paz e exigiu o respeito incondicional às decisões judiciais.

A Hungria — aliada política da liderança sérvia — saiu em defesa de Dodik, com declarações públicas emitidas em Budapeste. O premiê Viktor Orbán declarou que rejeita o que qualificou como perseguição política e afirmou que continuará investindo na República Sérvia.

Diante do impasse, ativistas políticos bósnios e analistas alertam para o risco de ruptura institucional e reedição da instabilidade étnica dos anos 90. O país vive sua maior crise desde os Acordos de Dayton, impulsionada por ambições separatistas conjugadas à pressão externa.