Da Redação
Após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, a deputada Erika Hilton respondeu com firmeza a ataques transfóbicos de adversários políticos e comentaristas conservadores. “Podem espernear, podem latir. Eu sou a presidenta da comissão”, afirmou.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) respondeu com firmeza a ataques transfóbicos e críticas vindas de setores conservadores após sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A parlamentar afirmou que continuará exercendo o cargo independentemente das reações de adversários políticos e de manifestações preconceituosas que surgiram após sua escolha para comandar o colegiado.
“Podem espernear, podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão das Mulheres”, declarou a deputada ao reagir às críticas. A frase foi uma resposta direta à onda de ataques e questionamentos sobre sua legitimidade para presidir o colegiado responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres no país.
A eleição ocorreu em 11 de março de 2026 e marcou um momento histórico para o Congresso Nacional. Erika Hilton tornou-se a primeira mulher trans a presidir uma comissão permanente da Câmara dos Deputados, um dos espaços institucionais centrais para a formulação de políticas públicas de gênero no Brasil.
A vitória ocorreu com 11 votos favoráveis e dez votos em branco, resultado que já refletia parte da resistência de parlamentares conservadores à indicação da deputada para o cargo.
Logo após a eleição, setores da direita política e figuras públicas passaram a questionar a escolha. Entre as reações mais polêmicas estiveram comentários transfóbicos feitos por personalidades da mídia e críticas de parlamentares alinhados ao bolsonarismo, que argumentaram que a comissão deveria ser presidida apenas por mulheres cisgênero.
Durante seu discurso após a eleição, Hilton afirmou que sua presidência terá como prioridade ampliar políticas de proteção às mulheres e combater a violência de gênero. A deputada também destacou que sua atuação buscará incluir diferentes realidades sociais femininas, como mães solo, mulheres negras, indígenas e trabalhadoras.
Ela também deixou claro que a gestão não abandonará a defesa dos direitos de mulheres trans e travestis. “Queiram ou não queiram, mulheres transexuais e travestis não serão abandonadas nessa gestão”, afirmou em sua primeira manifestação após assumir o cargo.
A eleição da parlamentar também reacendeu o debate sobre violência política de gênero e transfobia no ambiente institucional brasileiro. Ao longo de sua trajetória política, Erika Hilton já foi alvo de diversos ataques desse tipo, incluindo episódios ocorridos dentro do próprio Congresso Nacional.
Mesmo diante das críticas, a deputada afirmou que pretende conduzir a comissão com diálogo e foco em políticas públicas. Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização da rede de proteção às mulheres, o combate à violência política de gênero e o fortalecimento de programas de assistência e saúde voltados ao público feminino.
A reação firme da parlamentar às críticas reforça o significado político de sua eleição. Para apoiadores, o episódio representa um avanço na representação institucional de minorias e na ampliação do debate sobre igualdade de gênero no Brasil. Para opositores, a escolha intensifica disputas ideológicas dentro do Congresso.
Independentemente da polarização, a presidência da comissão coloca Erika Hilton em uma posição central no debate legislativo sobre direitos das mulheres no país, transformando sua atuação em um dos pontos mais observados da política brasileira nos próximos meses.






