Da Redação
Elmano de Freitas (PT) foi reeleito governador do Ceará neste domingo (4), derrotando Ciro Gomes (PSDB) por uma diferença superior a 375 mil votos. O resultado confirmou a vitória do petista ainda no primeiro turno e encerrou a disputa pelo Governo do Estado sem necessidade de nova votação.
Com a apuração concluída, Elmano obteve 3.012.863 votos, correspondentes a 53,74% dos votos válidos. Ciro Gomes ficou em segundo lugar, com 2.637.390 votos, ou 47,06%. A diferença entre os dois candidatos foi de 375.473 votos.
A eleição foi marcada por uma disputa acirrada nas semanas finais da campanha. Pesquisas divulgadas antes da votação chegaram a apontar empate técnico entre Elmano e Ciro, cenário que contrastou com o resultado das urnas.
A vitória de Elmano representa a continuidade do grupo político liderado pelo governador e mantém o PT à frente do Governo do Ceará. A campanha contou com o apoio do Presidente Lula, que esteve no Estado durante a reta final da disputa e participou de atividades ao lado do governador.
Ciro Gomes, por sua vez, encerra a disputa em segundo lugar. A candidatura reuniu partidos e lideranças de oposição ao governo estadual e enfrentou, nos últimos dias da campanha, uma disputa judicial envolvendo a composição de sua chapa.
O conflito chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) depois que os diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas questionaram a decisão da Federação União Progressista de apoiar Ciro. Roberto Cláudio e Capitão Wagner, integrantes da chapa, chegaram a ter atos de campanha suspensos por decisão judicial, posteriormente derrubada pelo ministro André Mendonça.
A eleição também consolidou uma mudança importante em relação às pesquisas realizadas durante a campanha. Na quarta pesquisa Datafolha divulgada antes da votação, Ciro aparecia com 44% das intenções de voto e Elmano com 43%, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Nas urnas, Elmano terminou à frente com uma vantagem superior a 375 mil votos.
O resultado define o comando do Executivo cearense para o próximo mandato e mantém a disputa política estadual sob a liderança de Elmano de Freitas. A votação deste domingo encerrou uma campanha marcada por forte polarização entre o grupo governista e a oposição liderada por Ciro Gomes.
Acusações antes da votação
Ainda antes da abertura das urnas, Ciro Gomes fez novas acusações contra adversários políticos. Ao votar em Fortaleza, o candidato afirmou que o senador Camilo Santana (PT) teria interferido no processo eleitoral e questionou a atuação de instituições e lideranças ligadas ao grupo político de Elmano.
Segundo Ciro, haveria uma ação coordenada para interferir na disputa pelo Governo do Ceará. As declarações foram feitas sem que o candidato apresentasse, naquele momento, elementos públicos capazes de comprovar a acusação. O episódio se somou a outros questionamentos apresentados por Ciro durante a campanha sobre a atuação de adversários e instituições.
A postura marcou os últimos momentos de uma campanha em que o candidato do PSDB frequentemente colocou sob suspeita decisões políticas e acontecimentos que envolviam sua candidatura. Nos dias anteriores à votação, Ciro também esteve no centro de uma disputa judicial relacionada à composição de sua chapa, envolvendo a Federação União Progressista.
A questão chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) depois que os diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas questionaram a decisão da federação de apoiar Ciro. Roberto Cláudio e Capitão Wagner, integrantes da chapa, chegaram a ter atos de campanha suspensos por decisão judicial, posteriormente derrubada pelo ministro André Mendonça.
A oração diante da derrota
A derrota de Ciro Gomes começou a ganhar contornos de incredulidade entre seus apoiadores ainda durante a apuração. Um vídeo publicado pelo O POVO mostra integrantes da campanha reunidos diante de um telão, em Fortaleza, com os braços levantados enquanto rezavam a Oração de São Francisco. A cena ocorreu quando a apuração apontava vantagem de Elmano de Freitas (PT) na disputa pelo Governo do Ceará.
A oração, de forte tradição católica, acabou sendo utilizada como uma espécie de tentativa de reação diante de um resultado que contrariava as expectativas alimentadas durante a campanha. A cena também chama atenção pelo percurso político que marcou a campanha de Ciro. Ciro tentou ocupar o espaço de oposição ao grupo de Elmano e incorporou ao discurso temas caros à direita, enquanto parte de sua antiga identidade política se afastava de sua campanha. Ao mesmo tempo, o candidato passou a fazer acusações sucessivas contra adversários e instituições durante a reta final da disputa.
No dia da votação, depois de votar em Fortaleza, Ciro acusou o senador Camilo Santana (PT) de interferir no pleito. A declaração foi dada sem que ele apresentasse, naquele momento, elementos públicos capazes de comprovar a acusação. O episódio se somou a outros questionamentos feitos pelo candidato durante a campanha, inclusive contra decisões judiciais que afetaram sua chapa.
No fim, a oração não alterou o resultado. Elmano foi reeleito no primeiro turno, e a diferença de 375.473 votos separou os dois candidatos. A imagem dos apoiadores rezando diante do telão permanece como um registro do momento em que a campanha de Ciro precisou encarar, ainda durante a apuração, um resultado diferente daquele projetado pelos levantamentos mais recentes.
A estética bolsonarista da derrota chega ao comitê de Ciro
Uma das cenas mais simbólicas da noite eleitoral em Fortaleza veio do comitê de Ciro Gomes. Diante do telão que mostrava a vantagem de Elmano de Freitas, apoiadores do candidato do PSDB levantaram os braços e começaram a rezar a Oração de São Francisco. Alguns choravam enquanto acompanhavam a apuração. O registro, publicado pelo O POVO, imediatamente remete a um comportamento que se tornou conhecido entre grupos bolsonaristas depois da derrota de Jair Bolsonaro para o Presidente Lula em 2022.
Naquela noite, diante da confirmação do resultado, apoiadores de Bolsonaro também choraram, ajoelharam e foram conduzidos por lideranças a momentos de oração. Em Brasília, um locutor chegou a pedir que os manifestantes se ajoelhassem e rezassem enquanto a vitória de Lula se consolidava. Muitos choraram. Nos dias seguintes, manifestações diante de quartéis passaram a misturar orações, pedidos de intervenção militar e a expectativa de que algum acontecimento pudesse impedir a posse do presidente eleito.
A aproximação ajuda a explicar por que a cena do comitê de Ciro produz uma associação que vai além da simples manifestação de tristeza de eleitores derrotados. O que aparece no vídeo é uma forma de reagir à derrota que ficou especialmente marcada no bolsonarismo: o choro coletivo, a oração diante da apuração e a dificuldade de aceitar imediatamente que a decisão eleitoral estava sendo definida pelos votos depositados nas urnas.






